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Ói Nóis Aqui Traveiz (POA) e Contadores de Mentira (SP) realizam intercâmbio esta semana!

De 24 a 28 de junho a “Tribo de Atudores Ói Nóis Aqui Traveiz” e o grupo “Contadores de Mentira” de Suzano/São Paulo, estarão realizando uma série de atividades que visam um intercâmbio entre os grupos. Haverá atividades internas, abertas a convidados, e atividades abertas ao público em geral. 

Confira a programação:

Dia 24 de Junho (terça-feira), às 20h, na Terreira da Tribo: “Desmontagem Evocando os Mortos - Poéticas da Experiência” por Tânia Farias/Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz.

Dia 25 de junho (quarta-feira), às 19h30, na Terreira da Tribo: Espetáculo “Medeia Vozes” da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz. Para convidados.

Dia 26 de junho (quinta-feira), às 19h30, na AMVEP Sarandi: Exercício Cênico “Os Sinos da Candelária” da Oficina Popular de Teatro de Canoas. Projeto Teatro Como Instrumento de discussão Social da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz.

Dia 27 de junho (sexta-feira), às 20h, na Terreira da Tribo: Espetáculo “O homem pelo Avesso”, do grupo Contadores de Mentira (SP).

Dia 28 de junho (sábado), às 20h na Terreira da Tribo: Espetáculo “Curra – Temperos sobre Medeia”, do grupo Contadores de Mentira (SP).

Mais informações pelo fone: 3028 13 58.
*Terreira da Tribo: Rua Santos Dumont, 1186 – São Geraldo
*AMVEP Sarandi: Avenida Vinte e Um de Abril, 792

ENTRADA FRANCA!

Abaixo um material complementar das atividades.

Sobre os Grupos:

Contadores de Mentira

Nosso sentimento de trabalho é o de “Recusa”. Recusamos o automatismo, a pressão do tempo, os atiradores de facas, o caminho fácil. Recusamos...
O Grupo Teatral Contadores de Mentira, hoje também instituição com o mesmo nome, nasceu em 1995 na cidade de Suzano, região do Alto Tietê. Desde então produziu projetos, espetáculos, festivais, encontros, feiras, e sobretudo, um diálogo de sobrevivência, crescimento, articulação e atitude entre cidadão e cultura. Nesses anos todos, um sentimento de recusa, de fluxo contrário ao pensamento de que apenas os grandes centros são produtores de cultura, de que é possível dialogar com a identidade de nossa região e para ela transformar nossas tradições tem nos motivado a ser residentes e resistentes em nossa região.
Chamamos este trabalho de celebração porque acreditamos naquele ambiente onde, para além do ato teatral, existe o festejo, a comida, a comunhão, o artesanato do corpo. Há anos nos perguntamos quais os caminhos para agregar outros fazedores, outros criadores, ou mesmo abrir a relação com as comunidades que nos doam seu tempo para o instante cultural. Assim, optamos pela festa, onde podemos cozinhar para o público, onde dançamos juntos para contar uma história da própria comunidade. Costumamos dizer que nossos projetos são construções de relação e de fortalecimento de potências. Entendemos que a sociedade organizada e o cidadão comum tem potência cultural inerente. Uma cozinheira, um artesão, um mecânico, um poeta, um artista, um serralheiro, entre tantos outros, podem ser potencializados em seus saberes através das ferramentas da Cultura. Optamos em realizar nossas projetos pensando no entorno onde produzimos ou apresentamos. Tentando entender aquele terreno, donde circulam outras histórias que podemos compartilhar. Sempre atuamos na idéia de “assentamentos” ao menos para o momento da celebração. Uma imagem que define aquilo que fazemos é a de uma "cozinha" onde convidamos amigos e comunidade para trocar ideias e potências e multiplicar atitude, formação e os chamados "assentamentos" Culturais.

Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz

A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz surgiu em 1978, durante mais de três décadas construiu uma trajetória que marcou definitivamente a paisagem cultural do Brasil. Com a iniciativa de subverter a estrutura das salas de espetáculos e o ímpeto de levar o teatro para a rua, abriu novas perspectivas na tradicional performance cênica do sul do país. A determinação em experimentar novas linguagens a fez seguir caminhos nunca trilhados por aqui. Com base nos preceitos de Antonin Artaud e do teatro revolucionário, investiga com rigor todas as possibilidades da encenação. Na busca de uma identidade, desenvolveu uma estética própria, fundada na pesquisa dramatúrgica, musical, plástica, no estudo da história e da cultura, na experimentação dos recursos teatrais a partir do trabalho autoral do ator, estabelecendo um novo modo de atuação. 
Seu centro de produção, a Terreira da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, ocupa lugar de destaque entre os espaços culturais do Estado, sendo igualmente apontada como uma referência de âmbito nacional. Funciona como escola de formação de atores e, principalmente, como ponto de aglutinação de pessoas e profissionais dos mais diversos segmentos, fomentando a criação artística em diferentes áreas. A organização da Tribo é baseada no trabalho coletivo, tanto na produção das atividades teatrais, como na manutenção do espaço. Para a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz o teatro é instrumento de desvelamento e análise da realidade; a sua função é 
social: contribuir para o conhecimento dos homens e o aprimoramento da sua condição. Num mundo marcado pela exclusão, marginalização, pela homogeneização, pelo pensamento único, enfim, pela desumanização e pela barbárie, cada vez mais é vital e necessário denunciar a injustiça, as vendas de opinião, o autoritarismo, a mediocridade e a falta de memória.
Esta é a defesa que o Ói Nóis faz: o teatro como resistência e manutenção de valores fundamentais que diferenciam uns de outros: a solidariedade, a honestidade pessoal e a liberdade. Fazendo um teatro a serviço da arte e da política, que não se enquadra nos padrões da ética e da estética de mercado. O teatro como um modo de vida e veículo de idéias: um teatro que não comenta a vida, mas participa dela!



Desmontagem:
“Evocando os mortos – Poéticas da experiência”
Por Tânia Farias

Acervo da Tribo
Sobre a Desmontagem “Evocando os mortos – Poéticas da experiência”

A desmontagem “Evocando os mortos – Poéticas da experiência” refaz o caminho do ator na criação de personagens emblemáticos da dramaturgia contemporânea. Constitui um olhar sobre as discussões de Gênero, abordando a violência contra a mulher em suas variantes, questões que passaram a ocupar centralmente o trabalho de criação do grupo Ói Nóis Aqui Traveiz.
Seguindo a linha de investigação sobre teatro ritual de origem artaudiana e performance contemporânea a desmontagem de Tânia Farias propõe um mergulho num fazer teatral onde o trabalho autoral do ator condensa um ato real com um ato simbólico, provocando experiências que dissolvam os limites entre arte e vida e ao mesmo tempo potencializem a reflexão e o autoconhecimento.
Desvelando os processos de criação de diferentes personagens, criadas entre 1999 e 2011 a atriz deixa ver quanto as suas vivências pessoais e do coletivo Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz atravessam os mecanismos de criação. A ativação da memória corporal, fazendo surgir e desaparecer as personagens.
Realizando uma espécie de ritual de evocação de seus mortos para compreensão dos desafios de fazer teatro nos dias de hoje.

Medeia Vozes

Foto: Pedro Isaias Lucas
A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz toma uma versão antiga e desconhecida do mito, trazendo uma mulher que não cometeu nenhum dos crimes de que Eurípides a acusa. O mito é questionado e reelaborado de maneira original, para analisar o fundamento das ordens de poder e como estas se mantêm ou se destroem. Medeia é uma mulher que enxerga seu tempo e sua sociedade como são. As forças que estão no poder manifestam-se contra ela, chegando mesmo à perseguição e banimento, ela é um bode expiatório numa sociedade de vítimas. A voz de Medeia somam-se vozes de mulheres contemporâneas como as revolucionárias alemãs Rosa Luxemburgo e Ulrike Meinhof, a somali Waris Diriiye, a indiana Phoolan Devi e a boliviana Domitila Chungara, que enfrentaram de diferentes maneiras a sociedade patriarcal em várias partes do mundo.

Medeia Vozes ganhou o Prêmio Açorianos em 8 categorias (melhor espetáculo, atriz para Tânia Farias, cenografia, iluminação, trilha para Johann Alex de Souza, dramaturgia, produção e direção), além do troféu do Júri Popular. 

