sábado, 28 de março de 2015

A Porto Chopp é a mais nova parceira nas nossas celebrações!

E é com alegria que a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz divulga o mais novo parceiro na programação que celebra os 37 anos do grupo.

A Porto Chopp uma empresa moderna, especializada e dedicada exclusivamente em fazer com que toda a confraternização ou evento ocorra com o alto padrão dos seus produtos!
Venha celebrar os 37 anos de um dos principais grupos de teatro do país. O brinde fica por conta Porto Chopp!


Confira o site:
http://portochopp.com.br

sexta-feira, 20 de março de 2015

1978 - 2015: Uma Trajetória de Ousadia e Ruptura!


É com alegria que a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz convida Porto Alegre para celebrar os seus 37 anos de Ousadia e Ruptura! Cultivando a Utopia, alimentando a Paixão e dando mãos à Resistência, o Ói Nóis Aqui Traveiz se solidificou ao longo de mais de três décadas, como um dos principais coletivos teatrais do país!


De 26 de março a 1º de abril a Tribo estará realizando uma programação cultural aberta e gratuita a toda cidade! 

A programação conta com apresentações do premiado espetáculo de vivência “Medeia Vozes”, do espetáculo de teatro de rua “O Amargo Santo da Purificação” e da performance “Onde? Ação nº2”, além de, exibição de filmes e lançamento da nova Cavalo Louco – A Revista de Teatro da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz! 

Confira:

26/03 – quinta-feira: Espetáculo MEDEIA VOZES - 19h30 - Terreira da Tribo

27/03 – sexta-feira: Espetáculo MEDEIA VOZES - 19h30 - Terreira da Tribo

28/03 – sábado: Filme VIÚVAS PERFORMANCE SOBRE A AUSÊNCIA - 21h - Cine Bancários

29/03 – domingo: Espetáculo O AMARGO SANTO DA PURIFICAÇÃO - 16h - Parque da Redenção

30/03 – segunda-feira: Celebração: Lançamento da CAVALO LOUCO nº 15 e exibição do filme RAÍZES DO TEATRO - 20 h - Terreira da Tribo

31/03 – terça-feira: Performance ONDE? AÇÃO Nº 2 – 12h30 - Esquina Democrática

31/03 – terça-feira: Desmontagem: EVOCANDO OS MORTOS - POÉTICAS DA EXPERIÊNCIA - 20h - Terreira da Tribo

1/ 04 – quarta-feira: Performance ONDE? AÇÃO Nº 2 - 12h30 - Esquina Democrática
Espetáculo

“Medeia Vozes”

A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz toma uma versão antiga e desconhecida do mito, trazendo uma mulher que não cometeu nenhum dos crimes de que Eurípides a acusa. O mito é questionado e reelaborado de maneira original, para analisar o fundamento das ordens de poder e como estas se mantêm ou se destroem. Medeia é uma mulher que enxerga seu tempo e sua sociedade como são. As forças que estão no poder manifestam-se contra ela, chegando mesmo à perseguição e banimento, ela é um bode expiatório numa sociedade de vítimas. A voz de Medeia somam-se vozes de mulheres contemporâneas como as revolucionárias alemãs Rosa Luxemburgo e Ulrike Meinhof, a somali Waris Diriiye, a indiana Phoolan Devi e a boliviana Domitila Chungara, que enfrentaram de diferentes maneiras a sociedade patriarcal em várias 
partes do mundo.

Medeia Vozes ganhou o Prêmio Açorianos em 8 categorias (melhor espetáculo, atriz para Tânia Farias, cenografia, iluminação, trilha para Johann Alex de Souza, dramaturgia, produção e direção), além do troféu do Júri Popular. E em 2014 ganhou mais um prêmio açorianos na categoria de melhor espetáculo, concedido pela EEPA (Escola de Espectadores de Porto Alegre).

