quarta-feira, 25 de setembro de 2013

“Medeia Vozes” da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz em São Paulo e Pernambuco

Foto: Pedro Isaias Lucas

Comemorando os seus 35 anos de trajetória a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, viaja neste sábado, com o patrocínio do Ministério da Cultura e da Petrobras, para São Paulo, onde irá realizar uma temporada do espetáculo “Medeia Vozes” entre os dias 10 e 13 e de 15 a 20 de outubro, na sede do Grupo Vento Forte (Rua Brigadeiro Haroldo Veloso, 150 - Itaim), sempre às 20h. Na sequência o grupo viaja para Pernambuco na cidade de Arco Verde, onde realizará uma temporada do espetáculo, de 05 a 10 e de 12 a 15 de novembro, na Estação da Cultura (Av Antônio Japiassu, s nº), sempre às 19h e 30 minutos.
 As apresentações terão entrada franca. As senhas serão distribuídas 30 minutos antes do espetáculo.

Em MEDEIA VOZES, Christa Wolf toma uma versão antiga e desconhecida do mito, e nos traz uma mulher que não cometeu nenhum dos crimes de que Eurípides a acusa. Por mais de dois mil anos, Medeia, uma das mais poderosas mulheres da mitologia grega, é acusada de várias atrocidades, tais como o fratricídio, o infanticídio e o envenenamento de Glauce, e é esta imagem que foi imposta à consciência ocidental que Wolf vem negar. O mito é questionado e reelaborado de maneira original, para analisar o fundamento das ordens de poder e como estas se mantêm ou se destroem.  
Medeia é uma mulher que está na fronteira entre dois sistemas de valor, corporizados respectivamente pela sua terra natal, e pela terra para a qual foge.  Ambas as sociedades, Corinto e Cólquida, apresentam na sua história um sacrifício humano fundamental, que serviu para a estabilização do poder patriarcal. Medeia é uma mulher que enxerga seu tempo e sua sociedade como são. As forças que estão no poder manifestam-se contra ela, chegando mesmo à perseguição e banimento, ela é um bode expiatório numa sociedade de vítimas.

A Medeia pacifista do Ói Nóis Aqui Traveiz demonstra a inutilidade de todo processo bélico. A encenação forma uma obra polifônica, onde, além das vozes dos personagens narradores do romance, somam- se vozes de mulheres contemporâneas como as revolucionárias alemãs Rosa Luxemburgo e Ulrike Meinhof, a somali Waris Diriiye, a indiana Phoolan Devi e a boliviana Domitila Chungara, que enfrentaram de diferentes maneiras a sociedade patriarcal em várias partes do mundo. 
Com a criação coletiva Medeia Vozes a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz dá continuidade ao Projeto Raízes do Teatro e segue uma linha de investigação sobre teatro ritual de origem artaudiana e performance contemporânea. Este projeto já trabalhou com mitos que resultaram nos espetáculos: Antígona Ritos de Paixão e Morte (1990), Missa para Atores e Público sobre a Paixão e o Nascimento do Doutor Fausto de Acordo com o Espírito de Nosso Tempo (1994) e Aos Que Virão Depois de Nós Kassandra In Process (2002).


FICHA TÉCNICA:

MEDEIA VOZES
Criação coletiva da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz inspirada livremente no romance homônimo de Christa Wolf.
Roteiro, encenação, cenografia, figurinos e iluminação da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz

Música: Johann Alex de Souza

Preparação Vocal: Leonor Melo

Atuadores: Tânia Farias, Paulo Flores, Clélio Cardoso, Marta Haas, Eugênio Barboza, Jorge Gil, Sandra Steil, Paula Carvalho, Roberto Corbo, Letícia Virtuoso, Mayura Matos, Luana da Rocha, Keter Atácia, Alex Pantera, Geison Burgedurf, Pascal Berten e Pedro Gabriel. 

Operação de luz e som: Daniel Steil e Márcio Leandro

Contra-regra: Thales Rangel

Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz - 35 Anos!

