terça-feira, 31 de maio de 2016

“Medeia Vozes” entra em cartaz na Terreira da Tribo!


 Dias 17,18, 24 e 25 de junho
(sextas e sábados)

O premiado espetáculo Medeia Vozes da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz entra em cartaz em Porto Alegre e faz quatro apresentações com entrada franca. As apresentações serão nos dias 17, 18, 24 e 25 de junho (sextas e sábados), às 19h30, na Terreira da Tribo (Rua Santos Dumont, 1186). Distribuição de senhas às 19h.

Fotos: Pedro Isaias Lucas

A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz toma uma versão antiga e desconhecida do mito, trazendo uma mulher que não cometeu nenhum dos crimes de que Eurípides a acusa. O mito é questionado e reelaborado de maneira original, para analisar o fundamento das ordens de poder e como estas se mantêm ou se destroem. Medeia é uma mulher que enxerga seu tempo e sua sociedade como são. As forças que estão no poder manifestam-se contra ela, chegando mesmo à perseguição e banimento, ela é um bode expiatório numa sociedade de vítimas. A voz de Medeia somam-se vozes de mulheres contemporâneas como as revolucionárias alemãs Rosa Luxemburgo e Ulrike Meinhof, a somali Waris Diriiye, a indiana Phoolan Devi e a boliviana Domitila Chungara, que enfrentaram de diferentes maneiras a sociedade patriarcal em várias partes do mundo.

Medeia Vozes ganhou o Prêmio Açorianos em 8 categorias (melhor espetáculo, atriz para Tânia Farias, cenografia, iluminação, trilha para Johann Alex de Souza, dramaturgia, produção e direção), além do troféu do Júri Popular. E em 2014 ganhou mais um prêmio açorianos na categoria de melhor espetáculo, concedido pela EEPA (Escola de Espectadores de Porto Alegre).



“Pronunciamos um nome, e, como as paredes são permeáveis, entramos no tempo que foi o seu, encontro desejado. Sem hesitações, ela responde das profundezas do tempo ao nosso olhar. Infanticida? Pela primeira vez esta dúvida. Um encolher de ombros, de desprezo, um voltar às costas. Ela já não precisa da nossa dúvida, nem dos nossos esforços para lhe fazer justiça, afasta-se. Antecipa-se de nós? Foge? As perguntas perdem o sentido pelo caminho. Mandamos-lhe embora, ela vem ao nosso encontro das profundezas do tempo, nós mergulhamos nele, passamos por épocas que, ao que tudo indica, não nos falam de forma tão clara como a sua. E há de haver um momento em que nos encontramos.
Somos nós que descemos até aos Antigos? São eles que nos apanham? Tanto faz. Basta estender a mão. Passam para o nosso mundo com a maior facilidade, estranhos hóspedes, iguais a nós. Nós temos a chave que abre todas as épocas, por vezes a usamos sem reservas, deitamos um olhar apressado pela fresta da porta, ávidos de juízos precipitados. Mas também deve haver maneira de nos aproximarmos passo a passo, com um certo pudor diante do tabu, dispostos a arrancar dos mortos seu segredo, mas assumindo o preço de algum sofrimento. O reconhecimento das nossas fraquezas – era por aí que devíamos começar.
Os milênios dissolvem-se, sujeitos a fortes pressões. Deve então manter-se a pressão? Pergunta ociosa. Falsas perguntas fazem hesitar a figura que quer libertar-se das trevas da cegueira que nos impede de conhecê-la. Temos de lhe avisar. A nossa cegueira forma um sistema fechado, nada a pode refutar. Ou teremos de nos afoitar no mais íntimo da nossa cegueira e autocegueira, e avançar, sem mais, uns com os outros, uns atrás dos outros, o ruído da derrocada das paredes nos ouvidos? Ao nosso lado, é essa a nossa esperança, a figura de nome mágico que em si faz convergir os tempos, processo doloroso. Nessa figura é o nosso tempo que sobre nós se abate. A mulher bárbara”.

