segunda-feira, 9 de março de 2015

Ói Nóis Aqui Traveiz fazendo aniversário!


É com alegria que a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz convida Porto Alegre para celebrar os seus 37 anos de Ousadia e Ruptura! Cultivando a Utopia, alimentando a Paixão e dando mãos à Resistência, o Ói Nóis Aqui Traveiz se solidificou ao longo de mais de três décadas, como um dos principais coletivos teatrais do país!


De 26 de março a 1º de abril a Tribo estará realizando uma programação cultural aberta e gratuita a toda cidade! 

A programação conta com apresentações do premiado espetáculo de vivência “Medeia Vozes”, do espetáculo de teatro de rua “O Amargo Santo da Purificação” e da performance “Onde? Ação nº2”, além de, exibição de filmes e lançamento da nova Cavalo Louco – A Revista de Teatro da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz! 

Confira:

26/03 – quinta-feira: Espetáculo MEDEIA VOZES - 19h30 - Terreira da Tribo

27/03 – sexta-feira: Espetáculo MEDEIA VOZES - 19h30 - Terreira da Tribo

28/03 – sábado: Filme VIÚVAS PERFORMANCE SOBRE A AUSÊNCIA - 21h - Cine Bancários

29/03 – domingo: Espetáculo O AMARGO SANTO DA PURIFICAÇÃO - 16h - Parque da Redenção

30/03 – segunda-feira: Celebração: Lançamento da CAVALO LOUCO nº 15 e exibição do filme RAÍZES DO TEATRO - 20 h - Terreira da Tribo

31/03 – terça-feira: Performance ONDE? AÇÃO Nº 2 – 12h30 - Esquina Democrática

31/03 – terça-feira: Desmontagem: EVOCANDO OS MORTOS - POÉTICAS DA EXPERIÊNCIA - 20h - Terreira da Tribo

1/ 04 – quarta-feira: Performance ONDE? AÇÃO Nº 2 - 12h30 - Esquina Democrática
Espetáculo

“Medeia Vozes”

A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz toma uma versão antiga e desconhecida do mito, trazendo uma mulher que não cometeu nenhum dos crimes de que Eurípides a acusa. O mito é questionado e reelaborado de maneira original, para analisar o fundamento das ordens de poder e como estas se mantêm ou se destroem. Medeia é uma mulher que enxerga seu tempo e sua sociedade como são. As forças que estão no poder manifestam-se contra ela, chegando mesmo à perseguição e banimento, ela é um bode expiatório numa sociedade de vítimas. A voz de Medeia somam-se vozes de mulheres contemporâneas como as revolucionárias alemãs Rosa Luxemburgo e Ulrike Meinhof, a somali Waris Diriiye, a indiana Phoolan Devi e a boliviana Domitila Chungara, que enfrentaram de diferentes maneiras a sociedade patriarcal em várias 
partes do mundo.

Medeia Vozes ganhou o Prêmio Açorianos em 8 categorias (melhor espetáculo, atriz para Tânia Farias, cenografia, iluminação, trilha para Johann Alex de Souza, dramaturgia, produção e direção), além do troféu do Júri Popular. E em 2014 ganhou mais um prêmio açorianos na categoria de melhor espetáculo, concedido pela EEPA (Escola de Espectadores de Porto Alegre).

Foto: Pedro Isaias Lucas

Filme
“Viúvas, performance sobre a ausência”

O filme “Viúvas, performance sobre a ausência” mostra a encenação homônima realizada na Ilha do Presídio - situada entre as cidades de Porto Alegre e Guaíba - nas ruínas do presídio onde foram encarcerados presos políticos no período da ditadura civil militar no Brasil. O espetáculo faz parte da pesquisa teatral que o grupo vem realizando sobre o imaginário latino-americano e sua história recente. Partindo do texto Viúvas de Ariel Dorfman e Tony Kushner, a Tribo dá continuidade à sua investigação da cena ritual, dentro da vertente do Teatro de Vivência. “Viúvas” mostra mulheres que lutam pelo direito de saber onde estão os homens que desapareceram ou foram mortos pela ditadura civil militar que se instalou em seu país. É uma alegoria sobre o que aconteceu nas últimas décadas na América Latina, e a necessidade de manter viva a memória deste tempo de horror, para que não volte mais a acontecer.

Foto: Pedro Isaias Lucas

Espetáculo de rua
“O Amargo Santo da Purificação”

O Amargo Santo da Purificação é uma visão alegórica e barroca da vida, paixão e morte do revolucionário Carlos Marighella. Marighella viveu e morreu durante períodos críticos da história contemporânea do Brasil, sendo protagonista na luta contra as ditaduras do Estado Novo e do Regime Militar. A dramaturgia elaborada pelo Ói Nóis Aqui Traveiz parte dos poemas escritos por Carlos Marighella que transformados em canções são o fio condutor da narrativa. Utilizando a plasticidade das máscaras, de elementos da cultura afro-brasileira e figurinos com fortes signos, a encenação cria uma fusão do rituacom o teatro dança. Através de uma estética ‘glauberiana’, o Ói Nóis Aqui Traveiz traz para as ruas da cidade uma abordagem épica das aspirações de liberdade e justiça do povo brasileiro.

Foto: Pedro Isaias Lucas

Performance
"Onde? Ação nº2”

A performance “Onde? Ação nº2” de forma poética provoca reflexões sobre o nosso passado recente e as feridas ainda abertas pela ditadura militar. A ação performática se soma ao movimento de milhares de brasileiros que exigem que o Governo Federal proceda a investigação sobre o paradeiro das vítimas desaparecidas durante o regime militar, identifique e entregue os restos mortais aos seus familiares e aplique efetivamente as punições aos responsáveis.

