quarta-feira, 26 de março de 2014

A Tribo celebra os seus 36 anos de trajetória!

Com propósitos irreverentes, no dia 31 de março de 1978 surgia em Porto Alegre, um coletivo teatral que iria marcar definitivamente a paisagem cultural do país. Sobre a tríade Utopia, Paixão e Resistência, construiu o seu teatro com pedras nas veias, e sua arte a serviço da construção da cidadania. Ouve quem duvidasse, mas Ói Nóis Aqui Traveiz completando mais um ano! São ao todo 36 anos de trajetória e sem dúvidas, para “nóis” e para a cidade um grande motivo de celebração!


Por isso, de 27 de março a 12 de abril a Tribo estará realizando uma intensa programação cultural comemorativa. Durante estes dias, o grupo estará recebendo na sua sede, a Terreira da Tribo, a Cia Caixa do Elefante, com seu espetáculo “Ensaio Sobre o Tempo” e realizando uma segunda temporada da encenação “Minha Cabeça era uma Marreta” da Oficina para Formação de Atores da Escola Popular de Teatro da Terreira da Tribo. Relembrando também os 50 anos do golpe militar, para que nunca se esqueça, para que não se repita, o grupo irá realizar a performance “Onde? Ação nº2” em diversos locais da cidade. E para finalizar, a Tribo em parceria com o Cine Bancários, estará exibindo na sala do seu cinema, alguns dos registros audiovisuais do Selo Ói Nóis na Memória.

Toda a programação tem entrada franca. Mais informações pelo fone 3286 57 20 ou pelo e-mail terreira.oinois@gmail.com

Programação de Aniversário:

De 27 a 31 de março, na Terreira da Tribo (Rua Santos Dumont, 1186 – São Geraldo): apresentação do espetáculo “Ensaio sobre o Tempo” da Cia Caixa do Elefante Teatro de Bonecos. Sessão às 19 e às 21h.

Dia 30 de março, na Redenção: apresentação da performance “Onde? Ação nº2”. Às 12h, próximo ao Brique da Redenção.

Dia 31 de março, na Esquina Democrática e na Reitoria da UFRGS: apresentação da performance “Onde? Ação nº2”. Às 12h na Esquina Democrática e às 18h na UFRGS dentro da programação da universidade sobre os “50 anos do golpe militar/50 anos de impunidade”.

Dia 1 de abril, na Esquina Democrática: apresentação da performance “Onde? Ação nº2”. Às 12h.

Dias 3, 4, 5 e 10, 11, 12 de abril na Terreira da Tribo: Apresentação da encenação “Minha Cabeça era Uma Marreta” da Oficina para Formação de Atores da Escola Popular de Teatro da Terreira da Tribo. Às 20h.

Dias 8 e 9 de abril no Cine Bancários (Rua General Câmara, 424 - Centro): Serão exibidos nestes dias, nas sessões das 17 e das 19h, uma parte do registro audiovisual do Selo Ói Nóis na Memória. Dia 8/04, às 17h: exibição de “O Amargo Santo da Purificação”; às 19h: exibição de “Viúvas – Performance sobre a Ausência”. Dia 9/04, às 17h: exibição de “Viúvas – Performance sobre a Ausência”; às 19h: exibição do documentário “Raízes do Teatro” e do espetáculo “Aos que virão depois de nós Kassandra in Process – A criação do Horror”, seguido de um bate papo com o diretor do documentário, Pedro Isaias Lucas e com os atuadores do grupo.

Confira abaixo a sinopse de cada atividade da programação:

 Cia Caixa do Elefante propõe uma reflexão sobre a percepção do tempo em novo espetáculo

Foto: Roger Lisboa
A Cia Caixa do Elefante Teatro de Bonecos estreia o espetáculo Ensaio sobre o Tempo, que une teatro de animação e ilusionismo para apresentar, de forma poética, reflexões sobre a noção e percepção do tempo em nossa sociedade. 

PROCESSO CRIATIVO

O espetáculo foi desenvolvido a partir do encontro intenso entre os artistas talentosos e experientes, que trabalharam em regime de residência artística no Espaço de Convívio Artístico Vale Arvoredo, localizado em meio à mata nativa da Serra Gaúcha. Desta imersão surgiram propostas criativas e um instigante resultado.

