quinta-feira, 22 de junho de 2017

Oficina de Teatro de Rua - Arte e Política abre inscrições

OFICINA DE TEATRO DE RUA
Arte e Política

Segundas, terças, quintas e sextas-feiras
das 19 às 22 horas
de 24 de julho  a  29 de dezembro de 2017

Cláudio Etges

Inscrições  de 26 de junho a 6 de julho de 2017

de segundas a sextas-feiras
das 19 às 22 horas

na Terreira da Tribo

Rua Santos Dumont 1186

Fone 30281358

terreira.oinois@gmail.com

www.oinoisaquitraveiz.com.br

gratuita e aberta a todos interessados a partir dos 18 anos

ESCOLA DE TEATRO POPULAR DA TERREIRA DA TRIBO DE ATUADORES ÓI NÓIS AQUI TRAVEIZ

OFICINA DE TEATRO DE RUA

Arte e Política

A Oficina de Teatro de Rua – Arte e Política da Tribo de Atuadores Òi Nóis Aqui Traveiz abordará os princípios básicos do teatro político e popular com a perspectiva que a rua seja palco de um teatro que se assuma como um constante repensar da sociedade, motivando uma releitura da vida cotidiana. Investigará o movimento, o gesto e a voz para a ampliação do corpo do ator e a ocupação do espaço urbano, proporcionando experimentação de linguagens para o desenvolvimento de personagens, situações, fábulas. Trabalhará elementos e recursos plásticos e musicais que auxiliam a criação poética da cena na rua.


As aulas da Oficina de Teatro de Rua – Arte e Política serão ministradas na Terreira da Tribo (Rua Santos Dumont, 1186) e será desenvolvida de 24 de julho a 29 de dezembro de 2017, segundas, terças, quintas e sextas-feiras, das 19 às 22 horas. O resultado da seleção será divulgado a partir das 14 horas do dia 17 de julho de 2017.



Cláudio Etges

TERREIRA DA TRIBO

A Terreira da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz acredita na importância da função social do artista, e pretende que essa formação favoreça a emergência do artista competente não apenas no seu ofício, mas também preocupado com a sua atuação como cidadão.

A Escola de Teatro Popular da Terreira da Tribo dentro da sua proposta de trabalho realiza anualmente seminários, ciclos de debates e oficinas de iniciação teatral, pesquisa de linguagem e treinamento do ator.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Lista de selecionados para oficinas do V Festival de Teatro Popular - Jogos de Aprendizagem


Os selecionados deverão comparecer quinze minutos antes do início das oficinas, com uma roupa confortável para a realização de trabalho físico/prático.

Local das oficinas: Terreira da Tribo (Rua Santos Dumont, 1186 - São Geraldo).

Boa oficina a todos! 

Oficina de Criação Teatral - Grupo Malayerba
Oficina teórico-prática -  19, 20 e 21 de junho, das 9h às 12h - Terreira da Tribo



Selecionados:

- Antonella Fernández Pabón
- Cláudia Machado
- Daviana Suarez
- Diandra Tavares
- Elisa Henriques
- Felipe Fiorenza
- João Petrillo
- Julia Elvira Stubrin
- Keter Atácia Velho
- Liana Aice
- Lucas Fiorindo
- Marcel Matiazi
- Márcio Leandro
- María Noelia Reda
- Mariana Stedele
- Mariliza Genesini Tavares,
- Mayura Matos
- Pacha Inca
- Patricia dos Santos Silveira
- Raphael Costa Santos
- Rebeca Menegazzo
- Roberta Millarch
- Sofía Gerboni
- Stella de Miranda
- Vinicius Huggy

O nascimento de um texto teatral até o momento em que é interpretado, considerando a memória e o imaginário do autor e também dos atores é o ponto de partida da oficina do Malayerba. Serão três dias focados nas trocas de aprendizagem, sem julgamento nem hierarquização do conhecimento. É necessário levar roupas confortáveis, para o trabalho corporal e caderno para anotações. O laboratório de criação teatral será conduzido por Gerson Guerra, Arístides Vargas e Charo Francés.


Moçambique, histórias de A a Zinco - Klemente Tsamba
Oficina teórico-prática – 22 e 23 de junho, das 9h às 12h - Terreira da Tribo



Selecionados:

- André de Jesus
- Anildo Böes
- Arthur Côrtes
- Caroline Falero
- Daniel Gustavo Oliveira Gonçalves
- Diandra Tavares
- Échelen Vaz 
- Elisa Henriques
- Fernanda de Lannoy Stürmer
- Gabriel Abrantes Sarturi 
- Keter Atácia Velho
- Liana Alice
- Lucas Fiorindo
- Marcel Matiazi
- Márcio Leandro
- Mariana Stedele
- Natália Meneguzzi
- Pâmela Cassiele
- Rebeca Menegazzo 
- Rita Rosa
- Roberta Millarch

Esta oficina percorre a história de Moçambique desde os Tempos de Gungunhana (1885) até aos dias de hoje, destacando a tradição cultural dos povos do sul, abordando os rituais, as línguas tradicionais, os ritmos, as danças, os cânticos, entre outras. O objetivo é apresentar ao Brasil as várias expressões artísticas ligadas a cultura tradicional moçambicana que são a base do teatro local e, simultaneamente desafiar o público da lusofonia, a identificar pontes em comum, base para um diálogo intercultural positivo. A oficina será dividida em dois momentos: a primeira parte será dedicada a exposição da cultura do sul de Moçambique. Na segunda parte serão desenvolvidos jogos performativos baseados no teatro comunitário africano e apresentados depois em forma de esquetes.

terça-feira, 13 de junho de 2017

Vem aí o V Festival de Teatro Popular - Jogos de Aprendizagem!!!

