terça-feira, 30 de setembro de 2014

Onde? Ação nº2 - ARGENTINA

Confira as imagens da Performance Onde? Ação nº2 nas províncias de San Juan e Mendoza.

San Juan

A água sabe, a água passou por aí, a água tem curiosidade, quer saber...
       Inunda os ouvidos, inunda teus olhos...

Dentro da boca deposita e leva  as palavras,
desde os lugares mais profundos,  as memórias, a dor vai levar...


Vai levar as histórias pelo rio dos rios, contando e cantando as histórias para  o mar.
Cantará aos vales com a voz de pedra,  a água que a garganta bebe.


A chuva que ele vê,  o barro em que ele anda, a sopa suja que eles comem, o suor que cai.


 E essa outra água,  essa outra água e os ecos da água...
Porque alguns rios são largos e calmos, verdes e suaves.


E alguns são altos e cortantes,  caem desde as montanhas, e o nosso é  um rio, liso, frio e ocre, e nos traz nossos homens.



Sobre as pedras dormidas,  roda até onde esperamos, mas são tantos os homens que desapareceram,
ou foram mortos, tantos que o rio não pode levar.


Mendoza 

Demasiadas histórias, para que o rio as relate,
demasiadas histórias,  assim nos trouxe um dos homens,


e o queimaram, e nos trouxe outro mais,
para que o enterrássemos sobre a colina,  e rodou o corpo, e o carregou.


E o murmurou até que todos os traços ficassem polidos,
e nos encontrou este corpo e o fez um corpo qualquer, e o fez todo corpo.


É meu, é meu, queira Deus que não seja meu.
É meu, é meu, por favor que não seja meu.


É meu, é meu, queira Deus que não seja meu.


É meu, é meu, por favor que não seja meu...

Texto da obra "Viúdas" de Ariel Dorfman
Fotos: Pedro Rosauro


quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Ói Nóis Aqui Traveiz atua com grupos de Direitos Humanos na Argentina!

QUANDO AS AUSÊNCIAS SE FAZEM PRESENTES!

A ação performática “Onde? Ação nº2”, que de forma poética contribui para a discussão sobre os desaparecidos políticos na America Latina está sendo apresentada em diversas províncias da Argentina, através do 9º Circuito Nacional de Teatro, e segue em turnê até o início de outubro.

A performance que provoca reflexões sobre o nosso passado recente e as feridas ainda abertas pela ditadura militar, tem encontrado ecos em solos argentinos, através de parcerias com militantes e grupos de direitos humanos de todo o país. Com esta ação, mais uma vez, o Ói Nóis Aqui Traveiz se soma ao movimento por Memória, Verdade e Justiça.

Abaixo fotos da performance em frente a Polícia Federal de Neuquén, que ficou conhecida como um centro de tortura e detenção de presos políticos durante a ditadura militar na Argentina. Está apresentação contou com a participação de diversos artistas e grupos de direitos humanos da cidade.









Fotos: Pedro Rosauro

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Encontros com os nossos pares Latinos!

Durante o 9º Circuito Nacional de Teatro na Argentina, além de apresentações da performance “Onde? Ação nº2”, a Tribo tem realizado encontros e intercâmbios com diversos grupos latino americanos e também com organizações vinculadas aos direitos humanos na Argentina.


Para a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, estes encontros são uma forma de ampliar e fomentar a discussão sobre o Teatro Independente na América Latina e aprofundar a relação das manifestações artísticas engajadas, com ações militantes, reafirmando a ideia de um teatro comprometido, a favor da construção da cidadania e cumprindo também um importante papel de manutenção da memória, como forma de reconstrução da identidade.

Na semana passada o grupo esteve em Santa Rosa de La Pampa com dois importantes grupos teatrais que também estão participando do circuito: o grupo Boliviano, Teatro de Los Andes, que está em turnê com o espetáculo “Hamlet, dos Andes” e o Grupo Malayerba, do Equador que apresenta “Instrucciones para abrazar el aire”. 
A entrevista com os grupos poderá ser conferida em futuras edições da Cavalo Louco – a Revista de Teatro da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz.

Um pouco sobre os grupos:

Teatro de Los Andes

Foto: Eugenio Barboza

Fundado em 1991, o Teatro de Los Andes é um grupo Boliviano, que busca refletir através de seu teatro a arte do ator, e a necessidade de contar histórias, de recordar, de retomar a própria essência, construindo uma ponte entre a técnica teatral e as fontes culturais andinas.





O grupo também ministra oficinas na Bolívia e em diversos países sobre a formação do ator e desenvolve projetos sociais, onde o teatro não é um fim em si mesmo, mas um meio de discussão e inclusão social.