Durante três décadas a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz construiu uma trajetória que marcou definitivamente a paisagem cultural do Brasil. Com a iniciativa de subverter a estrutura das salas de espetáculos e o ímpeto de levar o teatro para a rua, abriu novas perspectivas na tradicional performance cênica do sul do país . A determinação em experimentar novas linguagens a fez seguir caminhos nunca trilhados por aqui. Com base nos preceitos de Antonin Artaud e do teatro revolucionário, investiga com rigor todas as possibilidades da encenação. Na busca de uma identidade, desenvolveu uma estética própria, fundada na pesquisa dramatúrgica, musical, plástica, no estudo da história e da cultura, na experimentação dos recursos teatrais a partir do trabalho autoral do ator, estabelecendo um novo modo de atuação. Seu centro de produção, a Terreira da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, ocupa lugar de destaque entre os espaços culturais do Estado, sendo igualmente apontada como uma referência de âmbito nacional. Funciona como escola de formação de atores e, principalmente, como ponto de aglutinação de pessoas e profissionais dos mais diversos segmentos, fomentando a criação artística em diferentes áreas. A organização da Tribo é baseada no trabalho coletivo, tanto na produção das atividades teatrais, como na manutenção do espaço. Para a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz o teatro é instrumento de desvelamento e análise da realidade; a sua função é social: contribuir para o conhecimento dos homens e o aprimoramento da sua condição.

A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz tem o patrocínio de manutenção da Petrobras.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Ministério da Cultura e Petrobras apresentam:



Seminário
 TRAGÉDIA E A CENA CONTEMPORÂNEA

Nos dias 24 e 25 de setembro, a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz realizará o Seminário Tragédia e a Cena Contemporânea, às 20 horas, com entrada franca, na Terreira da Tribo (Rua Santos Dumont, 1186 – São Geraldo, fones 30281358 e 32865720). Também no dia 24 será lançado o novo número da Cavalo Louco – Revista de Teatro da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz. 

A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, através do Seminário, propõe uma reflexão sobre a revivicação da tragédia grega nos dias de hoje. Nos dias 24 e 25 de setembro, os debates com os pesquisadores e professores Leonardo Munk (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro), Gilson Motta (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Francisco Marshall (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e Paulina Nólibos (Universidade Luterana do Brasil) levantarão questionamentos como: se do ponto de vista histórico, acontecimentos catastróficos perderam seu sentido trágico, como explicar, do ponto de vista artístico, a retomada  de textos clássicos na contemporaneidade? O que leva muitos encenadores a manifestarem interesse pela tragédia grega? De que maneira a encenação destes textos dialogam com o “problema geral do trágico”? E ainda, qual o espaço/lugar de encenação de textos trágicos no mundo contemporâneo?

O interesse pelos mitos gregos reelaborados por Esquilo, Sófocles e Eurípedes foi retomado principalmente a partir dos anos de 1960, sendo encenados com perspectivas políticas radicais e com uma busca maior de experimentalismo do ponto de vista estilístico. No final do século XX e início do XXI as tragédias gregas e as suas adaptações foram recuperadas com o propósito de discutir problemas políticos como questões de gênero, catástrofes ambientais, guerras civis, holocausto, tensões entre o Oriente e o Ocidente, etc. A redescoberta foi estimulada também devido ao encontro do Ocidente com outras propostas teatrais que colocam em questão as recepções entre cena e sala, ator e espectador.

Palestrantes:

Leonardo Munk é Doutor em Teoria Literária pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com doutorado sanduíche na Freie Universität Berlin (Universidade Livre de Berlim). Atualmente é Professor Adjunto 2 da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), onde atua no Departamento de Teoria do Teatro, na Escola de Letras e no Programa de Mestrado em Artes Cênicas, dedicando-se ao estudo das relações entre teatro e artes visuais, com ênfase nos tópicos mito, memória e violência. 
Gilson Motta é pesquisador de Artes cênicas, Cenógrafo, Performer. Professor do Departamento de Artes Utilitárias da Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde atua nas áreas de história da encenação e teatro de formas animadas.   Autor de diversos artigos sobre artes cênicas e do livro O Espaço da Tragédia, lançado pela Editora Perspectiva em 2011. Como artista, nos últimos anos, vem atuando como performer junto ao Coletivo de Performance Heróis do Cotidiano. 
Francisco Marshall é historiador e arqueólogo, professor do IFCH e do IA da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, fundador do StudioClio – Instituto de Arte e Humanismo, autor de Édipo Tirano, A Tragédia do Saber (Editora da UFRGS e Ed.UnB, Porto Alegre e Brasília, 2000 – Prêmio Açorianos 2001) e de numerosas conferências, artigos, capítulos e orientações de tese sobre Tragédia Grega.
Paulina Nólibos é filósofa, pesquisadora, com doutorado em Tragédia Grega na UFRGS, e professora de História da ULBRA. Participou como assessora teórica de vários espetáculos da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, e foi uma das criadoras da Escola de Teatro Popular da Terreira da Tribo. Participou da organização e coordenação dos projetos “A Olho Nu” (1993/94), “Mora na Filosofia” (1996), “Mito e Tragédia” (1999) e “Tragédia e Sociedade” (2003).


