segunda-feira, 13 de março de 2017

"Caliban - A Tempestade de Augusto Boal" pré estreia em Porto Alegre


Nos dias 14 (Praça da Alfândega) e 16 de março (Largo Glênio Peres), sempre às 16h a Tribo estará fazendo a pré estreia da sua mais nova criação coletiva para teatro de rua "Caliban - A Tempestade de Augusto Boal em Porto Alegre. Te esperamos! 

Foto: Pedro Isaias Lucas

(...) Para mim, o importante é que [o espetáculo]
seja feito com muita verdade, muita
sinceridade, muita cor, que pode até exagerar
um pouco, mas que fique claro, bem claro,
que somos belos porque somos nós, e nenhuma
cultura imposta é mais bela do que a
nossa. É preciso que fique claro que nós somos
Caliban" (BOAL, 1979).

Esta montagem já vem com importantes e merecidos financiamentos: foi contemplada com o Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz/2015 e faz parte do Projeto Caliban – Apontamentos sobre O Teatro de Nuestra América, selecionado pelo Rumos Itaú Cultural, um dos principais programas de fomento à cultura do país.

A peça terá sua estreia nacional dia 29 de março, na cidade de Campina Grande, na Paraíba, durante o lançamento do 20º Palco Giratório Sesc, que nesta edição comemorativa tem a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz como grupo homenageado. No Rio de janeiro, o espetáculo chega em maio, com sessões entre os dias 8 e 14, na capital e em Paraty. Já São Paulo recebe o grupo nos dias 02, 03 e 04 de agosto.

Impulsionada pela ideia de que “somos todos Caliban”, a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz propõe nesta encenação analisar criticamente a “tempestade” conservadora que sofre atualmente a América Latina, e, especialmente o grande retrocesso nos direitos sociais e na luta pela autonomia econômica, política e cultural que vivemos no Brasil. A encenação é criada a partir do texto “A Tempestade” de Boal, escrita pelo autor no exílio em 1974, período em que os movimentos sociais latino-americanos sofriam uma grande derrota frente ao imperialismo estadunidense e eram terrivelmente reprimidos pelas ditaduras civil-militares. A Tribo, sem trair a sua vocação artística, quer com o seu teatro de rua instaurar a alegria e a indignação nos seus milhares de espectadores.

A peça de Boal é uma resposta ao clássico “A Tempestade” de William Shakespeare. A história é vista pela perspectiva de Caliban, metáfora dos seres humanos originários da América que foram dizimados e escravizados pelos invasores colonizadores representados pelo personagem Próspero. Na versão de Boal, Próspero é tão perverso quanto os nobres europeus que usurparam o seu poder. Todos representam a violenta dominação colonial e cultural. A filha de Próspero, Miranda, e o príncipe de Nápoles, Fernando, fazem uma aliança não por amor como na peça de Shakespeare, mas sim por interesses capitalistas. Ariel, o “espírito do ar”, representa o artista alienado, mescla de escravo e mercenário a serviço da ordem constituída. Somente Caliban se revolta até ser, finalmente, derrotado. Os vilões permanecem na “ilha tropical” para escravizá-lo. Mesmo escravo, Caliban resiste. Como em todo bom teatro político, o público deve perceber que os símbolos da obra remetem à realidade, para despertar neles – emotiva e racionalmente – uma resposta crítica fora da ficção. Caliban simboliza hoje a resistência ao neo-colonialismo.

Para seduzir o púbico anônimo e passageiro das ruas das cidades, a criação coletiva do Ói Nóis Aqui Traveiz investe em um movimento de cena dinâmico com personagens excêntricos, utilizando adereços e figurinos impactantes com máscaras e bonecos. A narração da fábula é toda influenciada pela música, o canto e a dança. Mesclando os movimentos do coro com ações acrobáticas, cenas de humor irreverente e personagens clownescos com uma narrativa épica, “Caliban – A Tempestade de Augusto Boal” reflete alegoricamente a nossa sociedade. Resultado de uma pesquisa que procurou a criação de uma linguagem de signos capazes de transmitir uma emoção poética. O teatro de rua do Ói Nóis Aqui Traveiz pretende surpreender, sensibilizar e conquistar a empatia dos mais diversos públicos trazendo para cena uma estética e uma ética libertária.

“Caliban – A Tempestade de Augusto Boal”, criação coletiva da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, tem música de Johann Alex de Souza e traz no elenco os atuadores Roberto Corbo, Clélio Cardoso, Paula Carvalho, Keter Atácia, Pascal Berten, Marta Haas, Eugênio Barboza, Tânia Farias, Paulo Flores, Eduardo Arruda, Júlio Kaczam, André de Jesus, Márcio Leandro, Leticia Virtuoso, Mayura Matos, Luana Rocha, Lucas Gheller, Thales Rangel, Dal Vanso, Daniel Steil, Alex Pantera e Jana Farias.


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