Grupos do Equador, Brasil e Argentina, intervenções artísticas e ações formativas chamam a atenção para um teatro não comercial e não convencional



A quinta edição do Jogos de Aprendizagem, um dos mais representativos festivais do Rio Grande do Sul na atualidade, reunirá mais de vinte apresentações teatrais em três mostras artísticas de onze companhias nacionais e internacionais. A Mostra de Espetáculos homenageia o grande escritor e diretor argentino Arístides Vargas, apresentando quatro obras do dramaturgo encenadas por companhias da Argentina, do Brasil e do Equador. O próprio Arístides e seu Grupo Malayerba vão acompanhar toda a programação, além de apresentar duas obras e ministrar um workshop de criação teatral. A mostra ainda reúne diferentes produções do Brasil, Costa Rica/Argentina, Cuba e Moçambique/Portugal que se propõem a discutir aspectos da identidade ibero-americana, mergulhando em histórias e lendas das culturas originárias e o processo de colonização europeia. A abertura do festival será no dia 16, às 20h, no Theatro São Pedro com o grupo Malayerba apresentando a peça ‘Instrucciones para abrazar el aire’. A peça conta a reconstrução de certos acontecimentos em uma casa na cidade de La Plata, Argentina, em 1976. O V Festival de Teatro Popular – Jogos de Aprendizagem é uma realização da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz e conta com patrocínio da CAIXA e apoio do Fundo Iberescena.

O projeto nasceu em 2010 do desejo de dialogar com outros grupos brasileiros e latino-americanos e oferecer um palco para o teatro popular em Porto Alegre, dar visibilidade e reconhecimento à produção artística de grupos teatrais de longa trajetória, comprometidos com sua comunidade de origem, o panorama sócio-político latino-americano e a constante pesquisa estética. Além dos espetáculos, o festival se desdobra em oficinas, debates, mostra pedagógica, mostra de desmontagens e o lançamento da edição anual da revista Cavalo Louco e feira itinerante de publicações relacionadas às artes cênicas. 

A Mostra de Desmontagens contará com a presença de renomados artistas brasileiros e latino-americanos, que trarão para o festival suas experiências de criação teatral em forma de Desmontagens Poéticas. A ‘desmontagem‘ é um conceito relativamente novo no âmbito das artes cênicas que constitui uma análise e desconstrução do próprio trabalho artístico e, ao mesmo tempo, é obra de arte. A Mostra Pedagógica apresentará trabalhos criados a partir de oficinas e processos de formação de diversos grupos e entidades locais. Essa mostra possibilita ricas trocas de aprendizado entre os artistas presentes. 

Confira a programação completa abaixo. 

ESPETÁCULOS

16 de junho 
20h - Instrucciones para abrazar el Aire / Teatro Malayerba (Equador)
Theatro São Pedro - Pça. Mal. Deodoro, s/n – Centro


17 de junho
20h - Flores Arrancadas a la Niebla / Línea Roja (Argentina) 
Theatro São Pedro - Pça. Mal. Deodoro, s/n – Centro


18 de junho
15h - Caliban – A Tempestade de Augusto Boal / Ói Nóis Aqui Traveiz (Brasil) 
Parque da Redenção 

20h - Flores Arrancadas a la Niebla / Línea Roja (Argentina) 
Theatro São Pedro - Pça. Mal. Deodoro, s/n – Centro


19 de junho
20h - Nos tempos de Gungunhana / Klemente Tsamba (Portugal/Moçambique)
Teatro Renascença - Av. Erico Veríssimo, 307 – Bairro Menino Deus


20 de junho
20h - Hoje Sou Hum; Amanhã Outro  / Ubando Grupo (Brasil) 
Teatro Bruno Kiefer - Rua dos Andradas, 736 – Centro

20h - Nos tempos de Gungunhana / Klemente Tsamba (Portugal/Moçambique) 
Associação Núcleo Esperança - Av. João Antônio da Silveira, 2500 – Bairro Restinga


21 de junho
20h - Hojas de papel volando / Teatro La Rosa (Cuba) 
Teatro Renascença - Av. Erico Veríssimo, 307 – Bairro Menino Deus


22 de junho
18h - Id. Percursos / Lendê (Brasil) 
Teatro Carlos Carvalho / CCMQ - R. dos Andradas, 736 – Centro