CAVALO LOUCO – REVISTA DE TEATRO DA TRIBO DE ATUADORES ÓI NÓIS AQUI TRAVEIZ

Na primeira noite do Seminário Tragédia e a Cena Contemporânea será lançada a edição número 13 da Cavalo Louco – Revista de Teatro da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, publicada pelo grupo desde 2006. A Cavalo Louco é uma revista semestral que traz reflexões sobre o fazer teatral e os espaços de criação, e tem distribuição gratuita em todo país.

Esse número traz artigos dos colaboradores Sebastião Milaré (“Dias Gomes” na seção Dramaturgia Brasileira), Valmir Santos (“A Cena Realista e Mágica de Giorgio Strehler”), Carla Melo (“Elegia e Alegoria – Caminhos Mnemônicos no Teatro do Ói Nóis Aqui Traveiz”), Michele Rolim (“Arte da Performance: do mundo ao Rio Grande do Sul”), Newton Pinto da Silva (“Antares Revisitada: O Ciclo da História” na seção da Crítica), entre outros, além de uma entrevista com o ator Rogério Lauda, falecido no início desse ano.
A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz tem o patrocínio de manutenção da Petrobras.

Seminário 
TRAGÉDIA E CENA CONTEMPORÂNEA
RITUAL, MEMÓRIA E EXPERIMENTAÇÃO

Índios americanos, no final do século XIX, para lutar contra os conquistadores que ameaçavam dizimá-los, criaram a partir de um sonho de um deles um movimento político, que se pautava pela dança ritual. Chamaram esta dança de ‘ghost-dance’ , ‘dança-fantasma’, e diziam que ela possuía uma tripla função, a de ‘survive-revive-conquer’, ‘sobreviver- reviver-conquistar’. Através dela evocavam os espíritos de seus ancestrais, ouviam, repetiam e dançavam seus ensinamentos relembrados, suas palavras, ganhavam força de grupo e reforçavam a identidade originária em risco.
De certa maneira, e por analogia, o teatro do Ói Nóis se propõe experimentar este tipo de imersão na voracidade da História e não permitir o esquecimento, responder, dando voz aos silenciados, aos mortos, aos esquecidos, às questões que tem sido deixadas pendentes, mesmo nas melhores discussões sobre bioética, estética, ou mesmo religião. E a tríade ‘sobreviver-reviver-conquistar’ deixamos à poética do espaço e da imaginação. A arte, mais ainda que a religião, tem em nossos tempos a responsabilidade de evocar os espíritos ancestrais e dar-lhes voz, muitas vezes revendo radicalmente os valores da História, como no século V em Atenas com a tragédia, que passava rapidamente de ritual sagrado a representação artística. 
A persistência da pesquisa e do aprendizado acerca do tema do ‘Teatro Ritual’ e sua vinculação com a tragédia, fenômeno grego por excelência, se justifica na medida em que o grupo tem um percurso de investigação experimental coordenando o projeto “Raízes do Teatro”. Este projeto pioneiro apresentou seu primeiro resultado em 1990, com a representação de “Antígona Ritos de Paixão e Morte”. Desde então o grupo já ministrou e praticou workshops, oficinas livres, montagens de exercícios cênicos, performances e instalações cênicas em inúmeros locais e atendendo um variado público, desde faixa etária, dos 15 anos de idade em diante, quanto poder aquisitivo, ou escolaridade. Esta discussão vem sendo feita e refeita de formas criativas e inovadoras, tanto visualmente quanto em seu poder semiótico. Pela metáfora, questões emergentes retornam nos corpos míticos.
O solo da tragédia se move, os acontecimentos são resignificados, nossos receptores, seus ouvidos e olhos são outros, e as coisas estão indo muito mal, o que faz com que um teatro que busca os fundamentos da representação, alicerçada no conflito, nos temas trágicos, tenha muito material para trabalhar.
O Seminário “Tragédia e Cena Contemporânea” vêm convidar à reflexão. Palestrantes cujos objetos de estudo, pesquisa e docência orbitam entre os temas de arte, representação, mito, teatro alemão contemporâneo, gregos, tragédia, questões de gênero, violência e política, se propõem a dialogar sobre o fenômeno que se apresenta: a força da tragédia na dramaturgia e cena atuais.
Embora a cena contemporânea seja uma mistura muitas vezes indecifrável de gêneros, o cuidado na escolha e pesquisa tem criado obras de profundo efeito a partir de temas trágicos ou de textos de Ésquilo, Sófocles e Eurípides. Também os textos literários, as releituras das tragédias antigas, têm operado alterações de sentido das personagens e dos acontecimentos, e criado modificações radicais, na escrita e na encenação.
Como partes deste processo de pesquisa do projeto Raízes do Teatro, cada uma das encenações de tragédias e a realização de seminários periódicos procuram articular algumas questões que permeiam o teatro contemporâneo e a pós-modernidade. Com essa discussão aberta, se oferece a oportunidade de vivenciar o processo de constituição da teoria mesma que embasa o trabalho do grupo e de tantas outras experiências atuais radicais sobre tragédia. 