Foto: Eugenio Barboza
Site do grupo:

Grupo Malayerba

Foto: Eugenio Barboza
O Grupo Malayerba surge em 1980 em Quito no Equador. Através do seu teatro busca uma linguagem que expresse a vida, o ser humano e seus conflitos, na tentativa de compreender e tomar uma posição crítica, ativa e construtiva frente aos processos sociopolíticos da sua realidade.
Em 1989 o grupo cria o Laboratório Malayerba ”um espaço e um tempo para praticar a liberdade”. A proposta de formação no laboratório é de 4 anos e se desenvolve através de 11 oficinas (teóricas e praticas), que são ministradas pelos membros do Grupo Malayerba. 
Em 2001 o grupo publica a revista “Hoja de Teatro” como um meio de difundir o pensamento e fomentar a discussão sobre o teatro equatoriano.

Foto: Eugenio Barboza

Site do grupo:

Ambos os grupos fazem parte da vertente de Teatro de grupo na América Latina. 

Mais encontros!

Encontro com a Escola de Títeres em Neuquén

Encontro na fábrica de azulejos Zanon, um exemplo de de luta e organização da classe trabalhadora!
Zanon es del pueblo!

Encontro na fábrica de azulejos Zanon, um exemplo de de luta e organização da classe trabalhadora!
"Zanon es del pueblo"!

Encontro com o grupo "El Ramo del Aire" de Neuquén, que recebeu a Tribo com muita generosidade e dedicação!
Gracias por todo queridos!

Encontro com representante Mapuche de Neuquén

Encontro com os "H.I.J.O.S" de Neuquén
MEMÓRIA, VERDADE E JUSTIÇA!
Fotos: Eugenio Barboza




domingo, 14 de setembro de 2014

A dez dias a Tribo performa sobre a ausência em solos Argentinos...


A ação performática “Onde? Ação nº2”, que de forma poética contribui para a discussão sobre os desaparecidos políticos na America Latina está sendo apresentada em diversas províncias da Argentina, através do 9º Circuito Nacional de Teatro.

Em um primeiro momento da performance cada mulher com sua cadeira vazia, realiza seu protesto silencioso, onde a ausência se faz presente. Um olhar mais atento observa que aos poucos vão surgindo mais mulheres e mais cadeiras. Elas encontram-se, e ali, evocam nomes de homens e mulheres que construíram a história do nosso país e que lutaram por um Brasil livre.

Já é sabido que o Brasil ainda está muito atrasado na discussão que diz respeito à preservação da memória e a efetivação da justiça pelos crimes cometidos pelo Estado, durante os anos sangrentos da ditadura militar. Observando as mais diversas cidades por onde a Tribo passou até o momento, percebemos que existe uma reflexão muito mais profunda sobre a verdadeira história do país. Centros de memória espalhados por diversos cantos da cidade, monumentos com nomes dos seus desaparecidos ao alcance do olhar, um país, onde é constante a busca por manter viva a memória destes tenebrosos tempos de autoritarismo e de violação à vida. 

Podemos ver de perto exemplos como o das Madres e Abuelas de Maio que corajosamente perpassaram décadas realizando os seus protestos e ainda hoje contribuem para o resgate da identidade do povo argentino. 

E no Brasil?! Onde? Onde? Onde? Eis a questão que ecoa pelos ares em busca de respostas! Até quando vão manter a História trancada nos porões clandestinos da ditadura?

El otro soy yo! Histórias de vidas que se mesclaram com a história de um continente que tentaram calar, sufocar. Mas que pulsa, grita, se debate. Intensamente!

Confira abaixo imagens da Tribo em Rosario e Santa Rosa de la Pampa:

Rosario - Santa fé
(Clique para ampliar)











Santa Rosa - La Pampa













Fotos: Pedro Rosauro e Eugênio Barbosa.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

de Norte a Sur... Argentina!


LAS MASACRES
Pero entonces la sangre fue escondida 
detrás de las raíces, fue lavada
y negada (fue tan lejos), la lluvia del Sur la borró 
        de la tierra (tan lejos fue), el salitre la devoró en la 
        pampa: y la muerte del pueblo fue como siempre 
        ha sido: como si no muriera nadie, nada, 
como si fueran piedras las que caen 
sobre la tierra, o agua sobre el agua.

        De Norte a Sur, adonde trituraron
        o quemaron los muertos,
        fueron en las tinieblas sepultados,
        o en la noche quemados en silencio,
        acumulados en un pique
        o escupidos al mar sus huesos:
        nadie sabe dónde están ahora, 
        no tienen tumba, están dispersos 
        en las raíces de la patria 
        sus martirizados dedos:
        sus fusilados corazones:
        la sonrisa de los chilenos:
        los valerosos de la pampa:
        los capitanes del silencio.

        Nadie sabe dónde enterraron 
        los asesinos estos cuerpos, 
        pero ellos saldrán de la tierra 
        a cobrar la sangre caída 
        en la resurrección del pueblo.

        En medio de la Plaza fue este crimen.
        No escondió el matorral la sangre 
                  pura del pueblo, ni la tragó la arena de la pampa.
        Nadie escondió este crimen.
        Este crimen fue en medio de la Patria.

 Canto General 
Pablo Neruda