terça-feira, 18 de março de 2014

Um pouco sobre a noite em que o Carnaval e o Teatro Popular entraram juntos na Avenida!

Sábado, 15 de março de 2014.


Prontos para o desfile!

Os preparativos...

... enquanto em Guaíba, os tambores na noite se preparavam para marcar o compasso dos passos da Terra Prometida, guiada por Antônio Conselheiro; em Porto Alegre, a Tribo reunia no seu espaço de compartilhamento - a nossa Terreira -  alunos, amigos e atuadores para uma grande celebração!

Embalados pelo samba enredo, rostos maquiados, cabelos bem arrumados e corpos cuidadosamente figurinados iam dando vida aos personagens que entrariam na avenida. A Escola Império Serrano de Guaíba e a sua homenageada Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz iriam juntas, contar uma história que precisa ser lembrada! Para que não seja esquecida! Sem medo de ser redundante.

Para que todos que estivessem lá naquela noite soubessem que no final do século XIX no nosso país, existiu um grupo de pessoas lideradas por Antônio Mendes Maciel, o “seu Antônio”, que com seus Conselhos alimentou o povo de esperança e juntos ousaram construir uma Belo Monte que se oporia a qualquer forma de exploração. Um lugar onde a Terra seria de todos e as decisões seriam tomadas a partir dos interesses coletivos. Onde se tinha o que plantar e o que comer, onde não se precisava de cadeia, porque não se tinha ladrão. Algo tão exemplar e coerente, que logo os poderosos trataram de destruir, para que não restassem resquícios deste povo lutador, desta terra de amor. Um episódio da nossa história que mexeu com as mais profundas emoções da alma brasileira, e sem dúvida, uma das mais belas e desconhecidas passagens da aventura humana. 

As alegorias...

... quando chegamos no local, já conseguíamos ver ao longe o grande Conselheiro azul, em um dos carros alegóricos da escola, era o boneco de 6 metros de altura que protagonizou o espetáculo “A Saga de Canudos” que o grupo encenou durante os anos de 2000 a 2007 por diversos Estados do Brasil. Eram ao total quatro carros alegóricos, cada um responsável por contar uma parte desta história.

Muitos alunos estariam pela primeira vez experimentando um contato cara a cara com o público, esta energia que bate e volta, este contato potente e transformador que é o encontro entre os seres humanos.

O desfile...

... os atuadores da Paixão puxam a escola, era o povo na comissão de frente; Paulo Flores o grande sertanejo, incansável lutador; o samba anuncia “Sou Cabra da Peste, eu sou, pelo o Sertão do Nordeste, eu vou. Com um Império cheguei, Ói Nóis Aqui Traveiz!" Estava dada a largada. E foi com este caráter político, homenageando um dos grupos teatrais mais significativos do país, e mostrando-nos um Antônio Conselheiro fruto da história, que a Escola Império Serrano invadiu as ruas desta pequena cidade, neste festejo tão popular.

A Despedida...

... ao acabar o desfile, pessoas mais vibrantes e mais potentes iam saindo da formação de alas, sorrisos escancarados e manifestações espontâneas iam surgindo, como há de um aluno tímido da Vila Pinto, que saiu da avenida dizendo com uma voz titubeante, mas encorajada “Viva a Terreira da Tribo!” seguida de um gesto de alegria, ou da nossa doce Sara que seguia dançando, mesmo depois da banda já ter passado.

Sem dúvidas foi uma experiência humana, uma noite de encontro com uma das mais potentes manifestações populares do nosso país. E o TEATRO militante da Tribo de Atudores Ói Nóis Aqui Traveiz, que este ano completa 36 anos de trajetória, estava lá, e levou junto todos aqueles que quiseram compartilhar deste momento inesquecível. Talvez para que não esquecêssemos daquilo que é mais essencial.

Sara ajudando o Flores a tirar a maquiagem 

O que me faz lembrar da canção que dizia mais ou menos assim: “... mas talvez que no ano de dois mil, esse nosso terreiro brasileiro, seja outra CANUDOS por inteiro, com mais gente, mais garra e mais coragem, o Ói Nóis faz aqui sua homenagem a figura de Antônio Conselheiro...”

É isso, que venha 2014...

Evoé!
p.c

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