MEDEIA VOZES

 A abordagem do mito, em Medeia Vozes é original e inovadora pelo fato de Medeia não cometer nenhum dos crimes de que Eurípides a acusa. Medeia, a mítica princesa da Cólquida, habita lendas que antecedem aos primórdios da civilização grega e que a apresentam como uma mulher poderosa e benfazeja, possuidora dos dons da cura, conhecedora das propriedades curativas das plantas, mas também uma curandeira da alma, uma exorcista da memória recalcada. Medeia é uma mulher que está na fronteira entre dois sistemas de valor, corporizados respectivamente pela sua terra natal, e pela terra para a qual foge.  Ambas as sociedades, Corinto e Cólquida, apresentam na sua história um sacrifício humano fundamental, que serviu para a estabilização do poder patriarcal. Embora muitos dos pontos da trama permaneçam os mesmos – a jornada de Jasão para Cólquida para reivindicar o velocino de ouro, a sua volta a Grécia com Medeia, e a morte do irmão Apsirto – as circunstâncias são outras. A traição de Medeia ao seu pai, Eetes, e a fuga com Jasão tem menos a ver com paixão, e sim com o conhecimento que Apsirto morreu pelas mãos de Eetes, vítima da concorrência dinástica. Em Corinto Medeia descobre o “segredo sujo” do Rei: para preservar o poder, Creonte sacrificou uma de suas próprias filhas e escondeu o assassinato de seus súditos. Através de diferentes vozes os principais personagens examinam seus motivos e suas opções no desenvolvimento do jogo de poder entre Creonte e Medeia. Através de uma emocionante e complexa trama política, Medeia Vozes mostra o amor e a determinação de uma mulher para preservar sua independência, mesmo quando o seu conhecimento colocá-la cada vez mais em risco.  Medeia é uma mulher que enxerga seu tempo e sua sociedade como são. As forças que estão no poder manifestam-se contra ela, chegando mesmo à perseguição e banimento. Medeia é um bode expiatório numa sociedade de vítimas, uma figura de identificação com o sofrimento e a exclusão da mulher. A Medeia pacifista do Ói Nóis Aqui Traveiz demonstra a inutilidade de todo processo bélico. Junto a voz de Medeia somam-se as vozes de mulheres contemporâneas como as revolucionárias alemãs Rosa Luxemburgo e Ulrike Meinhof, a somali Waris Diriiye, a indiana Phoolan Devi e a boliviana Domitila Chungara, que enfrentaram de diferentes maneiras a sociedade patriarcal em várias partes do mundo. A encenação trabalha com a descontinuidade narrativa, a simultaneidade, o tempo esgarçado e a justaposição das cenas.

Veja abaixo algumas matérias e reportagens sobre "Medeia Vozes", o mais novo espetáculo de teatro de vivência da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz! Clique na imagem para ter acesso ao conteúdo.