Foto: Pedro Isaias Lucas

Filme
“Viúvas, performance sobre a ausência”

O filme “Viúvas, performance sobre a ausência” mostra a encenação homônima realizada na Ilha do Presídio - situada entre as cidades de Porto Alegre e Guaíba - nas ruínas do presídio onde foram encarcerados presos políticos no período da ditadura civil militar no Brasil. O espetáculo faz parte da pesquisa teatral que o grupo vem realizando sobre o imaginário latino-americano e sua história recente. Partindo do texto Viúvas de Ariel Dorfman e Tony Kushner, a Tribo dá continuidade à sua investigação da cena ritual, dentro da vertente do Teatro de Vivência. “Viúvas” mostra mulheres que lutam pelo direito de saber onde estão os homens que desapareceram ou foram mortos pela ditadura civil militar que se instalou em seu país. É uma alegoria sobre o que aconteceu nas últimas décadas na América Latina, e a necessidade de manter viva a memória deste tempo de horror, para que não volte mais a acontecer.

Foto: Pedro Isaias Lucas

Espetáculo de rua
“O Amargo Santo da Purificação”

O Amargo Santo da Purificação é uma visão alegórica e barroca da vida, paixão e morte do revolucionário Carlos Marighella. Marighella viveu e morreu durante períodos críticos da história contemporânea do Brasil, sendo protagonista na luta contra as ditaduras do Estado Novo e do Regime Militar. A dramaturgia elaborada pelo Ói Nóis Aqui Traveiz parte dos poemas escritos por Carlos Marighella que transformados em canções são o fio condutor da narrativa. Utilizando a plasticidade das máscaras, de elementos da cultura afro-brasileira e figurinos com fortes signos, a encenação cria uma fusão do rituacom o teatro dança. Através de uma estética ‘glauberiana’, o Ói Nóis Aqui Traveiz traz para as ruas da cidade uma abordagem épica das aspirações de liberdade e justiça do povo brasileiro.

Foto: Pedro Isaias Lucas

Performance
"Onde? Ação nº2”

A performance “Onde? Ação nº2” de forma poética provoca reflexões sobre o nosso passado recente e as feridas ainda abertas pela ditadura militar. A ação performática se soma ao movimento de milhares de brasileiros que exigem que o Governo Federal proceda a investigação sobre o paradeiro das vítimas desaparecidas durante o regime militar, identifique e entregue os restos mortais aos seus familiares e aplique efetivamente as punições aos responsáveis.

Foto: Pedro Rosauro

DESMONTAGEM: EVOCANDO OS MORTOS – POÉTICAS DA EXPERIÊNCIA
Por Tânia Farias

A desmontagem Evocando os Mortos – Poéticas da Experiência refaz o caminho do ator na criação de personagens emblemáticos da dramaturgia contemporânea. 
Constitui um olhar sobre as discussões de Gênero, abordando a violência contra a mulher em suas variantes, questões que passaram a ocupar centralmente o trabalho de criação do grupo. Desvelando os processos de criação de diferentes personagens, criadas entre 1999 e 2011, a atuadora Tânia Farias deixa ver quanto as suas vivências pessoais e do coletivo Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz atravessam os mecanismos de criação. Através da ativação da memória corporal, a atriz faz surgir e desaparecer as personagens, realizando uma espécie de ritual de evocação de seus mortos para compreensão dos desafios de fazer teatro nos dias de hoje.