Com direção de Paulo Balardim, a montagem traz uma sensível atuação da atriz Carolina Garcia. A companhia buscou a parceria de Élcio Rossini para a composição da cenografia, além da assessoria do mágico Eric Chartiot para ilusionismo e do físico Flávio Pohlmann Livi para pesquisa. A concepção dos bonecos e adereços ficou a cargo de Mário de Ballentti e Marcos Nicolaiewsky. A trilha sonora é assinada por Carlos Badia.

Acompanhe o tempo:


Performance “Onde? Ação nº2”
No ano em que completamos 50 anos de um Golpe Militar!
Lembrar é resistir! 

Foto: Pedro Isaias Lucas

A performance “Onde? Ação nº2” de forma poética provoca reflexões sobre o nosso passado recente e as feridas ainda abertas pela ditadura militar. A ação performática se soma ao movimento de milhares de brasileiros que exigem que o Governo Federal proceda a investigação sobre o paradeiro das vítimas desaparecidas durante o regime militar, identifique e entregue os restos mortais aos seus familiares e aplique efetivamente as punições aos responsáveis. 
Participam da performance: Tânia Farias, Marta Haas, Paula Carvalho, Sandra Steil, Mayura de Matos, Leticia Virtuoso, Paola Mallmann, Luana Rocha, Ketter Velho, Paulo Flores, Eugênio Barbosa, Pascal Berten, Roberto Corbo, Alex Pantera, Geison Burgedurf, Clélio Cardoso e Jorge Gil.

“Minha Cabeça era uma Marreta”

Foto: Paula Carvalho

Resultado do processo de criação da Oficina para Formação de Atores da Escola Popular de Teatro da Terreira da Tribo no ano de 2013. Minha Cabeça Era Uma Marreta é uma das mais polêmicas e enigmáticas peças de Richard Foreman, um dos dramaturgos mais controvertidos e badalados dos Estados Unidos. Em cena um professor, um aluno e uma aluna. Onde estão? Numa sala de aula? No santuário do saber? Ou num manicômio? Durante todo tempo o jogo incessante entre quem detém o saber e aqueles que o desejam. Fechados em conceitos, os donos da verdade condicionam a vida. A peça é a indagação do próprio processo do pensamento e dos mecanismos que intervem no pensamento. Nem o olho nem o ouvido do espectador são capazes de encontrar um ponto fixo no qual se concentrarem, bombardeado por uma multiplicidade de eventos visuais e auditivos.  O roteiro é fragmentado, composto de frases curtas, aforísticas, desconectadas. A peça funciona como um poema aberto possibilitando que os espectadores façam suas próprias associações. Seu tratamento formal é produto da reflexão de que a sociedade se expressa com uma linguagem fossilizada que se deve destruir, refletindo aquilo em que se converteu: fórmulas vazias, diálogos que na realidade são trágicos monólogos, perguntas que não exigem respostas, puros automatismos, paradoxos e incoerências. Seu teatro requer novos instrumentos de análises: se faz necessário pensar em termos de energia, tensão, linhas de força e variações de intensidade. Artistas como Foreman operam o fragmento enquanto discurso buscando uma linguagem que estruture a polifonia cênica. A cena de Richard Foreman é emblemática da narrativa caótica, fragmentária, suportada numa textualidade minimal – e plena de marcações, a exemplo de Beckett -, em estruturas invisíveis, constitutivas da linguagem, que estabelecem tensões dialéticas entre a encenação e movimento dos atores. Sobre a recepção, Foreman coloca: ‘o público precisa aprender a ver pequeno, nas entrelinhas, porque fazer isto significa engajar-se no nível quântico da realidade em que as contradições estão ancoradas’.

Elenco: Felipe Fiorenza, Carlos Eduardo de Oliveira Arruda e Rochelle Luiza da Silveira.                                           

Ciclo “Ói Nóis na Memória” no Cine Bancários


Estarão fazendo parte do Ciclo Ói Nóis na Memória, os registros dos espetáculos: O Amargo Santo da Purificação, Viúvas - Performance Sobre a Ausência, Aos que Virão depois de Nós - Kassandra in Process”  e ainda o documentário “Raízes do Teatro” com direção de Pedro Isaias Lucas.

