segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Exercício Cênico: “A Mais-Valia Vai Acabar, seu Edgar!”


Nos dias 23 (15h) e 27 de setembro (16h) no Paço Municipal (em frente à Prefeitura Municipal de Porto Alegre) a Oficina de Teatro de Rua Arte e Política, da Escola de Teatro Popular da Terreira da Tribo irá apresentar o exercício cênico “A Mais-Valia Vai Acabar, seu Edgar!”. 
As apresentações fazem parte da programação da Mostra Ói Nóis Aqui Traveiz: Jogos de Aprendizagem 2016. 

O “Exercício Cênico: A Mais-Valia Vai Acabar, seu Edgar!” tem a coordenação de Paulo Flores, e traz no elenco os oficinandos: Aline Ferraz, Arthur Haag, Claudia Beatriz Severo, Clarissa Lukianski Pacheco, Daniel Steil, Daviana Maite Suárez, Gabriel Salcedo Botelho, Hariagi Borba Nunes, Helen Meireles Sierra, Jana Alichala Farias, Leticia Virtuoso, Liana Alice Corrêa, Lucas Gheller, Lucas Maciaseki, Mayura Matos, Mariana Maciel Stedele, Matheus Coelho Camini, Maura Nascimento, Pacha Corbo Junqueira, Raphael Costa Santos, Tiana Godinho de Azevedo e Victoria Silva.



TERREIRA DA TRIBO DE ATUADORES
ÓI NÓIS AQUI TRAVEIZ

A Terreira da Tribo acredita na importância da função social do artista, e pretende que essa formação favoreça a emergência do artista competente não apenas no seu ofício, mas também preocupado com o seu desempenho como cidadão.
A Escola de Teatro Popular da Terreira da Tribo oferece anualmente, de forma aberta e gratuita, oficinas de iniciação teatral, pesquisa de linguagem, formação e treinamento de atores.



A Mais-Valia Vai Acabar, seu Edgar!

Escrita em 1960 e apresentada no ano seguinte, a peça de Vianinha, por meio do humor, desenvolve a condição de explorador do capitalista e a situação de espoliado do operário, no âmbito material, moral, emocional, sexual, etc. No desenrolar do espetáculo, os operários passam a conhecer sua situação por meio da ´teoria da mais-valia´, que possibilitará a tomada de consciência e a organização da classe, permitindo, no futuro, sua emancipação. As personagens são categorias sociais (os Desgraçados e os Capitalistas), que vivenciam, no palco, por intermédio de ´esquetes´, situações nas quais a opressão se manifesta didaticamente. Vianinha, para tanto, lançou mão de vários recursos técnicos que desenvolvidos no teatro de agitação de Erwin Piscator, na Alemanha dos anos 20, e que hoje fazem parte da história da encenação ocidental. Procurou romper alguns dos limites estabelecidos entre palco e platéia, além de utilizar, na composição das personagens, ´gestos´ que se tornaram clássicos no que se refere ás proposições do ´teatro épico´. Nas palavras do próprio autor “a mais-valia contém a divisão do trabalho manual e intelectual, a concentração demográfica, a guerra, a desnecessidade da existência dos outros. Procurei explicar a mais-valia de maneira primária, que só de maneira primária a conheço. A mais-valia vale um teatro político e circunstancial. A mais-valia vai acabar.” A encenação da peça permite a identificação do perfil didático do texto, várias são as cenas que guardam explicações e comentários a respeito da mais-valia e das condições desumanas resultantes de seu processo de obtenção. A conotação pedagógica possui, um objetivo claro, estimular a reflexão crítica e a atitude contestadora. De fato, ao colocar frente a frente “capitalistas” e “desgraçados”, os primeiros apoiados em justificativas para as desigualdades sociais, os outros sofrendo os danos de uma condição opressiva tomada como dada, alternando aceitação passiva com desejos de libertação, Oduvaldo Vianna Filho provoca reações, derruba crenças, mobiliza a parte explorada desta relação em prol de uma reformulação das mediações de trabalho e, em conseqüência, da sociedade. Um dos “desgraçados” ilustra tal proposição: “precisamos descobrir imediatamente de onde vem essa dor, essa raiva enrugada, o macacão que não sai do meu corpo.” A personagem sai então em busca de respostas. E as encontra: “nossa força de trabalho é mercadoria. E sabe quanto vale? O tempo de trabalho que leva pra fazer ela. [...] Isso vale duas horas. Você trabalha oito. As seis horas que sobram eles embolsam”. Os “capitalistas” reagem, valendo-se de seus discursos: “isso tudo é mentira que contaram pra vocês. Nós temos nossos cientistas, economistas, puxa-saquistas que estudaram e pensaram... E agora vocês – meia dúzia de gatos pingados, suados, mijados – com essa história?” Mas a reação não surte efeito, uma vez que o “desgraçado”, amparado pela sua descoberta, já não se curva ante as verdades oficiais, sacramentando, assim, a ambição do autor:  “precisamos contar pra todo mundo. Precisamos pensar mais e descobrir como as coisas são. Vamos contar, falar, cantar, berrar, sussurrar, esfregar [...] Fomos nós que fizemos tudo isso [...] Essa avenida é tua, essa casa é tua, como o sol, o mar que é seu, meu, do Abreu...” 

A Mostra Ói Nóis Aqui Traveiz: Jogos de Aprendizagem é um compartilhamento do processo pedagógico colocado em prática pela Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz através dos exercícios cênicos criados nas Oficinas Populares de Teatro dentro da ação Teatro Como Instrumento de Discussão Social e da Escola de Teatro Popular da Terreira da Tribo.

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