Foto: Pedro Isaias Lucas

Cavalo Louco nº 15
A Revista de Teatro da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz

Editorial:
Caros amigos, temos muito a comemorar! Realizamos o lançamento da décima quinta edição da Cavalo Louco na semana em que o Ói Nóis Aqui Traveiz comemora trinta e sete anos de trajetória.
Nesta edição trazemos uma seção Especial com três artigos relacionados ao Projeto Mostra Conexões Para Uma Arte Pública: A passagem do Ói Nóis Aqui Traveiz pelo Rio de Janeiro de Rosyane Trotta, que relata e reflete sobre o impacto das ações promovidas no Rio; Reflexões sobre a Arte Pública de Pascal Berten, que procura delinear as questões evocadas sobre o conceito de Arte Pública; e Um projeto inqualificável qualificado e realizado de Amir Haddad, sobre a importância de projetos como a Mostra realizada pelo Ói Nóis, que aprofunda a discussão sobre a Arte Pública e promove o intercâmbio entre grupos que buscam promover esta ideia.
Na seção Magos do Teatro Contemporâneo trazemos o artigo O teatro público de Jean Vilar, sobre o encenador do Teatro Nacional Popular e organizador do Festival de Avignon. Marta Haas traz o artigo Dar voz aos desaparecidos, evocar ausências: nosso devir histórico, que aborda as ações do Ói Nóis Aqui Traveiz que buscam trabalhar com a memória do período da ditadura militar e dos desaparecidos políticos.Claudia Pérez e Michele Rolim assinam o artigo Representação e práticas artísticas no contexto da violência que aborda a pesquisa de Ileana Diéguez que resultou no livro Cuerpos sin duelo – iconografias y teatralizades del dolor. Edelcio Mostaço, com seu artigo A trajetória de um encenador dialético, aborda a trajetória de Fernando Peixoto como encenador. Cleiton Pereira, em Nossa ilha é um pequeno barco em movimento, aborda o trabalho de resistência do Grupo Contadores de Mentira da cidade de Suzano/SP. Aproveitando a visita do crítico teatral alemão Jürgen Berger à nossa sede, a Terreira da Tribo, realizamos uma entrevista (Seria fatal, se o crítico tivesse a última palavra) sobre o papel do crítico na cena contemporânea. Newton Pinto da Silva, em Arquivo vivo: memórias do corpo na cena, escreve sobre a desmontagem Evocando os Mortos – Poéticas da Experiência da atuadora Tânia Farias.
Trazemos ainda os artigos Gritos de Liberdade: arte, mercado e revolução de Marília Carbonari, O ato(r) responsável: o atuador na Terreira da Tribo de Andréia Paris, A resistência do real: Living Theatre e Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz de Cristina Sanches Ribeiro, ‘Os Azeredo mais os Benevides’ ou a revoada das cinzas de Valmir Santos. Por fim, fazemos uma singela homenagem a Sebastião Milaré, amigo e parceiro da Tribo, que faleceu em julho de 2014.

Salve salve Sebastião!!!



Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz
37 Anos de Utopia, Paixão e Resistência!

A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz surgiu em 1978 com uma proposta de renovação radical da linguagem cênica. Durante esses anos criou uma estética pessoal, fundada na pesquisa dramatúrgica, musical, plástica, no estudo da história e da cultura, na experimentação dos recursos teatrais a partir do trabalho autoral do ator. Não se limitando à sala de espetáculos, desenvolveu uma linguagem própria de teatro de rua, além de trabalhos artístico-pedagógicos junto à comunidade local. Abriu um novo espaço para a pesquisa cênica - a Terreira da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, que funciona como Escola de Teatro Popular, oferecendo diversas oficinas abertas e gratuitas para a população.
A organização da Tribo é baseada no trabalho coletivo, tanto na produção das atividades teatrais, como na manutenção do espaço. O Ói Nóis Aqui Traveiz segue uma evolução contínua e constitui um processo aberto para novos participantes. Para a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz o teatro é instrumento de desvelamento e análise da realidade; a sua função é social: contribuir para o conhecimento dos homens e ao aprimoramento da sua condição. 
Num mundo marcado pela exclusão, marginalização, pela homogeneização, pelo pensamento único, enfim, pela desumanização e pela barbárie, cada vez mais é vital e necessário denunciar a injustiça, as vendas de opinião, o autoritarismo, a mediocridade e a falta de memória. Esta é a defesa que o Ói Nóis faz o teatro como resistência e manutenção de valores fundamentais que diferenciam uns de outros: a solidariedade, a honestidade pessoal e a liberdade. 
Fazendo um teatro a serviço da arte e da política, que não se enquadra nos padrões da ética e da estética de mercado. O teatro como um modo de vida e veículo de idéias: um teatro que não comenta a vida, mas participa dela!

sábado, 14 de março de 2015

Homenagem a Augusto Boal no Rio de Janeiro!