Christa Wolf

Serviço: 
Medeia Vozes - Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz
Local: Terreira da Tribo (Rua Santos Dumont, 1186)
Dias: 17, 18, 24 e 25 de junho (sextas e sábados)
Horário: 19h30
Ingressos: Entrada Franca
Classificação etária: 16 anos
Duração: 210 min
Ficha Técnica: Criação, Direção, Dramaturgia, cenografia, figurinos criados coletivamente pela Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz
Música: Johann Alex de Souza
Preparação Vocal: Leonor Melo
Participam da encenação os atuadores: Tânia Farias, Paulo Flores, Marta Haas, Arlete Cunha, Eugênio Barbosa, Paula Carvalho, Eduardo Arruda, Clélio Cardoso, Roberto Corbo, Letícia Virtuoso, Lucas Gheller, Mayura Matos, Keter Velho, Júlio Kaczam, Daniel Steil, Luana Rocha, Márcio Lima, Alex dos Santos, Pascal Berten e Thales Rangel.

Estas apresentações fazem parte  do encerramento do Projeto "A Arte Pública do Ói Nóis Aqui Traveiz" que teve financiamento do Programa Municipal de Fomento ao Trabalho Continuado em Artes Cênicas para a cidade de Porto Alegre.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Desmontagem “Evocando os Mortos Poéticas da Experiência” em Cuba!

A performance “Evocando os Mortos – Poéticas da Experiência” da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz participa neste mês do principal Festival Cubano, o Maio Teatral. 

Esta edição do Festival que acontece de 13 a 22 de maio e que pretende refletir sobre o papel do Teatro de Grupo no Teatro Latino Americano, conta com grupos de longa trajetória e extrema relevância no continente, como o Teatro La Candelária da Colômbia, o Grupo Yuyachkani do Peru, o Teatro Gayumba da República Dominicana e contará pela primeira vez com a presença do grupo brasileiro Ói Nóis Aqui Traveiz. 

Além de apresentações da perfomance, a atuadora Tânia Farias participará de debates e seminários com teatreiros Latino Americanos e Caribenhos e também de um bate papo sobre publicações teatrais, apresentando ao Festival a Cavalo Louco – a Revista de Teatro da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz.


Sobre o Festival:

“Não se pode compreender a cena Latino Americana contemporânea, sem refletir sobre o papel do Teatro de Grupo. Ao tratar de uma noção que transmuta em categoria, sobrepassa seu sentido literal, alusivo a natureza coletiva do teatro que afeta a todas as suas formas de organização. Neste caso implica o compromisso com uma ética por parte do ator, formas singulares de participação e da relação entre indivíduo e coletivo, assim como especificidades nos procedimentos e perspectivas de trabalho criador que envolvem a todos os integrantes e as múltiplas disciplinas em jogo, cruzadas e compartilhadas de inúmeros modos”.


“Evocando os mortos – Poéticas da Experiência”

A desmontagem “Evocando os mortos – Poéticas da experiência” refaz o caminho do ator na criação de personagens emblemáticos da dramaturgia contemporânea. Constitui um olhar sobre as discussões de Gênero, abordando a violência contra a mulher em suas variantes, questões que passaram a ocupar centralmente o trabalho de criação do grupo Ói Nóis Aqui Traveiz.

Seguindo a linha de investigação sobre teatro ritual de origem artaudiana e performance contemporânea a desmontagem de Tânia Farias propõe um mergulho num fazer teatral onde o trabalho autoral do ator condensa um ato real com um ato simbólico, provocando experiências que dissolvam os limites entre arte e vida e ao mesmo tempo potencializem a reflexão e o autoconhecimento.

Desvelando os processos de criação de diferentes personagens, criadas entre 1999 e 2011 a atriz deixa ver quanto as suas vivências pessoais e do coletivo Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz atravessam os mecanismos de criação. A ativação da memória corporal, fazendo surgir e desaparecer as personagens.
Realizando uma espécie de ritual de evocação de seus mortos para compreensão dos desafios de fazer teatro nos dias de hoje.

Fotos Rafael Saes