Foto: Pedro Rosauro

DESMONTAGEM: EVOCANDO OS MORTOS – POÉTICAS DA EXPERIÊNCIA
Por Tânia Farias

A desmontagem Evocando os Mortos – Poéticas da Experiência refaz o caminho do ator na criação de personagens emblemáticos da dramaturgia contemporânea. 
Constitui um olhar sobre as discussões de Gênero, abordando a violência contra a mulher em suas variantes, questões que passaram a ocupar centralmente o trabalho de criação do grupo. Desvelando os processos de criação de diferentes personagens, criadas entre 1999 e 2011, a atuadora Tânia Farias deixa ver quanto as suas vivências pessoais e do coletivo Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz atravessam os mecanismos de criação. Através da ativação da memória corporal, a atriz faz surgir e desaparecer as personagens, realizando uma espécie de ritual de evocação de seus mortos para compreensão dos desafios de fazer teatro nos dias de hoje.

Foto: Pedro Isaias Lucas

Cavalo Louco nº 15
A Revista de Teatro da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz

Editorial:
Caros amigos, temos muito a comemorar! Realizamos o lançamento da décima quinta edição da Cavalo Louco na semana em que o Ói Nóis Aqui Traveiz comemora trinta e sete anos de trajetória.
Nesta edição trazemos uma seção Especial com três artigos relacionados ao Projeto Mostra Conexões Para Uma Arte Pública: A passagem do Ói Nóis Aqui Traveiz pelo Rio de Janeiro de Rosyane Trotta, que relata e reflete sobre o impacto das ações promovidas no Rio; Reflexões sobre a Arte Pública de Pascal Berten, que procura delinear as questões evocadas sobre o conceito de Arte Pública; e Um projeto inqualificável qualificado e realizado de Amir Haddad, sobre a importância de projetos como a Mostra realizada pelo Ói Nóis, que aprofunda a discussão sobre a Arte Pública e promove o intercâmbio entre grupos que buscam promover esta ideia.
Na seção Magos do Teatro Contemporâneo trazemos o artigo O teatro público de Jean Vilar, sobre o encenador do Teatro Nacional Popular e organizador do Festival de Avignon. Marta Haas traz o artigo Dar voz aos desaparecidos, evocar ausências: nosso devir histórico, que aborda as ações do Ói Nóis Aqui Traveiz que buscam trabalhar com a memória do período da ditadura militar e dos desaparecidos políticos.Claudia Pérez e Michele Rolim assinam o artigo Representação e práticas artísticas no contexto da violência que aborda a pesquisa de Ileana Diéguez que resultou no livro Cuerpos sin duelo – iconografias y teatralizades del dolor. Edelcio Mostaço, com seu artigo A trajetória de um encenador dialético, aborda a trajetória de Fernando Peixoto como encenador. Cleiton Pereira, em Nossa ilha é um pequeno barco em movimento, aborda o trabalho de resistência do Grupo Contadores de Mentira da cidade de Suzano/SP. Aproveitando a visita do crítico teatral alemão Jürgen Berger à nossa sede, a Terreira da Tribo, realizamos uma entrevista (Seria fatal, se o crítico tivesse a última palavra) sobre o papel do crítico na cena contemporânea. Newton Pinto da Silva, em Arquivo vivo: memórias do corpo na cena, escreve sobre a desmontagem Evocando os Mortos – Poéticas da Experiência da atuadora Tânia Farias.
Trazemos ainda os artigos Gritos de Liberdade: arte, mercado e revolução de Marília Carbonari, O ato(r) responsável: o atuador na Terreira da Tribo de Andréia Paris, A resistência do real: Living Theatre e Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz de Cristina Sanches Ribeiro, ‘Os Azeredo mais os Benevides’ ou a revoada das cinzas de Valmir Santos. Por fim, fazemos uma singela homenagem a Sebastião Milaré, amigo e parceiro da Tribo, que faleceu em julho de 2014.

Salve salve Sebastião!!!



Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz
37 Anos de Utopia, Paixão e Resistência!

A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz surgiu em 1978 com uma proposta de renovação radical da linguagem cênica. Durante esses anos criou uma estética pessoal, fundada na pesquisa dramatúrgica, musical, plástica, no estudo da história e da cultura, na experimentação dos recursos teatrais a partir do trabalho autoral do ator. Não se limitando à sala de espetáculos, desenvolveu uma linguagem própria de teatro de rua, além de trabalhos artístico-pedagógicos junto à comunidade local. Abriu um novo espaço para a pesquisa cênica - a Terreira da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, que funciona como Escola de Teatro Popular, oferecendo diversas oficinas abertas e gratuitas para a população.
A organização da Tribo é baseada no trabalho coletivo, tanto na produção das atividades teatrais, como na manutenção do espaço. O Ói Nóis Aqui Traveiz segue uma evolução contínua e constitui um processo aberto para novos participantes. Para a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz o teatro é instrumento de desvelamento e análise da realidade; a sua função é social: contribuir para o conhecimento dos homens e ao aprimoramento da sua condição. 
Num mundo marcado pela exclusão, marginalização, pela homogeneização, pelo pensamento único, enfim, pela desumanização e pela barbárie, cada vez mais é vital e necessário denunciar a injustiça, as vendas de opinião, o autoritarismo, a mediocridade e a falta de memória. Esta é a defesa que o Ói Nóis faz o teatro como resistência e manutenção de valores fundamentais que diferenciam uns de outros: a solidariedade, a honestidade pessoal e a liberdade. 
Fazendo um teatro a serviço da arte e da política, que não se enquadra nos padrões da ética e da estética de mercado. O teatro como um modo de vida e veículo de idéias: um teatro que não comenta a vida, mas participa dela!

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