Jornal do Comércio

Zero Hora
Foto: Pedro Isaias Lucas

Foto: Pedro Isaias Lucas
Programa Estação Cultura - TVE

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Espetáculo “Medeia Vozes” no 20º POA em Cena!


Dia 11 de setembro estreia o novo espetáculo da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz


Carta para Medeia
                                                                                     
Medeia bonita não te vires
quarenta talentos ele recebeu para isso
da cidade de Corinto
ele o escritor assalariado
para te culpar de infanticídio
eu falo de Eurípides entendes
desde então te perseguem pelas nossas literaturas
como assassina fúria monstro
embora eu teria te compreendido
quem nada carrega consigo
pode caminhar melhor
mas eu simplesmente não admito
que uma comunidade carregada de culpa
limpe suas mãos sangrentas nas tuas saias
não tenha medo
nós vamos publicar isso
que os próprios coríntios apedrejaram os teus dez moleques
(como eles sempre lidaram com números)
e isso dentro do templo de Hera
violência que vem de cima não tem vergonha
pois é os homens os políticos
continuam felizes da vida
assim como antigamente nos tempos helênicos
(aliás nós também temos escravos)
as mulheres voltaram a ter
filhos como loucas
em vez de pensar um pouco
(nisso se assemelham contigo)
por outro lado
nos mobilizamos de certa forma
o que ainda queria te contar: Maria Callas morreu

  Helga Novak
(Tradução livre de Pascal Berten)

No ano em que a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz completa 35 anos de trajetória, estreia, com o patrocínio da Petrobras, a sua mais nova criação coletiva para teatro de vivência: “Medeia Vozes”. O espetáculo que parte do mito de Medeia, tem como principal referência o romance homônimo de uma das mais notáveis escritoras alemãs, Christa Wolf. O espetáculo será encenado dentro da programação do 20º Porto Alegre em Cena. As apresentações serão de 11 a 15 e de 18 a 22 de setembro, sempre às 19h30, na Terreira da Tribo (Rua Santos Dumont, 1186 – São Geraldo). 

Em MEDEIA VOZES, Christa Wolf toma uma versão antiga e desconhecida do mito, e nos traz uma mulher que não cometeu nenhum dos crimes de que Eurípides a acusa. Por mais de dois mil anos, Medeia, uma das mais poderosas mulheres da mitologia grega, é acusada de várias atrocidades, tais como o fratricídio, o infanticídio e o envenenamento de Glauce, e é esta imagem que foi imposta à consciência ocidental que Wolf vem negar. O mito é questionado e reelaborado de maneira original, para analisar o fundamento das ordens de poder e como estas se mantêm ou se destroem.  

Medeia é uma mulher que está na fronteira entre dois sistemas de valor, corporizados respectivamente pela sua terra natal, e pela terra para a qual foge.  Ambas as sociedades, Corinto e Cólquida, apresentam na sua história um sacrifício humano fundamental, que serviu para a estabilização do poder patriarcal. Medeia é uma mulher que enxerga seu tempo e sua sociedade como são. As forças que estão no poder manifestam-se contra ela, chegando mesmo à perseguição e banimento, ela é um bode expiatório numa sociedade de vítimas.

A Medeia pacifista do Ói Nóis Aqui Traveiz demonstra a inutilidade de todo processo bélico. A encenação forma uma obra polifônica, onde, além das vozes dos personagens narradores do romance, somam- se vozes de mulheres contemporâneas como as revolucionárias alemãs Rosa Luxemburgo e Ulrike Meinhof, a somali Waris Diriiye, a indiana Phoolan Devi e a boliviana Domitila Chungara, que enfrentaram de diferentes maneiras a sociedade patriarcal em várias partes do mundo. 

Com a criação coletiva Medeia Vozes a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz dá continuidade ao Projeto Raízes do Teatro e segue uma linha de investigação sobre teatro ritual de origem artaudiana e performance contemporânea. Este projeto já trabalhou com mitos que resultaram nos espetáculos: Antígona Ritos de Paixão e Morte (1990), Missa para Atores e Público sobre a Paixão e o Nascimento do Doutor Fausto de Acordo com o Espírito de Nosso Tempo (1994) e Aos Que Virão Depois de Nós Kassandra In Process (2002).