20h - Nuestra Senhora de las Nuvens / Clowns de Shakespeare (Brasil) 
Teatro Dante Barone - Pça. Marechal Deodoro, 101 – Centro

20h – La Historia de Ixquic / Rubén Pagura (Argentina/Costa Rica) 
Teatro Bruno Kiefer / CCMQ - Rua dos Andradas, 736 – Centro


23 de junho
15h - AutoMákina  / De Pernas Pro Ar (Brasil) 
Largo Glênio Peres  

20h - Nuestra Senhora de las Nuvens / Clowns de Shakespeare (Brasil)
Teatro Dante Barone - Pça. Marechal Deodoro, 101 – Centro

20h - Hojas de papel volando  / Teatro La Rosa (Cuba) 
Centro Cultural James Kulisz - Av. Joaquim Porto Villanova, 143 – Bairro Bom Jesus 


24 de junho
20h - La Razón Blindada / Teatro Malayerba (Equador) 
SESC Canoas  - Av. Guilherme Schell, 5340 – Centro, Canoas

20h - La Historia de Ixquic / Rubén Pagura (Argentina/Costa Rica) 
Bairro Humaitá - R. Dona Teodora, 1250


25 de junho
15h - Caliban – A Tempestade de Augusto Boal / Ói Nóis Aqui Traveiz (Brasil) 
Parque da Redenção  

DEBATES

Conversando com Arístides Vargas 
17 de junho, 15h - Terreira da Tribo

Arístides Vargas é dono de uma poética singular, de alto valor literário, carregado de metáforas que transformam a visão do cotidiano. O artista trata frequentemente do processo de exílio argentino. Nesta mesa falará sobre a sua trajetória e seu grupo, as visões e as inquietações que movem sua obra e vida como ator, diretor e dramaturgo. A mediação fica por conta de Tânia Farias, atuadora do Ói Nóis Aqui Traveiz.

Teatro, resistência e aprendizagem 
21 de junho, 21h - no SESC Canoas 

Visando o panorama conservador que toma conta da América Latina, este debate tem como proposta questionar que papel a aprendizagem teatral e a formação de artistas-cidadãos podem desempenhar enquanto forma de resistência. Serão discutidos distintos processos de aprendizagem teatral e seus princípios éticos. Participam do debate artistas convidados pelo Festival de Teatro Popular com experiência no trabalho artístico-pedagógico. A atuadora e mestranda em Pedagogia pela UFRGS, Marta Haas, do grupo Ói Nóis Aqui Traveiz, fará a mediação do evento.


OFICINAS
*As inscrições para oficinas devem ser feitas através do e-mail festivaldeteatropopular@gmail.com, 
 Com o envio de carta de intenção (a partir de 16 anos).

Oficina de Criação Teatral - Grupo Malayerba
Oficina teórico-prática -  19, 20 e 21 de junho, das 9h às 12h - Terreira da Tribo

O nascimento de um texto teatral até o momento em que é interpretado, considerando a memória e o imaginário do autor e também dos atores é o ponto de partida da oficina do Malayerba. Serão três dias focados nas trocas de aprendizagem, sem julgamento nem hierarquização do conhecimento. É necessário levar roupas confortáveis, para o trabalho corporal e caderno para anotações. O laboratório de criação teatral será conduzido por Gerson Guerra, Arístides Vargas e Charo Francés.

Moçambique, histórias de A a Zinco - Klemente Tsamba 
Oficina teórico-prática – 22 de junho, das 9h às 12h - Terreira da Tribo

Esta oficina percorre a história de Moçambique desde os Tempos de Gungunhana (1885) até aos dias de hoje, destacando a tradição cultural dos povos do sul, abordando os rituais, as línguas tradicionais, os ritmos, as danças, os cânticos, entre outras. O objetivo é apresentar ao Brasil as várias expressões artísticas ligadas a cultura tradicional moçambicana que são a base do teatro local e, simultaneamente desafiar o público da lusofonia, a identificar pontes em comum, base para um diálogo intercultural positivo. A oficina será dividida em dois momentos: a primeira parte será dedicada a exposição da cultura do sul de Moçambique. Na segunda parte serão desenvolvidos jogos performativos baseados no teatro comunitário africano e apresentados depois em forma de esquetes.


MOSTRA DESMONTAGENS 

Evocando os Mortos, com Tânia Farias 
19 de junho, 18h - Sala Álvaro Moreira / Centro Municipal de Cultura Lupicínio Rodrigues

Foto: Rafael Saes

Expondo os processos de criação de diferentes personagens, criadas entre 1999 e 2011, a atriz Tânia Farias mostra quanto as suas vivências pessoais e de seu grupo, a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, atravessam os mecanismos de criação. Através da ativação da memória corporal, a atriz faz surgir e desaparecer as personagens, realizando uma espécie de ritual de evocação de seus mortos para compreensão dos desafios de fazer teatro nos dias de hoje. A performance constitui um olhar sobre as discussões de gênero, abordando a violência contra a mulher em suas variantes, e também sobre a importância do autoconhecimento no processo criativo.


