quarta-feira, 16 de março de 2016

38 Anos Contra o Esquecimento! Evoé, Ói Nóis Aqui Traveiz!


“Se voceis pensam que nóis fumos embora
Nóis enganemos voceis
Fingimos que fumos e vortemos
Ói Nóis Aqui Traveiz”!

É com alegria que comunicamos que no dia 31 de março a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz está completando 38 anos de trajetória. São 38 anos de um teatro que ousou opor-se à toda forma de opressão, esquecimento e desumanidade. Uma trajetória que marcou a história do teatro no país, ao fundir arte e política através da investigação e produção de espetáculos de grande mérito cultural. 
Suas obras nunca deixaram de ser contemporâneas pelo forte enraizamento na comunidade e realidade social, levando à cena questões importantes da atualidade.

São 38 anos de Arte Pública, que se destina ao aprimoramento e à melhoria das condições de vida da maior parte da população. Com nosso fazer teatral queremos contribuir para que a cidade seja um LUGAR habitável, um LUGAR sem exclusão, um LUGAR para a construção da cidadania, um LUGAR que seja terreno fértil para semear ideias.

E para celebrar com a cidade estaremos realizando uma programação de aniversário, aberta e gratuita! Confira:



Dia 31/03 (quinta feira):
20h: Desmontagem “Evocando os Mortos - Poéticas da Experiência”, na Terreira da Tribo (Rua Santos Dumont, 1186).
21h30: Lançamento do livro “Ói Nóis Aqui Traveiz - Um Cavalo Louco no Sul do Brasil” de Paulo Flores, na Terreira da Tribo.

Dia 1/04 (sexta feira): 
17h: Performance “Onde? Ação nº2”, na Esquina Democrática.
20h: “Hamlet Envenenado” com o Grupo Rito, na Terreira da Tribo.

Dia 2/04 (sábado): 
20h: Lançamento do livro “Primeiras notas de Alvorada e as canções de sala de aula do prof. Johann Alex de Souza” na Terreira da Tribo.
20h30: Show com Johann Alex de Souza e Leonor Mello, na Terreira da Tribo.

Dia 3/04 (domingo):
15h: Performance “Onde? Ação nº2” no Parque da Redenção.

Dia 4/04 (segunda feira):
19h: Exibição do filme “A Missão - Lembrança de uma Revolução” no Cine Bancários (Rua General Câmara, 424 – centro).


Sinopses:

Evocando os Mortos – Poéticas da Experiência
Por Tânia Farias

A desmontagem “Evocando os mortos – Poéticas da experiência” refaz o caminho do ator na criação de personagens emblemáticos da dramaturgia contemporânea. Constitui um olhar sobre as discussões de Gênero, abordando a violência contra a mulher em suas variantes, questões que passaram a ocupar centralmente o trabalho de criação do grupo Ói Nóis Aqui Traveiz.
Seguindo a linha de investigação sobre teatro ritual de origem artaudiana e performance contemporânea a desmontagem de Tânia Farias propõe um mergulho num fazer teatral onde o trabalho autoral do ator condensa um ato real com um ato simbólico, provocando experiências que dissolvam os limites entre arte e vida e ao mesmo tempo potencializem a reflexão e o autoconhecimento.
Desvelando os processos de criação de diferentes personagens, criadas entre 1999 e 2011 a atriz deixa ver quanto as suas vivências pessoais e do coletivo Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz atravessam os mecanismos de criação. A ativação da memória corporal, fazendo surgir e desaparecer as personagens.
Realizando uma espécie de ritual de evocação de seus mortos para compreensão dos desafios de fazer teatro nos dias de hoje.

Foto: Rafael Saes


Lançamento do livro “Ói Nóis Aqui Traveiz – Um Cavalo Louco no Sul do Brasil” 
de Paulo Flores

O selo “Ói Nóis na Memória” lança a sua mais nova publicação “Ói Nóis Aqui Traveiz – Um Cavalo Louco no Sul do Brasil”. 
O livro organizado por Paulo Flores registra a trajetória de 38 anos da Tribo em uma edição bilíngue (português/inglês) e constitui um documento vivo que se inscreve no processo de preservação cultural, já que objetiva difundir e socializar o acervo da proposta estética e política desenvolvida pelo Ói Nóis Aqui Traveiz.



Performance "Onde? Ação nº2”

A performance “Onde? Ação nº2” de forma poética provoca reflexões sobre o nosso passado recente e as feridas ainda abertas pela ditadura militar. A ação performática se soma ao movimento de milhares de brasileiros que exigem que o Governo Federal proceda a investigação sobre o paradeiro das vítimas desaparecidas durante o regime militar, identifique e entregue os restos mortais aos seus familiares e aplique efetivamente as punições aos responsáveis.