FICHA TÉCNICA:

MEDEIA VOZES
Criação coletiva da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz inspirada livremente no romance homônimo de Christa Wolf.
Roteiro, encenação, cenografia, figurinos e iluminação da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz

Música: Johann Alex de Souza

Preparação Vocal: Leonor Melo

Atuadores: Tânia Farias, Paulo Flores, Clélio Cardoso, Marta Haas, Eugênio Barboza, Jorge Gil, Sandra Steil, Paula Carvalho, Roberto Corbo, Letícia Virtuoso, Mayura Matos, Luana da Rocha, Keter Atácia, Alex Pantera, Geison Burgedurf, Pascal Berten e Pedro Gabriel. 

Operação de luz e som: Daniel Steil e Márcio Leandro

Contra-regra: Thales Rangel


quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Último ensaio aberto do espetáculo Medeia Vozes

Foto: Pedro Isaias Lucas

No próximo sábado a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz realiza o último ensaio aberto do espetáculo de teatro de vivência “Medeia Vozes”. A apresentação será no sábado, dia 7 de setembro, às 19h30 na Terreira da Tribo (Rua Santos Dumont, 1186). Entrada Franca. Distribuição de senhas a partir das 19h. O espetáculo estreia no dia 11 de setembro, dentro da programação do 20º Porto Alegre em Cena. Mais informações pelo fone: 3028 13 58. 

A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz tem o patrocínio de manutenção da Petrobras.

O espetáculo que parte do mito de Medeia, tem como principal referência o romance homônimo de uma das mais notáveis escritoras alemãs, Christa Wolf. 

Em MEDEIA VOZES, Christa Wolf toma uma versão antiga e desconhecida do mito, e nos traz uma mulher que não cometeu nenhum dos crimes de que Eurípides a acusa. Por mais de dois mil anos, Medeia, uma das mais poderosas mulheres da mitologia grega, é acusada de várias atrocidades, tais como o fratricídio, o infanticídio e o envenenamento de Glauce, e é esta imagem que foi imposta à consciência ocidental que Wolf vem negar. O mito é questionado e reelaborado de maneira original, para analisar o fundamento das ordens de poder e como estas se mantêm ou se destroem.  

A Medeia de Lodz
 
Tem um velha história
De uma mulher, chamada Medeia
Há mil anos ela chegou
Em uma praia estrangeira.
O homem que a amava
Levou ela para lá.
Ele disse: Você está em casa
Onde eu estou em casa.

Ela falava outra língua
Que as pessoas de lá
Para leite, pão e amor
Eles tinham uma outra palavra.
Ela tinha cabelo diferente
E seu caminhar era outro
Nunca se sentiu em casa
A olhavam desconfiados.

O que aconteceu com ela
Conta Eurípides
Seus coros poderosos cantam
De um julgamento antigo.
Só o vento sopra nas ruínas
Da cidade inóspita
E poeira são as pedras com que
Apedrejaram a estrangeira.

De repente ouvimos falar
Que em nossas cidades 
Se vêem Medeias novamente.
Entre bonde e carro e trem
Voltou a velha gritaria 
1934
Em nossa cidade de Berlim. 

Bertolt Brecht
(Tradução livre de Pascal Berten)



terça-feira, 3 de setembro de 2013

Estreia nacional do espetáculo “Medeia Vozes” da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz no 20º POA em Cena!


Foto: Pedro Isaias Lucas

No ano em que a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz completa 35 anos de trajetória, estreia, com o patrocínio da Petrobras, a sua mais nova criação coletiva para teatro de vivência: “Medeia Vozes”. O espetáculo que parte do mito de Medeia, tem como principal referência o romance homônimo de uma das mais notáveis escritoras alemãs, Christa Wolf. O espetáculo será encenado dentro da programação do 20º Porto Alegre em Cena. As apresentações serão de 11 a 15 e de 18 a 22 de setembro, sempre às 19h30, na Terreira da Tribo (Rua Santos Dumont, 1186 – São Geraldo). 