Flores arrancadas a la Niebla, com Grupo Línea Roja
20 de junho, 18h - Teatro Carlos Carvalho/ CCMQ

Foto: Fiorella Corona


O grupo argentino Línea Roja apresenta a desmontagem da peça ‘Flores arrancadas a la Niebla’, que  aborda a experiência sobre a migração. A história desta desmontagem é a tentativa de arrancar da neblina do esquecimento um trajeto que pouco a pouco vai se desenhando, na medida em que foram ganhando vida, cada vez com mais intensidade, nas personagens Raquel, Aída e um cello. A desmontagem retrata a história de um encontro de diferentes técnicas encarnadas no corpo de duas atrizes e uma diretora, consequência de caminhos teatrais diferentes. O encontro com uma dramaturgia sonora, com um instrumento que se converte em uma nova personagem que entra para dialogar com as duas personagens.


SerEstando Mulheres, com Grupo LUME Teatro
21 de junho, 18h - Teatro Carlos Carvalho/ CCMQ

Arthur Amaral


Em sua busca por ser-estar na cena, a atriz Ana Cristina Colla, ao longo de seus mais de 20 anos de pesquisa junto ao grupo LUME Teatro, visitou pessoas, cidades, mestres, recantos. Entre encontros e confrontos, foi aperfeiçoando seu fazer teatral, passando pela mímesis das corporeidades, visitando o Butoh, como portas para a própria singularidade. Nesse espetáculo a atriz narra através das imagens que cria e corporifica, seu saber impresso no corpo.


MOSTRA PEDAGÓGICA

- Abertura com o espetáculo "Mãe Preta" do grupo Pode Ter Inço no Jardim, seguido da " Mostra de Processos" com apresentações de diversos trabalhos/  19 de junho, 20h - no Sesc Canoas
- Os Sinos da Candelária / 20 de junho, 20h - SESC Canoas
- O Canto da Sereia / 21 de junho, 20h, no Sesc Canoas
- A Mais-Valia vai acabar, Seu Edgar! / 22 de junho, 12h - Calçadão de Canoas
- Processo Mahagonny - Grupo Trilho / 22 de junho, 19h - Travessa dos Cataventos
- A Mais-Valia vai acabar, Seu Edgar! / 24 de junho, 14h - Praça Oliveira Rolim. Bairro Sarandi
- Qorpo-Santo Re-Cortado / 24 de junho, 18h - Terreira da Tribo


Mãe Preta/Mãe África
Espetáculo de Abertura da Mostra
Dia 19/06 (segunda-feira)
20h, SESC Canoas

Mãe Preta/Mãe Africa
O projeto Mãe Negra / Mãe África, propõe encenar músicas e poesias, criando uma ponte entre esses elementos e a temática africana, relacionando o processo criativo às mães pretas brasileiras (amas de leite) à mãe África, berço da raça humana e palco das nossas primeiras expressões culturais. Criando dessa forma um espetáculo que retrate o teatro negro, a história negra.

Criação e atuação: Duda Máximo e João Maximo

Grupo Pode ter Inço no Jardim

O Grupo Pode ter Inço no Jardim é um grupo independente, fundado em 1983 com a direção de João Máximo, que tem por objetivo levar a arte a todas as camadas sociais em todos os espaços onde houver público, razão do nosso trabalho, com uma proposta de teatro essência, popular e revolucionário.



Exercício Cênico livremente inspirado na obra “Arena Conta Zumbi”
Dia 19/06 (segunda-feira)
20h, SESC Canoas

Arena conta Zumbi
Foto: Lala Gheller

Exercício Cênico livremente inspirado na obra “Arena Conta Zumbi”
Durante muito tempo, até praticamente o final do século XX, a elite brasileira soube relegar Palmares ao quase esquecimento. O quadro começou a mudar durante a ditadura, quando falar de Palmares se tornou uma maneira metafórica de alimentar a luta pela liberdade.
O Quilombo dos Palmares que resistiu por mais de cem anos, ao longo do século XVII não pertence ao passado. Zumba, Zumbi e Dandara ocupam, no Brasil, o lugar que a luta dos negros nos Estados Unidos destinou a Malcolm X e Martin Luther King. Mas seria um equívoco imaginar que Palmares, seus reis e princesas são um patrimônio somente do povo negro. Não. Eles são um patrimônio do povo brasileiro. Do verdadeiro povo brasileiro, não o mito europeizado construído pelas elites, mas a imensa maioria miscigenada por séculos de lutas contra a segregação racial, a opressão de gênero e a exploração da força de trabalho. O povo que existe e resiste nas ruas, nas favelas, no campo e na barbárie urbana.
Inspirada nessas ideias a Oficina Popular de Teatro da cidade de Canoas vem desenvolvendo sua pesquisa, a partir do texto Arena Conta Zumbi (1965) de autoria de Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri.
O Brasil mais uma vez está sendo abalado por um terrível golpe e passando por diversos retrocessos políticos e sociais. Diariamente vemos nossos parcos direitos conquistados serem arbitrariamente negados e corrompidos, por isso, mais do que nunca falar sobre liberdade e resistência nos pareceu tão importante.