A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz participa hoje de uma homenagem a Augusto Boal no CCBB Rio de Janeiro. Os atuadores Paulo Flores, Marta Haas e Paula Carvalho irão realizar uma leitura dramática do texto "Simón Bolivar" (Arena Conta Bolivar), escrito por Boal em 1969.


A apresentação será hoje, 14 de março, às 19h30, no 2º andar do CCBB Rio de Janeiro (Rua Primeiro de Março, 66)

Reconhecido mundialmente pela importância de seu principal legado, o Teatro do Oprimido, o dramaturgo e diretor teatral Augusto Boal (1931-2009) ganhau, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) no Rio de Janeiro, a primeira mostra multimídia sobre sua vida e obra. 

O panorama ocupa todo o segundo andar do CCBB. No ambiente concebido pelo cenógrafo Hélio Eichbauer, também curador da mostra, cartas, documentos, objetos pessoais e cartazes estão expostos em vitrines. Em uma área reservada, o visitante pode folhear e ler os livros do dramaturgo, com destaque para o clássico Teatro do Oprimido e outras poéticas políticas e os textos das diversas peças que escreveu.

Na mesma sala, o público pode apreciar uma grande linha da vida de Boal, desde seu nascimento no bairro carioca da Penha, na zona norte da cidade, sua formação nos Estados Unidos, a carreira no Brasil, iniciada no Teatro de Arena, em São Paulo, a atuação na resistência à ditadura militar, o exílio e a trajetória após o retorno ao país. Uma terceira sala do circuito é ocupada por vídeos e filmes sobre Boal, formando uma instalação, organizada pelos filhos do artista, Fabian e Julian.

“Estou muito satisfeita em organizar essa mostra aqui, já que Boal nasceu no Rio”, comenta a viúva do dramaturgo, Cecília Boal, que preside o instituto criado para preservar e fomentar o legado do artista. Segundo ela, no fim de 2013 foi realizada no Sesc Pompeia, em São Paulo, uma retrospectiva, mas sem a abrangência do projeto em cartaz agora no CCBB Rio.

A mostra paralela, tem curadoria diretor Sergio de Carvalho, da Companhia do Latão.

Foi no Arena que Augusto Boal pôde colocar em prática a formação em dramaturgia adquirida na Universidade de Columbia, em Nova York, cidade onde chegou em 1953, para fazer um doutorado em engenharia química. Lá, descobriu que o teatro era sua verdadeira vocação e assistiu às encenações do famoso Actor's Studio, de Lee Strasberg.

Quando retornou ao Brasil, foi convidado para integrar a direção do Teatro de Arena. Já interessado no teatro como fator de transformação social, Boal criou um seminário de dramaturgia que funcionava como espaço experimental para a discussão de textos que seriam encenados pelo Arena. Entre eles, o hoje clássico Eles não usam black-tie, de Gianfrancesco Guarnieri, Chapetuba Futebol Clube, de Oduvaldo Viana Filho, e Revolução na América do Sul, do próprio Boal.

Com foco na democratização dos meios de produção teatral, no acesso das camadas sociais menos favorecidas a esses meios e na transformação da realidade, o Teatro do Oprimido trouxe nova técnica de preparação do ator que alcançou repercussão mundial, principalmente a partir da atividade didática exercida por Boal e universidades norte-americanas e europeias. “Já perdi a dimensão do interesse que o método provoca e da quantidade de grupos teatrais que o utiliza no mundo inteiro”, conta Cecilia Boal.

