quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

“Exercício Cênico: Outra Tempestade”


O “Exercício Cênico: Outra Tempestade” estréia dia 20 de janeiro, às 21 horas, na Terreira da Tribo (rua Santos Dumont 1186), com entrada franca (senhas a partir das 20:30 horas) realizando temporada até dia 30 de janeiro, diariamente com exceção de domingo. A encenação é o exercício final da Oficina Para Formação de Atores 2014/2015 da Escola de Teatro Popular da Terreira da Tribo, e faz parte da programação  da Mostra Ói Nóis Aqui Traveiz: Jogos de Aprendizagem 2016.




“Outra Tempestade” é um texto escrito pela dramaturga e crítica Raquel Carrió e a diretora teatral Flora Lauten, ambas de nacionalidade cubana  pertencentes ao coletivo Teatro Buendía. “Outra Tempestade” narra a história dos encontros, imaginários ou sonhados, entre personagens shakespearianos e figuras da mitologia africana na América Latina. A peça traz uma reflexão sobre a herança e a apropriação cultural. Propondo uma celebração da alma e do corpo, um estranho ritual carnavalesco e autofágico, como um labirinto cheio de metáforas, confissões e relações surpreendentes. 

Das ruas do Velho Mundo saem Hamlet, Macbeth, Otelo, Shylock, o judeu de O Mercador Veneza, o mago Próspero e sua filha Miranda e partem em expedição para o Novo Mundo. Paralelamente, Sicorax, mãe de Oshún, deusa dos rios; de Elegguá, que abre e fecha os caminhos; de Oyá, rainha dos mortos e Caliban, filho de Changó; desata a tempestade por uma ação ritual. O navio de Próspero naufraga nas margens de uma ilha e os navegantes são resgatados pelas filhas de Sicorax. Como em um labirinto em que os personagens “não sabem se estão mortos ou dormidos”, acontecem os encontros e feitiços provocados por Sicorax. Próspero confunde Elegguá com Ariel do seu reino perdido; Hamlet sofre a alucinação de Oshún com Ofélia; Otelo reencontra Desdêmona; Shylock acredita estar na terra prometida e regressa aos dias da sua juventude. Oyá seduz Macbeth através da sua mutação em Lady Macbeth e Miranda e Caliban encontram o amor numa curiosa subversão da fábula. Trata-se de mutações e de um jogo de espelhos que subvertem a ordem lógico-casual dos relatos e transgridem os limites das personagens e a ação. Mas na confrontação das diferentes personagens, sonoridades e imagens européias e africanas, não há “vencedores” nem “vencidos”, e sim um intercâmbio de rituais e ações que caracterizam o sincretismo cultural próprio da América Latina e do Caribe. Próspero quer criar na ilha o reino da Utopia americana: o sonho da República Ideal e o universo de contradições que se desatam num espaço mítico onde todos estão condenados a representar, uma e outra vez, sua multiplicidade de imagens. Daí as mortes rituais e o uso simbólico das máscaras em um final que nos adverte: “Tenho herdado uma terra arrasada pela utopia e o sangue”. A encenação quebra a tragicidade implícita em suas personagens apelando à figuração de uma Mascarada que cria a possibilidade das mutações, o jogo intertextual, a mistura, a ironia, a paródia e a hibridização dos gêneros. 

O “Exercício Cênico: Outra Tempestade” tem a coordenação de Tânia Farias, Paulo Flores e Clélio Cardoso, e traz no elenco os oficinandos: Adriano Donin Neto, Arthur Haag, Bruno Cunha, Cecé Pereira, Dal Vanso, Daniel Steil, Francisco de los Santos, Jon Ferreira, Júlia Marchant, Júlio Kaczam, Liana Alice, Lucas Gheller, Karina Rocca, Keter Velho e Natália Meneguzzi.

A Escola de Teatro Popular da Terreira da Tribo oferece anualmente, de forma aberta e gratuita, oficinas de iniciação teatral, pesquisa de linguagem, formação e treinamento de atores. A Oficina Para Formação de Atores, composta por aulas diárias, teóricas e práticas, com duração de 18 meses, busca através da construção do conhecimento favorecer a emergência do artista competente não apenas no desempenho do seu ofício, mas também no seu desenvolvimento como cidadão. O programa começa com o autoconhecimento do ator, passa para a etapa do reconhecimento (ênfase na construção de personagem), para o jogo teatral (ênfase na situação dramática), chegando, por fim, à encenação. 


quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

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sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

"É preciso abrir uma clareira no bosque" - Carlos Marighella


Há exatos 104 anos atrás, nascia na Bahia o homem que iria se tornar o "Inimigo nº1" da ditadura militar no Brasil. Filho de um operário, imigrante italiano e de uma negra, filha de escravos africanos trazidos do Sudão, ele trouxe no sangue a força, a coragem e a combatividade dos seus antepassados.
Político, Guerrilheiro e Poeta, inspirou e inspira até hoje gerações e gerações de seres apaixonados pela vida, que incansavelmente acreditam na possibilidade de um mundo melhor, mais justo, mais igualitário.

Evoééé!
CARLOS MARIGHELLA VIVE!



LIBERDADE
Não ficarei tão só no campo da arte,
e, ânimo firme, sobranceiro e forte,
tudo farei por ti para exaltar-te,
serenamente, alheio à própria sorte.
Para que eu possa um dia contemplar-te
dominadora, em férvido transporte,
direi que és bela e pura em toda parte,
por maior risco em que essa audácia importe.
Queira-te eu tanto, e de tal modo em suma,
que não exista força humana alguma
que esta paixão embriagadora dome.
E que eu por ti, se torturado for,
possa feliz, indiferente à dor,
morrer sorrindo a murmurar teu nome.
Carlos Marighella