Orientação: Paula Carvalho
Com: Duda Máximo, Raquel Amsberg de Almeida, Sirlândia Gheller, Barbara Hoch, Roberta Carolina, Jana Farias, Lilith Antifa, Dijean Bueno, Raphaël Costa, Tiana Moon, Carolina Vargas Vedoy, Edson Nogueira, Clarice Ribas e Isabella Paiva.

Elementos e máscaras da artista plástica e desenhista de moda Lala Gheller. 



Polianthes Tuberosa ou Haste Dourada

Dia 19/06 (segunda-feira)

20h, SESC Canoas

Polianthes Tuberosa ou Haste Dourada

Um pequeno protesto em forma de dança/performance a fim de erguer uma voz há muito tempo discriminada.
Criação e atuação: Rochelle Silveira

Exercício Cênico “Os Sinos da Candelária”
Dia 20/06 (terça-feira)
20h, SESC Canoas
Os Sinos da Candelária
 Com a Oficina Popular de Teatro da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz na cidade de Canoas.
Em 1993 o Rio de Janeiro foi sacudido por um crime covarde, onde crianças foram assassinadas enquanto dormiam em frente à Igreja da Candelária. Este fato originou a peça “Os Sinos da Candelária” da escritora e compositora Aurea Charpinel. E é sobre este texto teatral que a Oficina Popular de Teatro da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz na cidade de Canoas vem desenvolvendo o seu trabalho no ano de 2013/2014, abordando uma das questões mais agudas da exclusão social no Brasil – o menor abandonado.

Adaptação livre do texto de Aurea Charpinel a peça traz para cena esses meninos e meninas de rua no seu cotidiano, personagens reais trazendo no corpo e na alma a marca da violência. Através de cenas do cotidiano – nas ruas e nas instituições do governo - a peça conta a história de um grupo de crianças e adolescentes nos dias que antecederam o Massacre da Candelária, culminando na cena de violência extrema que consternou o mundo “civilizado” e encheu de vergonha e tristeza os muitos brasileiros que não compactuam com este tipo de bestialidade.

Com: Duda Máximo, Lucas Gheller, Sirlandia Gheller, Thaynan Kraetzig, Janete Costa, Raquel Amsberg, Giovane Nunes, Júlio César Santos, Sara Oliveira, Yasmin Oliveira, Maria Senilda Oliveira, Jana Farias, Dijean Bueno, Bárbara Hoch, Roberta Carolina, Márcio Pereira, Raphaël Costa e Lilith Antifa.

Orientação: Paula Carvalho
Operação de som: Pascal Berten

Oficina Popular de Teatro de Canoas
A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz desenvolve desde dezembro de 2011, uma oficina teatral na Antiga Estação Férrea de Canoas. Espaço este, que permanece aberto há mais de 20 anos para atividades culturais, devido à resistência de diversos artistas para preservá-la. Á convite do grupo “Pode ter inço no Jardim”, a Tribo se soma aos artistas de Canoas na luta pela preservação da Estação Cultural.

A oficina reúne pessoas oriundas de diversos bairros da cidade, e ao longo desses anos desenvolveu diversas ações artísticas e realizou os exercícios cênicos “Bate Asas Bate”, “Os Sinos da Candelária” e atualmente está em processo de criação de um novo trabalho a partir do texto “Arena conta Zumbi”.


Exercício cênico “O Canto da Sereia”
Dia 21/06 (quarta-feira)
20h, SESC Canoas
O Canto da Sereia
Foto: Eugênio Barboza
O Canto da Sereia é uma obra curta do dramaturgo, ator e diretor colombiano Enrique Buenaventura, fundador do Teatro Experimental de Cali. A peça se passa na época da Guerra do Vietnã e conta a história de Carlos Barbosa, um jovem sonhador que decide abandonar sua família e sua cidade, nos confins da América Latina, para ir em busca de uma vida melhor nos Estados Unidos.

Coordenação: Marta Haas
Orientação musical: Roberto Corbo

Oficinandos: Ademir Alves, Daniel Menezes, Diandra Tavares, Douglas Lunardi, Felipe Goldenberg, Jules Bemfica, Manoela Laitano Chaves, Márcio Leandro, Mariana Stedele, Mariliza Tavares, Miliana Sato, Natália Meneguzzi, Rafael Torres Fernandes, Savana Ferreira e Thali Bartikoski
Duração: 40 min
Classificação: livre

Oficina Popular de Teatro do Bairro São Geraldo
A Oficina Popular de Teatro do Bairro São Geraldo existe desde 2009, quando a Terreira da Tribo mudou-se para a rua Santos Dumont. A partir de encontros semanais, o Ói Nóis Aqui Traveiz desenvolve no bairro um trabalho de criação de núcleo teatral.


Exercício cênico "A Mais-Valia vai acabar, seu Edgar!"
Dia 22/06 (quita-feira)
12h Calçadão de Canoas

A Mais Valia Vai Acabar Seu Edgar
Foto: Fabiano Ávila


Escrita em 1960 a peça de Vianinha, por meio do humor, desenvolve a condição de explorador do capitalista e a situação de espoliado do operário em todos os âmbitos. No desenrolar da narrativa os operários passam a conhecer sua situação por meio da “teoria da mais-valia” que possibilitará a tomada de consciência e a organização da classe.