De acordo com Cecilia, o engajamento político de Boal, presente em toda a sua obra, está bem destacado em todo o projeto. Uma das personalidades de maior destaque na resistência, no meio teatral, à ditadura militar, Boal dirigiu o lendário show Opinião, em 1965, no Rio de Janeiro, e em 1968 organizou em São Paulo a Primeira Feira Paulista de Opinião, no Teatro Ruth Escobar, um grande ato de protesto contra a censura.

O período negro iniciado após a assinatura do Ato Institucional nº 5 levou o Arena a excursionar pelos Estados Unidos, México, Peru e a Argentina. De volta ao Brasil, Augusto Boal foi preso e torturado em 1971 e, em seguida, partiu para o exílio na Argentina, até 1976, e depois em Portugal e na França. “Ele não saiu do Brasil porque desejava e isso está bem contado na mostra”, ressaltou Cecília.

A redemocratização do país trouxe o dramaturgo de volta ao Brasil. Em 1985, ele encenava a peça O Corsário do Rei, de sua autoria, com música de Edu Lobo e Chico Buarque, e no ano segunte dirigia o clássico Fedra, de Jean Racine, com Fernanda Montenegro no papel-título.

Ao mesmo tempo, a convite do então vice-governador e secretário de Educação do estado do Rio de Janeiro, Darcy Ribeiro, assumiu a direção da Fábrica do Teatro Popular e criou o Centro do Teatro do Oprimido (CTO).

Em 1992, Boal foi eleito vereador do município do Rio de Janeiro, pelo PT. Nesse período, ajudou a formar 50 grupos de teatro que atuavam em favelas, sindicatos e igrejas.

No fim do século 20, Boal iniciou experiência inédita, encenando óperas tradicionais, comoCarmen, de Bizet, e La Traviatta, de Verdi, com a utilização de ritmos brasileiros. Na última década de sua vida, dedicou-se quase completamente ao Teatro do Oprimido, dirigindo oficinas, publicando livros e fazendo palestras no Brasil e no exterior. Pouco antes de morrer, foi nomeado pela Unesco “Embaixador do Teatro”.

Sob a guarda do Instituto Augusto Boal, o vasto acervo do dramaturgo teve sua guarda reivindicada há três anos pela New York University (NYU), onde ele lecionou. “Eles se ofereceram para acolher toda a documentação na biblioteca da universidade, que é excelente, e se tivesse ido para lá com certeza já estaria tudo catalogado e disponível em meio digital”, conta Cecília.“Eu disse à pessoa da New York University que veio conversar comigo que o acervo, por ter origem na cultura brasileira, deveria permanecer aqui. E vamos continuar batalhando para que ele fique aqui e seja tratado da melhor forma possível”, enfatizou.

A exposição fica em cartaz até 16 de março e pode ser visitada de quarta-feira a segunda-feira, das 9h às 21h, com entrada franca.


quinta-feira, 12 de março de 2015

"Procura-se um corpo - Ação nº3" - Residência Artística Ói Nóis em Petrolina! Confira!

A atuadora Tânia Farias está em Pernambuco desde o dia 7 de março, orientando a residência artística do Ói Nóis Aqui Traveiz dentro do projeto “Experimenta a cena 2015”, com o Núcleo de Teatro do SESC Petrolina.

Compartilhando o processo desta etapa da residência, será apresentado nesta sexta-feira 13 de março, às 18h, na Praça do Bambuzinho, a performance "Procura-se um Corpo - Ação N. 3". 



A ação performática se soma ao movimento de milhares de brasileiros que exigem que o Governo Federal proceda a investigação sobre o paradeiro das vítimas desaparecidas durante o regime militar, identifique e entregue os restos mortais aos seus familiares e aplique efetivamente as punições aos responsáveis.