Ficha Técnica: Criação, Direção, Dramaturgia, cenografia, figurinos criados coletivamente pela Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz
Música: Johann Alex de Souza
Preparação Vocal: Leonor Melo

Participam da encenação os atuadores: Tânia Farias, Paulo Flores, Marta Haas, Sandra Steil, Eugênio Barbosa, Paula Carvalho, Jorge Gil Nazário, Clélio Cardoso, Roberto Corbo, Letícia Virtuoso, Geison Burgedurf, Mayura Matos, Keter Atácia, Pedro Rosauro, Daniel Steil, Luana Rocha, Márcio Lima, Thales Rangel, Alex dos Santos e Pascal Berten.

“Os Sinos da Candelária”

Os Sinos da Candelária é um exercício cênico da Oficina Popular de Teatro, que a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz ministra na cidade de Canoas. Esta oficina faz parte do projeto “Teatro com Instrumento de Discussão Social”.

O projeto “Teatro com Instrumento de Discussão Social” é desenvolvido através de oficinas de teatro realizadas pelos atuadores da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz em diversos bairros da cidade de Porto Alegre e no centro de Canoas. As oficinas pretendem abrir espaço para sensibilização e experiência do fazer teatral, apostando no teatro como instrumento de indagação e conhecimento de si mesmo e do mundo, assim como veículo de formação, informação e transformação social. Entendendo a cultura como agente formador de mentalidades com conseqüente influência direta na condução dos rumos da sociedade, e a atividade teatral como a mais objetiva das manifestações artísticas na reflexão do homem sobre si e sua realidade social.

Sobre a peça:

Em 1993 o Rio de Janeiro foi sacudido por um crime covarde, onde crianças foram assassinadas enquanto dormiam em frente à Igreja da Candelária. Este fato originou a peça “Os Sinos da Candelária” da escritora e compositora Aurea Charpinel. E é sobre este texto teatral que a Oficina Popular de Teatro da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz na cidade de Canoas vem desenvolvendo o seu trabalho no ano de 2013/2014, abordando uma das questões mais agudas da exclusão social no Brasil – o menor abandonado. 
Adaptação livre do texto de Aurea Charpinel a peça traz para cena esses meninos e meninas de rua no seu cotidiano, personagens reais trazendo no corpo e na alma a marca da violência. Através de cenas do cotidiano – nas ruas e nas instituições do governo - a peça conta a história de um grupo de crianças e adolescentes nos dias que antecederam o Massacre da Candelária, culminando na cena de violência extrema que consternou o mundo “civilizado” e encheu de vergonha e tristeza os muitos brasileiros que não compactuam com este tipo de bestialidade.

Este trabalho é orientado pela atuadora Paula Carvalho da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz. A Oficina tem parceria com o grupo “Pode ter Inço no Jardim” da cidade de Canoas.

Com:
Eduarda Gheller, Lucas Gheller, Sirlandia Gheller, Thaynan Kraetzig, Janete Costa, Raquel Amsberg, Giovane Nunes, Cláudia Cezar, Júlio César Santos, Maitê Masiero, Débora Duarte Campos, Fabiane Amorim, Kevin Martins, Ana Mengue, Sara Aparecida Santos, Maria Senilda, e Dijean Costa .

Sonoplastia: Pascal Berten.


O Incrível Homem Pelo Avesso


Uma epopeia, uma festa, uma celebração, uma Procissão, uma feira, um banquete, um outro lugar...
A proposta deste projeto é profana e também religiosa. Profana no sentido de trabalhar o mito e torná-lo festivo e grotesco. Religiosa no sentido de agregar os valores que uniram aquele povo para uma crença cega para uma luta que culminou no massacre.  Assumimos nossos"brincantes" e percorremos partes deste espetáculo como um circo rural, e, antes disso, recebemos as pessoas através de uma feira. Oferecemos cachaça, comida, pipoca, doces e mostramos nossos relicários.  Uma “procissão” revela os apóstolos de Conselheiro. A "Guerra" é um banquete oferecido ao público com comida preparada durante a encenação onde são narradas as expedições contra Canudos através da comida. Mais de 25.000 pessoas foram dizimadas em Canudos pela República do Brasil e a celebração aqui é também dolorosa. Por fim o festejo de maracatu traz o alagamento que escondeu a história do Brasil sob rio Vaza Barris.

