segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Aos que virão depois de nós!

I

Eu vivo em tempos sombrios.

Uma linguagem sem malícia é sinal de

estupidez,

uma testa sem rugas é sinal de indiferença.

Aquele que ainda ri é porque ainda não

recebeu a terrível notícia.



Que tempos são esses, quando

falar sobre flores é quase um crime.

Pois significa silenciar sobre tanta injustiça?

Aquele que cruza tranqüilamente a rua

já está então inacessível aos amigos

que se encontram necessitados?



É verdade: eu ainda ganho o bastante para viver.

Mas acreditem: é por acaso. Nado do que eu faço

Dá-me o direito de comer quando eu tenho fome.

Por acaso estou sendo poupado.

(Se a minha sorte me deixa estou perdido!)



Dizem-me: come e bebe!

Fica feliz por teres o que tens!

Mas como é que posso comer e beber,

se a comida que eu como, eu tiro de quem tem fome?

se o copo de água que eu bebo, faz falta a

quem tem sede?

Mas apesar disso, eu continuo comendo e bebendo.


Eu queria ser um sábio.

Nos livros antigos está escrito o que é a sabedoria:

Manter-se afastado dos problemas do mundo

e sem medo passar o tempo que se tem para

viver na terra;

Seguir seu caminho sem violência,

pagar o mal com o bem,

não satisfazer os desejos, mas esquecê-los.

Sabedoria é isso!

Mas eu não consigo agir assim.

É verdade, eu vivo em tempos sombrios!


II

Eu vim para a cidade no tempo da desordem,

quando a fome reinava.

Eu vim para o convívio dos homens no tempo

da revolta

e me revoltei ao lado deles.

Assim se passou o tempo

que me foi dado viver sobre a terra.

Eu comi o meu pão no meio das batalhas,

deitei-me entre os assassinos para dormir,

Fiz amor sem muita atenção

e não tive paciência com a natureza.

Assim se passou o tempo

que me foi dado viver sobre a terra.



III


Vocês, que vão emergir das ondas

em que nós perecemos, pensem,

quando falarem das nossas fraquezas,

nos tempos sombrios

de que vocês tiveram a sorte de escapar.



Nós existíamos através da luta de classes,

mudando mais seguidamente de países que de

sapatos, desesperados!

quando só havia injustiça e não havia revolta.



Nós sabemos:

o ódio contra a baixeza

também endurece os rostos!

A cólera contra a injustiça

faz a voz ficar rouca!

Infelizmente, nós,

que queríamos preparar o caminho para a

amizade,

não pudemos ser, nós mesmos, bons amigos.

Mas vocês, quando chegar o tempo

em que o homem seja amigo do homem,

pensem em nós

com um pouco de compreensão.


Bertolt Brecht


Resistiremos!
#ForaTemer!


domingo, 4 de dezembro de 2016

Jogos de Aprendizagem 2016!!!


Pare encerrar o ano potencializando os encontros, nos dias 14 e 15 de dezembro, a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz realiza na Terreira da Tribo a Mostra Ói Nóis Aqui Traveiz Jogos de Aprendizagem – 2016. Entrada Franca, sempre às 20h. Distribuição de senhas 30 minutos antes das apresentações.

No dia 14/12 teremos a apresentação do Exercício Cênico “A Mais Valia Vai Acabar Seu Edgar” da Oficina de Teatro de Rua Arte e Política e também do Exercício Cênico “O Canto da Sereia” da Oficina Popular de Teatro do bairro São Geraldo.

No dia 15/12 teremos a apresentação do espetáculo “O Anjo do desespero” com direção e atuação de Gilmar Fagundes.

A Mostra Ói Nóis Aqui Traveiz: Jogos de Aprendizagem é um compartilhamento do processo pedagógico colocado em prática pela Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz através dos exercícios cênicos criados nas Oficinas Populares de Teatro dentro da ação Teatro Como Instrumento de Discussão Social e da Escola de Teatro Popular da Terreira da Tribo.


A Mais-Valia Vai Acabar, seu Edgar!

O “Exercício Cênico: A Mais-Valia Vai Acabar, seu Edgar!” tem a coordenação de Paulo Flores, e traz no elenco os oficinandos: Aline Ferraz, Arthur Haag, Claudia Beatriz Severo, Daniel Steil, Daviana Maite Suárez, Gabriel Salcedo Botelho, Hariagi Borba Nunes, Helen Meireles Sierra, Jana Alichala Farias, Leticia Virtuoso, Lucas Gheller, Mayura Matos, Mariana Maciel Stedele, Matheus Coelho Camini e Tiana Godinho de Azevedo.