A Oficina de Teatro de Rua – Arte e Política tem orientação de Paulo Flores e faz parte da Escola de Teatro Popular da Terreira da Tribo. Aborda os princípios básicos do teatro político e popular com a perspectiva que a rua seja palco de um teatro que se assuma como um constante repensar da sociedade, motivando uma releitura da vida cotidiana.

Coordernação: Paulo Flores
Oficinandos: Aline Ferraz, Arthur Haag, Daniel steil, Daviana Maite Suárez, Hariagi Borba Nunes, Helen Meireles Sierra, Jana Alichala Farias, Leticia Virtuoso, Lucas Gheller, Mayura Matos, Mariana Maciel Stedele, Raphael Costa Santos e Tiana Godinho de Azevedo


V Festival de Teatro Popular – Jogos de Aprendizagem
De 16 a 25 de junho

Apresentação: Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz
Patrocínio: Caixa
Apoio: Fundo Iberescena, SESC Canoas, Prefeitura Municipal de Canoas/Secretaria de Cultura

Fotos das atrações do festival no link: https://flic.kr/s/aHskWAJgst


ESPETÁCULOS - sinopses

16 de junho 

20h - Instrucciones para abrazar el Aire / Teatro Malayerba (Equador)
Theatro São Pedro - Pça. Mal. Deodoro, s/n – Centro

Foto: Elena Vargas

A peça conta a reconstrução de certos acontecimentos em uma casa na cidade de La Plata, Argentina, em 1976. Mas não se trata de uma reconstrução ao pé da letra, trata-se de um documento ficcional, como é chamado pelo autor. Tudo começa com dois anciões que se perguntam por uma menina perdida no tempo e, no transcorrer das cenas, fica claro que se trata de sua neta, roubada na casa da rua 30, La Plata. Nesta casa se encontram dois cozinheiros que preparam coelho ao escabeche e vivem num caos.  Permanentemente fazem referências à menina, que joga no pátio da casa. Mais ainda: eles parecem ter saído da imaginação de uma menina. Em frente a casa, dois vizinhos temerosos e com bastante preconceitos em relação às atividades dos cozinheiros, observam a menina jogando.

17 de junho

20h - Flores Arrancadas a la Niebla / Línea Roja (Argentina) 
Theatro São Pedro - Pça. Mal. Deodoro, s/n – Centro

Foto: Matias Marcet

A peça aborda o tema da migração como um motor para aprofundar, ampliar e colocar de volta em primeiro plano uma situação tão atual que não deve ser esquecida. Deslocamentos, trânsito, passagens de fronteira legais e ilegais. A migração forçada é certamente uma das experiências de trânsito mais difíceis que a humanidade vem vivenciando ao longo das gerações, impulsionada pelo medo, pelo instinto de sobrevivência, pressionada e obrigada por forças externas, sejam elas de caráter político, social ou individual.  Este é o contexto que transforma o texto poético de Arístides Vargas em uma tragédia contemporânea, compartilhada por milhões de pessoas no mundo. A experiência da solidão, do desarraigamento, da violência da burocracia, do poder de um papel, o desamparo, a saudade. A experiência do não-lugar.

18 de junho

15h - Caliban – A Tempestade de Augusto Boal / Ói Nóis Aqui Traveiz (Brasil) 
Parque da Redenção 

Foto: Antônio Garcia Couto

Impulsionada pela ideia de que ‘somos todos Caliban‘, a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz analisa criticamente a ‘tempestade‘ conservadora que hoje sofre a América Latina, e especialmente o grande retrocesso nos direitos sociais e na luta pela autonomia econômica, política e cultural que vivemos no Brasil. A encenação é criada a partir do texto “A Tempestade” de Boal, escrita pelo autor no exílio, em 1974, período em que os movimentos sociais latino- americanos sofriam uma grande derrota frente ao imperialismo dos EUA e eram terrivelmente reprimidos pelas ditaduras civil-militares. A Tribo, sem trair a sua vocação artística, quer com o seu teatro de rua instaurar a alegria e a indignação nos seus espectadores. 

20h - Flores Arrancadas a la Niebla / Línea Roja (Argentina) 
Theatro São Pedro - Pça. Mal. Deodoro, s/n – Centro


19 de junho

20h - Nos tempos de Gungunhana / Klemente Tsamba (Portugal/Moçambique)
Teatro Renascença - Av. Erico Veríssimo, 307 – Bairro Menino Deus