A performance tem orientação da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, com Núcleo de Teatro do Sesc Petrolina.
Serão realizadas mais duas apresentações no mesmo horário e local nos dias 20 e 27 de março.



segunda-feira, 9 de março de 2015

Ói Nóis Aqui Traveiz fazendo aniversário!


É com alegria que a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz convida Porto Alegre para celebrar os seus 37 anos de Ousadia e Ruptura! Cultivando a Utopia, alimentando a Paixão e dando mãos à Resistência, o Ói Nóis Aqui Traveiz se solidificou ao longo de mais de três décadas, como um dos principais coletivos teatrais do país!


De 26 de março a 1º de abril a Tribo estará realizando uma programação cultural aberta e gratuita a toda cidade! 

A programação conta com apresentações do premiado espetáculo de vivência “Medeia Vozes”, do espetáculo de teatro de rua “O Amargo Santo da Purificação” e da performance “Onde? Ação nº2”, além de, exibição de filmes e lançamento da nova Cavalo Louco – A Revista de Teatro da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz! 

Confira:

26/03 – quinta-feira: Espetáculo MEDEIA VOZES - 19h30 - Terreira da Tribo

27/03 – sexta-feira: Espetáculo MEDEIA VOZES - 19h30 - Terreira da Tribo

28/03 – sábado: Filme VIÚVAS PERFORMANCE SOBRE A AUSÊNCIA - 21h - Cine Bancários

29/03 – domingo: Espetáculo O AMARGO SANTO DA PURIFICAÇÃO - 16h - Parque da Redenção

30/03 – segunda-feira: Celebração: Lançamento da CAVALO LOUCO nº 15 e exibição do filme RAÍZES DO TEATRO - 20 h - Terreira da Tribo

31/03 – terça-feira: Performance ONDE? AÇÃO Nº 2 – 12h30 - Esquina Democrática

31/03 – terça-feira: Desmontagem: EVOCANDO OS MORTOS - POÉTICAS DA EXPERIÊNCIA - 20h - Terreira da Tribo

1/ 04 – quarta-feira: Performance ONDE? AÇÃO Nº 2 - 12h30 - Esquina Democrática
Espetáculo

“Medeia Vozes”

A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz toma uma versão antiga e desconhecida do mito, trazendo uma mulher que não cometeu nenhum dos crimes de que Eurípides a acusa. O mito é questionado e reelaborado de maneira original, para analisar o fundamento das ordens de poder e como estas se mantêm ou se destroem. Medeia é uma mulher que enxerga seu tempo e sua sociedade como são. As forças que estão no poder manifestam-se contra ela, chegando mesmo à perseguição e banimento, ela é um bode expiatório numa sociedade de vítimas. A voz de Medeia somam-se vozes de mulheres contemporâneas como as revolucionárias alemãs Rosa Luxemburgo e Ulrike Meinhof, a somali Waris Diriiye, a indiana Phoolan Devi e a boliviana Domitila Chungara, que enfrentaram de diferentes maneiras a sociedade patriarcal em várias 
partes do mundo.

Medeia Vozes ganhou o Prêmio Açorianos em 8 categorias (melhor espetáculo, atriz para Tânia Farias, cenografia, iluminação, trilha para Johann Alex de Souza, dramaturgia, produção e direção), além do troféu do Júri Popular. E em 2014 ganhou mais um prêmio açorianos na categoria de melhor espetáculo, concedido pela EEPA (Escola de Espectadores de Porto Alegre).