Escrita em 1960 e apresentada no ano seguinte, a peça de Vianinha, por meio do humor, desenvolve a condição de explorador do capitalista e a situação de espoliado do operário, no âmbito material, moral, emocional, sexual, etc. No desenrolar do espetáculo, os operários passam a conhecer sua situação por meio da ´teoria da mais-valia´, que possibilitará a tomada de consciência e a organização da classe, permitindo, no futuro, sua emancipação. As personagens são categorias sociais (os Desgraçados e os Capitalistas), que vivenciam, no palco, por intermédio de ´esquetes´, situações nas quais a opressão se manifesta didaticamente. Vianinha, para tanto, lançou mão de vários recursos técnicos que desenvolvidos no teatro de agitação de Erwin Piscator, na Alemanha dos anos 20, e que hoje fazem parte da história da encenação ocidental. Procurou romper alguns dos limites estabelecidos entre palco e platéia, além de utilizar, na composição das personagens, ´gestos´ que se tornaram clássicos no que se refere ás proposições do ´teatro épico´. Nas palavras do próprio autor “a mais-valia contém a divisão do trabalho manual e intelectual, a concentração demográfica, a guerra, a desnecessidade da existência dos outros. 



Exercício cênico “O Canto da Sereia”

 “O Canto da Sereia” é uma obra curta do dramaturgo, ator e diretor colombiano Enrique Buenaventura, fundador do Teatro Experimental de Cali. A peça se passa na época da Guerra do Vietnã e conta a história de Carlos Barbosa, um jovem sonhador que decide abandonar sua família e sua cidade, nos confins da América Latina, para ir em busca de uma vida melhor nos Estados Unidos.

 Orientação: Marta Haas
 Orientação musical: Roberto Corbo

Oficinandos: Ademir Alves, Daniel Menezes, Diandra Tavares, Douglas Lunardi, Felipe Goldenberg, Jonatan Tavares, Jules Bemfica, Manoela Laitano Chaves, Márcio Leandro, Mariana Stedele, Mariliza Tavares, Miliana Sato, Natália Meneguzzi, Rafael Torres Fernandes, Savana Ferreira e Thali Bartikoskide 

 OFICINA POPULAR DE TEATRO DO BAIRRO SÃO GERALDO

A Oficina Popular de Teatro do Bairro São Geraldo existe desde 2009, quando a Terreira da Tribo mudou-se para a rua Santos Dumont. A partir de encontros semanais, o Ói Nóis Aqui Traveiz desenvolve no bairro um trabalho de criação de núcleo teatral. 


O Anjo do Desespero

Este trabalho é uma colagem de textos de Heiner Müller e Augusto dos Anjos. Dois escritores que viveram em épocas distintas, o primeiro no século XX e o segundo no século XIX, mas os escritores são confrontados com a maior das evidências da vida e do universo: a morte.
      
 A divulgação da poesia brasileira através de Augusto dos Anjos se faz necessária pois ele não é apenas um poeta da morte mas também um poeta da vida, do mistério do incogniscível. Um homem com uma visão de mundo cientificista nos últimos anos do século XIX. Augusto um porta-voz de todos os seres e não apenas do homem. Os meios acadêmicos o classificaram como Simbolista e também de Pré-Modernista. Augusto dos Anjos é inclassificável. 

Heiner Muller, dramaturgo alemão, com sua obra “A Missão” questiona a migração de idéias revolucionárias francesas vindas do continente europeu para o americano. Importante dramaturgo no cenário contemporâneo mundial. Muller incorpora as influências de Brecht e Artaud e como resultado sua obra nos possibilita criar novos parâmetros que dialogam com a história e as heranças da humanidade. 

Roteiro, direção  e atuação: Gilmar Fagundes
Elenco: Gilmar Fagundes e Felipe Farinha (convidado)



sábado, 3 de dezembro de 2016

Salve a TVE e a FM Cultura


A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz repudia a extinção da Fundação Cultural Piratini proposta pelo Governo do Estado e enviada para a Assembleia Legislativa em 21 de novembro de 2016. Essa proposta significa o fim da TVE e da FM Cultura, importantes meios de comunicação públicos e de vocação democrática. 

Eles constituem um patrimônio inestimável na produção e difusão da cultura do estado. A TVE desempenha um papel singular na preservação e manutenção da memória das manifestações culturais do Rio Grande do Sul. Muitas imagens memoráveis da arte gaúcha não poderiam ser vistas, não fosse o enorme acervo audiovisual da TVE. 



As duas emissoras democratizam o espaço de comunicação e tornam acessível para diversos artistas, de curta ou longa trajetória, divulgar seu trabalho. Ambas levam para a população a produção gaúcha sem precisar passar pela triagem da lógica do mercado. 

Não queremos imaginar o ano que vem sem os sons dos Cantos do Sul da Terra, sem a Música Popular Brasileira, sem os questionamentos sociais do Nação, sem a ludicidade do Pandorga, sem as reportagens do Estação Cultura, dentre tantos outros programas de qualidade jornalística.

O Ói Nóis apoia a resistência dos trabalhadores da TVE e FM Cultura que lutam pela continuidade da Fundação Cultural Piratini!



#SalveTVEeFMCultura! 
#ForaTemer
#ForaSartori