Ficha técnica
Dramaturgia e Direção: Cleiton Pereira
Direção e Composição Musical: Michael Meyson
Elenco: Ailton Barros, Ailton Ferreira, Arnaldo dos Anjos, Camila Rafael, Cleiton Pereira, Daniele Santana, Danilo Souza, Drico de Oliveira, Marco Senna, Michael Meyson, Nilceu dos Santos, Priscila Klesse, Samuel Vital, Soraia Amorim, Narany Mireya, Matheus Borges, 
Músicos ao Vivo: Dani Anjos, Juá de Casa Forte, Memeu Cabral, Michael Meyson, Sarah Key
Atriz Mirim: Gabi Oliveira
Iluminação: Taciano L. Holanda
Cenografia: Cleiton Pereira
Produção Executiva: Cleiton Pereira, Daniele Santana, Drico de Oliveira, Narany Mireia

Sobre
O INCRÍVEL HOMEM PELO AVESSO é uma obra extensa de detalhamento e configuração para qual o tratamento neste projeto é o da festa popular. Optamos em multiplicar a obra numa epopéia, porque acreditamos que não é possível condensar a sua magnitude. A opção estética do projeto é o elemento profano, religioso e sertanejo da obra. Tratamos este espetáculo como um figural, um festejo, uma tradição. Celebramos Canudos e Antônio Conselheiro e optamos em narrar os vários Canudenses presentes na guerra. Adentramos na história do Brasil por um caminho contrário à ótica militar de "Os Sertões", de Euclides da Cunha. Fomos contaminamos por figuras como Pajeú (criador da escola do ódio, Jardelina que cuidava das mulheres), Ana do Bom Jesus (Que sentia o "gozo" da fé), Beatinho (Que organiza os fiéis),  (João Abade, o prefeito de Canudos), Vila Nova (O mascate), Macambira ( O estrategista), entre tantos outros sertanejos históricos que serviram de base para construção dramatúrgica deste projeto.


"Curra-Temperos Sobre Medéia" 

Curra – Temperos Sobre Medéia é um uma celebração  Orixá sobre o mito  clássico estreado em 2008. Um terreiro, uma arena, um banquete , bebida, comida, pés descalços para celebrar o efêmero. 
Em Curra – Temperos Sobre Medéia, o público  não é apenas expectador e é convidado para um  “outro lugar”. Uma cozinha funciona durante todo o tempo provocando relações sensoriais onde a dança, a comida, a música celebram o mito da Medéia. Jasão é um orixá recebido pelo corpo de um cozinheiro. Medeia tem a força de Iansã e sua inimiga, a beleza de Oxum. Creonte , senhor daquele terreiro  exige o seu direito à propriedade  enquanto crianças “Erês” cegas decidem o futuro da mãe. 

Foto: Sheila Signário
Ficha técnica
Dramaturgia e direção: Cleiton Pereira
Composição e Direção Musical: Michael Meyson
Elenco: Ailton Barros, Daniele Santana, Drico de Oliveira, Cleiton Pereira, Camila Rafael, Soraia Amorim, Ailton Ferreira
Músicos ao Vivo: Michael Meyson, Danilo Souza, Juá de Casa Forte

 Sobre
Eis o nosso terreiro... A Encenação deste espetáculo bebe nas fontes do Teatro Oriental, dos Festejos populares, das danças rituais e, nos rituais Orixás do Candomblé. 
O espetáculo é tratado como um terreiro, uma celebração que convida o público para experimentações sensoriais e gustativas. Os cheiros, o batuque alucinógeno, a comida servida criam um ambiente festivo para celebração do mito de Medéia. Assim como no candomblé, os atores estão à serviço de um Orixá e de um teatro de celebração. Estão lá como ofício da fé e da representação. O ponto de ligação entre a cultura grega e seus rituais e o aspecto tratado no espetáculo está justamente na celebração ritual. Um banquete é preparado durante toda a encenação e servido para à platéia regado a vinho e cachaça. Este embebedar e a gula antropofágica ritualizam a encenação. 
Convidados da Cultura Afro Brasileira realizam demonstrações (dança, música, Interpretação, etc.)
O espetáculo conta também com uma “Equede”, que no Candomblé exerce funções de hierarquia. Dentro do ritual ela ocupa Função feminina. Ela é escolhida pelo orixá para representá-lo. Sendo sua segunda pessoa, está envolvida em todas as liturgias fundamentais na comunidade, exercendo uma inquestionável autoridade.