Foto: Pedro Rosauro

“Hamlet Envenenado”
com Grupo Rito

Inspirado no personagem ícone do teatro universal de Shakespeare, “Hamlet envenenado, ou o gosto do azedo”, é uma visita na obra do bardo inglês, abrindo janelas por Heiner Müller e por poemas de exílio e de resistência de alguns poetas palestinos, com suas respectivas obras: Hamlet Máquina e Lamentos dos Oprimidos. 
Esse farrapo de Shakespeare, que perdido na corrupção familiar promete vingança ao fantasma do pai assassinado e que serve de moldura ao grito de Ofélia, que clama por vingança. É uma história atual, amparada pelos fragmentos de Heiner Müller e por sua violenta visão de mundo.
Embora seja uma metáfora do homem moderno e de suas consequências de vida, Hamlet é o espelho do teatro e dos homens de teatro diante da crise do artista-intelectual em sua consciência de impotência. Nosso drama não se realiza mais, estamos saturados. O vicio da modernidade tem gosto azedo e nos envenena com a ausência de referencias. O sexo, o poder, o dinheiro e a ganância são ingredientes desse veneno que bebemos cotidianamente, sentados, vestindo a máscara de espectador. Tirai-vos essa máscara!

O RITO – Grupo de Teatro – é um grupo experimental que entende nessa possibilidade de montagem, a importância de fazer um teatro social, crítico e com tantas interrogações para dividir com o público e dialogando com a História da Humanidade e nesse sentido afirmamos: "é preciso aceitar a presença dos mortos como parceiros de diálogo ou como destruidores - somente o diálogo com os mortos engendra o futuro", como já dizia Müller. 
O Grupo se constituiu após a formação de atores na Escola de Teatro Popular da Terreira da Tribo, com a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz. Hoje desenvolve uma pesquisa no campo da dramaturgia pós-dramática e com o Teatro Ritual. 



Lançamento do Livro 
"Primeiras Notas de Alvorada e as canções de Sala de Aula do Prof. Johann"

O Projeto "Primeiras Notas de Alvorada e as canções de Sala de Aula do Prof. Johann” é o título do livro que relata uma experiência pedagógica na área de educação Musical.

Logo após o lançamento teremos um pequeno show musical com algumas canções que fazem parte do CD que acompanha o livro. No palco além de Johann Alex de Souza na voz e violão, teremos Leonor Melo (voz), Isabel Schmitt (vocal), Vinicius Prates (flauta), Zé Evandro ( percussão ), Cristhian Bocalon (acordeom) e a participação especial de Tânia Farias, Paula Carvalho e outros integrantes do grupo Ói Nóis Aqui Traveiz.




Lançamento do DVD “A Missão Lembrança de Uma Revolução”

“... Marx fala do pesadelo de gerações mortas, Benjamin, da libertação do passado. O que está morto não o é na história. Uma função do drama é a evocação dos mortos – o diálogo com os mortos não deve se romper até que eles tornem conhecido a parcela de futuro que está enterrada com eles.” (H.Müller)

 A encenação evoca a revolta dos escravos na Jamaica, nos anos seguintes à Revolução Francesa e reflete sobre o Terceiro Mundo: objeto de exploração e simultaneamente, fermento do novo.
A encenação coletiva criada pela Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz vai evidenciar a opção do autor por uma poética teatral do corpo, da imagem, aliando a sua visão crítica da história à desconstrução da linguagem discursiva cartesiana. A poética cênica de A Missão insere-se na “dialética poética do fragmento”, e dirige-se primordialmente aos sentidos, mas a intenção é também ‘fazer pensar’. O reconhecimento se faz, portanto, via corpo e intelecto. A aproximação entre o fragmento e a linguagem do corpo, como contrários à linguagem do poder e do conceito é outra idéia presente em Müller, que fala da rebelião do corpo contra o conceito. O ato cognoscitivo vem a posteriori, precedido pela experiência, por algo que não pode ser determinado de imediato, mas que só assim se transforma em experiência durável.



Ói Nóis Aqui Traveiz
31 DE MARÇO de 1978

Durante dois meses os atuadores do Ói Nóis Aqui Traveiz trabalharam nas reformas do prédio localizado na Rua Ramiro Barcelos, 485. À meia-noite de sexta-feira, 31 de março, com propósitos irreverentes, a Tribo estreou o seu primeiro espetáculo. A data foi escolhida em contraposição ao dia que marcava na história do Brasil o golpe civil militar de 1964.

Na imprensa de 1978, lia-se o manifesto do grupo:

"Pedra nas veias para tentar criar uma demonstração coerente da barbárie. A selvageria como uma relação entre 'civilizados'. A humilhação como coragem de suportá-la.
Pedra nas veias para buscar um acontecimento teatral que negue a desumanização do indivíduo e denuncie a descaracterização consumista.
Pedra nas veias para deformar aquilo que até ontem chamávamos teatro.
Pedra nas veias para expor cruamente, no espaço cênico, uma figuração crítica do cotidiano.
Pedra nas veias para encontrar no ator a sua desilusão, a sua frustração, a sua raiva, os seus pesadelos.
Pedra nas veias para não fazer concessões ao esteticismo burguês, nem aos pregões do teatro-palavra.
Pedra nas veias para ir um pouco adiante da cultura de resistência. Para ousar opor-se".

Foto: Ari Pacheco
Espetáculo: Os Três Caminhos Percorridos por Honório dos Anjos e dos Diabos 1993

O Projeto "A Arte Pública do Ói Nóis Aqui Traveiz" é financiado pelo Programa Municipal de Fomento ao Trabalho Continuado em Artes Cênicas para a cidade de Porto Alegre.

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