Foto: Margareth Leite

Era uma vez um guerreiro da tribo Tsonga chamado Umbangananamani, que fora casado com uma linda mulher da tribo Macua, de nome Malice. Não tiveram filhos, mas tentaram muito. Este é o mote que dá início ao grande karingana ou conto tradicional sobre a vida de um simples guerreiro, mas que muito rapidamente se transforma numa sequência de outros pequenos karinganas, contados e cantados geralmente com a graça dos ritmos tradicionais de Moçambique. No entanto, este karingana, não tem nada a ver com Gungunhana! A montagem portuguesa que estará no Festival Jogos de Aprendizagem é baseada na tradição oral dos contadores de histórias africanos, onde um único elemento se desdobra em vários personagens para, com a cumplicidade do público, retratar alguns episódios mágicos paralelos à vida do célebre rei tribal moçambicano Gungunhana. O texto da peça é um recorte dos relatos de “Ualalapi”, obra premiada do escritor moçambicano Ungulani Ba Ka Khosa que resulta em um conjunto de histórias dentro de uma história, uma obra que parte de um tempo histórico e de uma cultura particular para depois seguir numa viagem universalista e sem fronteiras.

20 de junho

20h - Hoje Sou Hum; Amanhã Outro  / Ubando Grupo (Brasil) 
Teatro Bruno Kiefer - Rua dos Andradas, 736 – Centro

Foto: Vilmar Carvalho

A peça do célebre autor gaúcho Qorpo-Santo aborda as relações de poder e suas tramas, que acontecem no interior do palácio de um Reino Qualquer, enquanto o povo está se matando lá fora. Entre paranoias de conspiração e o ataque de outra nação, tudo muda para não mudar e o poder da classe dominante se perpetuar. O texto tange a farsa e vai da ironia fina ao sarcasmo, revelando a sua modernidade e o paralelo inevitável aos dias atuais. "Hoje Sou Hum; Amanhã Outro", surge com o desafio do coletivo de montar um texto de Qorpo-Santo, na íntegra, estabelecendo paralelos com a atualidade e, no âmbito da estética do nonsense. Está centrado no trabalho de atuação a partir da pesquisa do teatro físico.

20h - Nos tempos de Gungunhana / Klemente Tsamba (Portugal/Moçambique) 
Associação Núcleo Esperança - Av. João Antônio da Silveira, 2500 – Bairro Restinga

21 de junho

20h - Hojas de papel volando / Teatro La Rosa (Cuba) 
Teatro Renascença - Av. Erico Veríssimo, 307 – Bairro Menino Deus

Foto: Alejandro Marrero

Inspirado no livro de poesia homônimo de Patricia Ariza, a peça de Roxana Pineda cria um contexto espiritual para que as palavras funcionem também como ações, um recurso cênico que gera densidade e cria equivalências entre aquilo que se diz e aquilo que acontece aqui e agora. O tema das perdas atravessa toda a peça e, assim o amor, a guerra, a dor pelos mortos, as alegrias de um encontro, a lembrança que evoca e a memória que resiste, podem ser lidos através do vazio que a beleza e a vontade de viver ressarcem. Hojas de Papel Volando fala da vida e é ao mesmo tempo um ato de fé, a presença dos que já não estão e a necessidade de viver conectado às nossas próprias crenças.


22 de junho

18h - Id. Percursos / Rita Lendê (Brasil) 
Teatro Carlos Carvalho / CCMQ - R. dos Andradas, 736 – Centro

Foto: Edgar Neumann

A performance em dança e voz fala através do eu lírico e procura retratar a construção de identidade da mulher negra adulta, deslizando por momentos existenciais sobre o que é ser mulher e negra, debruçada sobre paradigmas sócio raciais e de gênero. Tal obra tem a intenção de trazer a reflexão, convidando o público a dialogar de forma aberta e questionadora com o autor após a amostragem. 

20h - Nuestra Senhora de las Nuvens / Clowns de Shakespeare (Brasil) 
Teatro Dante Barone - Pça. Marechal Deodoro, 101 – Centro

Foto: Rafael Telles

Inaugurando o projeto de pesquisa latino-americano e partindo da obra de Arístides Vargas – última parte da Trilogia do Exílio, como denomina o autor exilado e radicado no Equador, fugindo da ditadura argentina – os Clowns de Shakespeare investigam as relações da memória e identidade, somando também as experiências provocadas pelo golpe militar brasileiro de 1964. Aproximando o realismo fantástico-surrealista do político-épico, as histórias de Nuestra Senhora de las Nuvens são apresentadas por quatro atores, tendo por fio condutor os encontros entre Oscar e Bruna. A narrativa permeia o universo do exílio através do humor, violência, crítica e lirismo, expondo a estrutura do discurso político. Entre o exílio imposto e o ‘in’xílio autoprovocado, há mais a ser encontrado e descoberto. Nenhuma pessoa está totalmente livre do exílio da plenitude de sua própria realidade.