Em MEDEIA VOZES, Christa Wolf toma uma versão antiga e desconhecida do mito, e nos traz uma mulher que não cometeu nenhum dos crimes de que Eurípides a acusa. Por mais de dois mil anos, Medeia, uma das mais poderosas mulheres da mitologia grega, é acusada de várias atrocidades, tais como o fratricídio, o infanticídio e o envenenamento de Glauce, e é esta imagem que foi imposta à consciência ocidental que Wolf vem negar. O mito é questionado e reelaborado de maneira original, para analisar o fundamento das ordens de poder e como estas se mantêm ou se destroem.  

Medeia é uma mulher que está na fronteira entre dois sistemas de valor, corporizados respectivamente pela sua terra natal, e pela terra para a qual foge.  Ambas as sociedades, Corinto e Cólquida, apresentam na sua história um sacrifício humano fundamental, que serviu para a estabilização do poder patriarcal. Medeia é uma mulher que enxerga seu tempo e sua sociedade como são. As forças que estão no poder manifestam-se contra ela, chegando mesmo à perseguição e banimento, ela é um bode expiatório numa sociedade de vítimas.

A Medeia pacifista do Ói Nóis Aqui Traveiz demonstra a inutilidade de todo processo bélico. A encenação forma uma obra polifônica, onde, além das vozes dos personagens narradores do romance, somam- se vozes de mulheres contemporâneas como as revolucionárias alemãs Rosa Luxemburgo e Ulrike Meinhof, a somali Waris Diriiye, a indiana Phoolan Devi e a boliviana Domitila Chungara, que enfrentaram de diferentes maneiras a sociedade patriarcal em várias partes do mundo. 

Com a criação coletiva Medeia Vozes a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz dá continuidade ao Projeto Raízes do Teatro e segue uma linha de investigação sobre teatro ritual de origem artaudiana e performance contemporânea. Este projeto já trabalhou com mitos que resultaram nos espetáculos: Antígona Ritos de Paixão e Morte (1990), Missa para Atores e Público sobre a Paixão e o Nascimento do Doutor Fausto de Acordo com o Espírito de Nosso Tempo (1994) e Aos Que Virão Depois de Nós Kassandra In Process (2002).

FICHA TÉCNICA:

MEDEIA VOZES
Criação coletiva da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz inspirada livremente no romance homônimo de Christa Wolf.
Roteiro, encenação, cenografia, figurinos e iluminação da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz

Música: Johann Alex de Souza

Preparação Vocal: Leonor Melo

Atuadores: Tânia Farias, Paulo Flores, Clélio Cardoso, Marta Haas, Eugênio Barboza, Jorge Gil, Sandra Steil, Paula Carvalho, Roberto Corbo, Letícia Virtuoso, Mayura Matos, Luana da Rocha, Keter Atácia, Alex Pantera, Geison Burgedurf, Pascal Berten e Pedro Gabriel. 

Operação de luz e som: Daniel Steil e Márcio Leandro

Contra-regra: Thales Rangel

Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz - 35 Anos!
Durante três décadas a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz construiu uma trajetória que marcou definitivamente a paisagem cultural do Brasil. Com a iniciativa de subverter a estrutura das salas de espetáculos e o ímpeto de levar o teatro para a rua, abriu novas perspectivas na tradicional performance cênica do sul do país . A determinação em experimentar novas linguagens a fez seguir caminhos nunca trilhados por aqui. Com base nos preceitos de Antonin Artaud e do teatro revolucionário, investiga com rigor todas as possibilidades da encenação. Na busca de uma identidade, desenvolveu uma estética própria, fundada na pesquisa dramatúrgica, musical, plástica, no estudo da história e da cultura, na experimentação dos recursos teatrais a partir do trabalho autoral do ator, estabelecendo um novo modo de atuação. Seu centro de produção, a Terreira da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, ocupa lugar de destaque entre os espaços culturais do Estado, sendo igualmente apontada como uma referência de âmbito nacional. Funciona como escola de formação de atores e, principalmente, como ponto de aglutinação de pessoas e profissionais dos mais diversos segmentos, fomentando a criação artística em diferentes áreas. A organização da Tribo é baseada no trabalho coletivo, tanto na produção das atividades teatrais, como na manutenção do espaço. Para a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz o teatro é instrumento de desvelamento e análise da realidade; a sua função é social: contribuir para o conhecimento dos homens e o aprimoramento da sua condição.


A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz tem o patrocínio de manutenção da Petrobras.