sexta-feira, 25 de julho de 2014

TERREIRA DA TRIBO DE ATUADORES ÓI NÓIS AQUI TRAVEIZ

Neste mês a Terreira da Tribo, nosso Centro de Experimentação, Pesquisa Cênica e Escola de Teatro Popular completa 30 anos de atividades.
Por isso, compartilhamos com vocês um texto que foi publicado na última Cavalo Louco - a Revista de Teatro da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz - que será lançada ainda este mês!

Vida longa a este generoso espaço de compartilhamento, que movimenta nossas utopias e fomenta nossas paixões!!! 

Evoé Terreira da Tribo!


30 ANOS DE UTOPIA LIBERTÁRIA

Em 1984 a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz constitui a Terreira da Tribo, um novo espaço cultural aberto a todo tipo de manifestações: teatro, música, filmes, oficinas de arte, debates, happenings, celebrações. O nome deste espaço feminino, telúrico e anarquista vem de terreiro, lugar de encontro do ser humano com o sagrado. Além de todas as atividades que acontecem diariamente na Terreira, o espaço oportuniza às pessoas em geral o contato com o fazer teatral. Partindo do princípio de que toda pessoa tem um potencial criador, os atuadores vão desenvolver, a partir de 1985, diversas oficinas abertas à comunidade. A Terreira consolidou o trabalho do Ói  Nóis Aqui Traveiz.  Possibilitou aprofundar a investigação do trabalho do ator e do espaço cênico. Um espaço teatral completamente flexível e transformável de uma encenação para outra. Colocar o espectador numa situação inteiramente inédita. Levar às últimas consequências a relação entre ator e espectador. Incluindo os espectadores na arquitetura da ação. Vendo o público qualitativamente e não em quantidade, interessando mais a integração alcançada. É na Terreira que a Tribo buscou o autodesnudamento do ator  grotowskiano. Partindo do íntimo de seu ser e de seus instintos, o ator deve ultrapassar os seus próprios limites e condicionamentos. O objetivo e a função do ator é fazer ressoar alguma coisa na intimidade mais profunda do espectador. É também a partir da Terreira da Tribo que o Ói Nóis Aqui Traveiz vai aprofundar e intensificar a sua pesquisa sobre teatro de rua. O desejo de interferir no cotidiano da cidade, de levar poesia e reflexão surpreendendo o dia a dia de centenas de pessoas das mais diferentes classes, vai levar o Ói Nóis Aqui Traveiz a criar a encenação “Teon – Morte em Tupi-Guarani”, em 1985.  Em seguida a Tribo encenou “A Exceção e a Regra”, de Bertolt Brecht, iniciando uma trajetória de encenações para teatro de rua que vão percorrer as ruas, praças, bairros e vilas populares da cidade. A partir daí o Ói Nóis Aqui Traveiz organiza um circuito regular de apresentações de teatro de rua – Caminho Para Um Teatro Popular, com os objetivos de democratizar o espaço da arte e realizar um teatro com temática social e questionamento crítico da realidade. A função do teatro de rua está em sua fusão com o cotidiano, em sua interação com a vida e as pessoas. Antes de tudo o teatro vai chegar a um público novo, inclusive a pessoas que, na sua grande maioria, nunca vão ao teatro. Em 1988 nasce o projeto Teatro Como Instrumento de Discussão Social levando oficinas para  estimular o autoconhecimento, a auto-estima e a capacidade criadora de jovens e adultos dos bairros populares. As oficinas também vão servir como um veículo para a articulação política e cultural das comunidades. As oficinas na periferia abriram para um grande número de pessoas um  espaço para a sensibilização e experiência do fazer teatral, apostando no teatro como instrumento de indagação e conhecimento de si mesmo e do mundo, assim como um potente veículo de formação, informação e transformação social. O teatro criado nos bairros populares passou a ser um poderoso aliado na permanente luta em favor da construção da cidadania. Acreditando no Teatro como um modo de vida, o Ói Nóis Aqui Traveiz desde a sua origem dissemina ideias e práticas coletivas, de autonomia e liberdade, compartilhando a experiência de convivência e de laboratório teatral. A trajetória da Tribo tem sido o resultado da soma dos desejos e esforços empreendidos por dezenas de atuadores que passaram pelo grupo e deram o melhor de si na construção de poéticas de ousadia e ruptura.


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