Foto: Pedro Isaias Lucas

Filme
“Viúvas, performance sobre a ausência”

O filme “Viúvas, performance sobre a ausência” mostra a encenação homônima realizada na Ilha do Presídio - situada entre as cidades de Porto Alegre e Guaíba - nas ruínas do presídio onde foram encarcerados presos políticos no período da ditadura civil militar no Brasil. O espetáculo faz parte da pesquisa teatral que o grupo vem realizando sobre o imaginário latino-americano e sua história recente. Partindo do texto Viúvas de Ariel Dorfman e Tony Kushner, a Tribo dá continuidade à sua investigação da cena ritual, dentro da vertente do Teatro de Vivência. “Viúvas” mostra mulheres que lutam pelo direito de saber onde estão os homens que desapareceram ou foram mortos pela ditadura civil militar que se instalou em seu país. É uma alegoria sobre o que aconteceu nas últimas décadas na América Latina, e a necessidade de manter viva a memória deste tempo de horror, para que não volte mais a acontecer.

Foto: Pedro Isaias Lucas

Espetáculo de rua
“O Amargo Santo da Purificação”

O Amargo Santo da Purificação é uma visão alegórica e barroca da vida, paixão e morte do revolucionário Carlos Marighella. Marighella viveu e morreu durante períodos críticos da história contemporânea do Brasil, sendo protagonista na luta contra as ditaduras do Estado Novo e do Regime Militar. A dramaturgia elaborada pelo Ói Nóis Aqui Traveiz parte dos poemas escritos por Carlos Marighella que transformados em canções são o fio condutor da narrativa. Utilizando a plasticidade das máscaras, de elementos da cultura afro-brasileira e figurinos com fortes signos, a encenação cria uma fusão do rituacom o teatro dança. Através de uma estética ‘glauberiana’, o Ói Nóis Aqui Traveiz traz para as ruas da cidade uma abordagem épica das aspirações de liberdade e justiça do povo brasileiro.

Foto: Pedro Isaias Lucas

Performance
"Onde? Ação nº2”

A performance “Onde? Ação nº2” de forma poética provoca reflexões sobre o nosso passado recente e as feridas ainda abertas pela ditadura militar. A ação performática se soma ao movimento de milhares de brasileiros que exigem que o Governo Federal proceda a investigação sobre o paradeiro das vítimas desaparecidas durante o regime militar, identifique e entregue os restos mortais aos seus familiares e aplique efetivamente as punições aos responsáveis.

Foto: Pedro Rosauro

DESMONTAGEM: EVOCANDO OS MORTOS – POÉTICAS DA EXPERIÊNCIA
Por Tânia Farias

A desmontagem Evocando os Mortos – Poéticas da Experiência refaz o caminho do ator na criação de personagens emblemáticos da dramaturgia contemporânea. 
Constitui um olhar sobre as discussões de Gênero, abordando a violência contra a mulher em suas variantes, questões que passaram a ocupar centralmente o trabalho de criação do grupo. Desvelando os processos de criação de diferentes personagens, criadas entre 1999 e 2011, a atuadora Tânia Farias deixa ver quanto as suas vivências pessoais e do coletivo Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz atravessam os mecanismos de criação. Através da ativação da memória corporal, a atriz faz surgir e desaparecer as personagens, realizando uma espécie de ritual de evocação de seus mortos para compreensão dos desafios de fazer teatro nos dias de hoje.

Foto: Pedro Isaias Lucas

Cavalo Louco nº 15
A Revista de Teatro da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz

Editorial:
Caros amigos, temos muito a comemorar! Realizamos o lançamento da décima quinta edição da Cavalo Louco na semana em que o Ói Nóis Aqui Traveiz comemora trinta e sete anos de trajetória.
Nesta edição trazemos uma seção Especial com três artigos relacionados ao Projeto Mostra Conexões Para Uma Arte Pública: A passagem do Ói Nóis Aqui Traveiz pelo Rio de Janeiro de Rosyane Trotta, que relata e reflete sobre o impacto das ações promovidas no Rio; Reflexões sobre a Arte Pública de Pascal Berten, que procura delinear as questões evocadas sobre o conceito de Arte Pública; e Um projeto inqualificável qualificado e realizado de Amir Haddad, sobre a importância de projetos como a Mostra realizada pelo Ói Nóis, que aprofunda a discussão sobre a Arte Pública e promove o intercâmbio entre grupos que buscam promover esta ideia.
Na seção Magos do Teatro Contemporâneo trazemos o artigo O teatro público de Jean Vilar, sobre o encenador do Teatro Nacional Popular e organizador do Festival de Avignon. Marta Haas traz o artigo Dar voz aos desaparecidos, evocar ausências: nosso devir histórico, que aborda as ações do Ói Nóis Aqui Traveiz que buscam trabalhar com a memória do período da ditadura militar e dos desaparecidos políticos.Claudia Pérez e Michele Rolim assinam o artigo Representação e práticas artísticas no contexto da violência que aborda a pesquisa de Ileana Diéguez que resultou no livro Cuerpos sin duelo – iconografias y teatralizades del dolor. Edelcio Mostaço, com seu artigo A trajetória de um encenador dialético, aborda a trajetória de Fernando Peixoto como encenador. Cleiton Pereira, em Nossa ilha é um pequeno barco em movimento, aborda o trabalho de resistência do Grupo Contadores de Mentira da cidade de Suzano/SP. Aproveitando a visita do crítico teatral alemão Jürgen Berger à nossa sede, a Terreira da Tribo, realizamos uma entrevista (Seria fatal, se o crítico tivesse a última palavra) sobre o papel do crítico na cena contemporânea. Newton Pinto da Silva, em Arquivo vivo: memórias do corpo na cena, escreve sobre a desmontagem Evocando os Mortos – Poéticas da Experiência da atuadora Tânia Farias.
Trazemos ainda os artigos Gritos de Liberdade: arte, mercado e revolução de Marília Carbonari, O ato(r) responsável: o atuador na Terreira da Tribo de Andréia Paris, A resistência do real: Living Theatre e Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz de Cristina Sanches Ribeiro, ‘Os Azeredo mais os Benevides’ ou a revoada das cinzas de Valmir Santos. Por fim, fazemos uma singela homenagem a Sebastião Milaré, amigo e parceiro da Tribo, que faleceu em julho de 2014.

Salve salve Sebastião!!!



Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz
37 Anos de Utopia, Paixão e Resistência!

A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz surgiu em 1978 com uma proposta de renovação radical da linguagem cênica. Durante esses anos criou uma estética pessoal, fundada na pesquisa dramatúrgica, musical, plástica, no estudo da história e da cultura, na experimentação dos recursos teatrais a partir do trabalho autoral do ator. Não se limitando à sala de espetáculos, desenvolveu uma linguagem própria de teatro de rua, além de trabalhos artístico-pedagógicos junto à comunidade local. Abriu um novo espaço para a pesquisa cênica - a Terreira da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, que funciona como Escola de Teatro Popular, oferecendo diversas oficinas abertas e gratuitas para a população.
A organização da Tribo é baseada no trabalho coletivo, tanto na produção das atividades teatrais, como na manutenção do espaço. O Ói Nóis Aqui Traveiz segue uma evolução contínua e constitui um processo aberto para novos participantes. Para a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz o teatro é instrumento de desvelamento e análise da realidade; a sua função é social: contribuir para o conhecimento dos homens e ao aprimoramento da sua condição. 
Num mundo marcado pela exclusão, marginalização, pela homogeneização, pelo pensamento único, enfim, pela desumanização e pela barbárie, cada vez mais é vital e necessário denunciar a injustiça, as vendas de opinião, o autoritarismo, a mediocridade e a falta de memória. Esta é a defesa que o Ói Nóis faz o teatro como resistência e manutenção de valores fundamentais que diferenciam uns de outros: a solidariedade, a honestidade pessoal e a liberdade. 
Fazendo um teatro a serviço da arte e da política, que não se enquadra nos padrões da ética e da estética de mercado. O teatro como um modo de vida e veículo de idéias: um teatro que não comenta a vida, mas participa dela!