O AMARGO SANTO DA PURIFICAÇÃO



“O AMARGO SANTO DA PURIFICAÇÃO” é o registro audiovisual do espetáculo de rua da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz sobre a trajetória do revolucionário brasileiro Carlos Marighella. A encenação coletiva para Teatro de Rua conta a história de um herói popular que os setores dominantes tentaram banir da cena nacional durante décadas. Marighella não abdicou ao direito de sonhar com um mundo livre de todas as opressões. Viveu, lutou e morreu por esse sonho. Utilizando a plasticidade das máscaras, de elementos da cultura afro-brasileira e figurinos com fortes signos, a encenação cria uma fusão do ritual com o teatro dança. Através de uma estética “glauberiana”, o Ói Nóis Aqui Traveiz traz para as ruas das cidades do nosso país uma abordagem épica das aspirações de liberdade e justiça do povo brasileiro. Nesses três anos de trajetória, a peça que narra a Vida, Paixão e Morte do revolucionário Carlos Marighella, percorreu 14 estados brasileiros ; apresentou-se em mais de 60 cidades; participou de Festivais e Mostras em todo país, coloriu com as suas alegorias praças, parques, vilas e bairros de Porto Alegre, levando o espetáculo também à zona rural, passando por diversos assentamentos do Rio Grande do Sul, totalizando um público de mais de 70.000 pessoas. A encenação recebeu os principais prêmios do teatro gaúcho – Açorianos de Melhor Espetáculo, Melhor Produção, Melhor Figurino, Melhor Atriz (Tânia Farias) e Melhor Trilha (Johann Alex de Souza). 
Viúvas - Performance sobre a Ausência
Viúvas - Performance sobre a Ausência faz parte da pesquisa teatral que a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz vem realizando sobre o imaginário latino-americano e sua história recente. Partindo do texto Viúvas de Ariel Dorfman e Tony Kushner, a Tribo dá continuidade à sua investigação da cena ritual, dentro da vertente do Teatro de Vivência. Viúvas mostra mulheres que lutam pelo direito de saber onde estão os homens que desapareceram ou foram mortos pela ditadura civil militar que se instalou em seu país. É uma alegoria sobre o que aconteceu nas últimas décadas na América Latina, e a necessidade de manter viva a memória deste tempo de horror, para que não volte mais a acontecer. O Teatro de Vivência do Ói Nóis Aqui Traveiz procura uma forma de relação aberta e sincera com o público, em que atores e espectadores partilhem de uma experiência comum, que tenha intensidade de um acontecimento, capaz de produzir novas formas de percepção.
Aos que virão depois de nós KASSANDRA IN PROCESS
“Aos que virão depois de nós KASSANDRA IN PROCESS” é um registro audiovisual de um dos mais consagrados espetáculos de vivência da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz. A encenação revê a Guerra de Tróia numa perspectiva que aponta para o feminino. A ‘guerra-mãe’ do Ocidente, modelo para todas as outras guerras e para o ideal heróico masculino baseado no desejo de poder e destruição da alteridade, é vista pelos historiadores como a passagem do mundo matriarcal para o patriarcal. O deus-pai Apolo em oposição à deusa-mãe Cibele. A novela ‘Cassandra’ de Christa Wolf foi a principal fonte de inspiração para a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz na criação coletiva do espetáculo. Boa parte da obra da autora é caracterizada pelo recorte feminista, não o panfleto pelo panfleto, tampouco o repisado olhar sobre a alma feminina, mas a subjugação histórica das mulheres nas falocracias do globo.

Raízes do Teatro

O documentário “Raízes do Teatro” com direção de Pedro Isaias Lucas, apresenta um dos principais eixos do trabalho de criação da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz. O título do documentário é o nome do projeto criado pelo Ói Nóis Aqui Traveiz em 1987 para sistematizar o estudo das origens ritualísticas do teatro. A principal característica dessa metodologia é o tratamento especial dado aos mitos. Fazem parte do projeto Raízes do Teatro os espetáculos Antígona, Ritos de Paixão e Morte (1990), Missa para Atores e Público sobre a Paixão e o Nascimento do Dr. Fausto de Acordo com o Espírito de Nosso Tempo (1994), Aos Que Virão Depois de Nós – Kassandra in Process (2002) e Medeia Vozes (2013).

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