20h – La Historia de Ixquic / Rubén Pagura (Argentina/Costa Rica) 
Teatro Bruno Kiefer / CCMQ - Rua dos Andradas, 736 – Centro



Há muitos anos, quando o sol e a lua ainda não brilhavam, havia um reinado no antigo mundo Maya de nome Xibalbá, também chamado de ‘mundo das trevas’, pois ali viviam os causadores de todos os males que as pessoas sofriam. Um dia, a jovem Ixquic, filha de Cuchumaquic, Senhor de Xibalbá, engravida milagrosamente pela cabeça de um jovem campesino executado pelo seu pai. Descoberta a gravidez, Ixquic é condenada à morte, mas consegue escapar graças à sua astúcia e sabedoria. Fugindo dos guerreiros que a perseguem, ela é acolhida na casa de sua sogra, a anciã Ixmucané, onde nascem seus dois filhos, os gêmeos Hunapú e Ixbalanqué. Eles se convertem em heróis que realizam grandes proezas e derrotam finalmente os Senhores da Morte. Concluída sua missão, os gêmeos ascendem para reunir-se com o coração do céu: um se transforma no sol e o outro na lua. Ixquic vai ao encontro deles e vira a estrela d’alva. O espetáculo reconta as antigas histórias do Popol Vuh, o livro sagrado dos Maya-Quichés, tecidos em uma trama de ação, amor e magia. Este trabalho está ligado às antigas tradições do mimo e do trovador, e também às novas tendências que revalorizam estas tradições. O ator representa cerca de vinte personagens através de suas ações e reações. 

23 de junho

15h - AutoMákina  / De Pernas Pro Ar (Brasil) 
Largo Glênio Peres  


Automákina – Universo Deslizante se desloca pelas ruas e praças das cidades. Por esses caminhos se apresenta o mundo do Duque Hosain'g, um mundo portátil, pessoal e impenetrável. É como se ele tivesse optado por levar o universo junto a si, construído a partir de seus múltiplos aspectos, que ganham vida. Seus pensamentos, as músicas que executa e seu DNA se confundem com a nave. O tempo é deslizante e incerto. Rasgando o espaço urbano, sua procura é surpreendente. O estranho o acompanha e transforma tudo que está a sua volta. O espetáculo de teatro de Rua do grupo De Pernas pro Ar trata de uma questão pertinente a todos os homens de todos os tempos: "a arte da sobrevivência". Utiliza uma linguagem que mescla o simbolismo do teatro de bonecos com seus personagens autômatos fazendo uma metáfora a existência humana, o virtuosismo das técnicas circenses e a poética do teatro de rua.  O cenário móvel, pesquisa ousada e inovadora do grupo, propõe levar para rua um aparato cênico impar em qualidade visual e sonora, uma máquina gigante medindo 7,0 m de comprimento, por 8,0 m de altura, aumentando assim a dramaticidade do espetáculo.

20h - Nuestra Senhora de las Nuvens / Clowns de Shakespeare (Brasil)
Teatro Dante Barone - Pça. Marechal Deodoro, 101 – Centro

20h - Hojas de papel volando  / Teatro La Rosa (Cuba) 
Centro Cultural James Kulisz - Av. Joaquim Porto Villanova, 143 – Bairro Bom Jesus 

24 de junho

La Razón Blindada / Teatro Malayerba (Equador) 
20h - SESC Canoas  - Av. Guilherme Schell, 5340 – Centro, Canoas

Foto: Colin Dunlop

O espetáculo é baseado em El Quijote de Cervantes, A verdadeira história de Sancho Panza de F. Kafka e nos relatos que fizeram Chico Vargas e outros presos políticos da ditadura argentina dos anos 70 nas imediações da prisão de Rawson. Dois presos políticos, pressionados pelas condições emocionais e físicas, se juntam todos os domingos no entardecer para contar-se a história de Don Quijote e Sancho Panza. Fazem isto dentro das limitações mais extremas que supõe o estar preso em uma prisão de segurança máxima, mas também com a necessidade vital de contar uma história que os salve, que os transporte a uma aventura humana situada na imaginação: esse lugar onde a realidade mais extrema não consegue chegar, onde a dor pode ser mitigada através do ato de imaginar outra realidade. Assim, reinventam continuamente a figura de Don Quijote, esse cavaleiro que confunde moinhos com gigantes, senhoras com donzelas, prisões com paraísos e se exilia na loucura, nesta estranha desordem que não faz mal a ninguém, mas que ajuda profundamente a viver.

20h - La Historia de Ixquic / Rubén Pagura (Argentina/Costa Rica) 
Bairro Humaitá - R. Dona Teodora, 1250

25 de junho
15h - Caliban – A Tempestade de Augusto Boal / Ói Nóis Aqui Traveiz (Brasil) 
Parque da Redenção



Fotos das atrações do festival no link: https://flic.kr/s/aHskWAJgst

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Caliban - A Tempestade de Augusto Boal chega a Belo Horizonte


O espetáculo "Caliban - A Tempestade de Augusto Boal" segue percorrendo o país através do circuíto Palco Giratório. E chegou a vez de Belo Horizonte receber novamente a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz!!!

Data: 10/06 e 11/06 | Horário: 16h 
Local: Praça Carlos Chagas – Praça da Assembleia, S/N - Santo Agostinho.

A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz é o grupo homenageado do 20º Palco Giratório!
#CalibanATempestadedeAugustoBoal
#Palco20nos




Para dar continuidade à pesquisa de teatro de rua, o Ói Nóis escolheu a versão de Augusto Boal de A Tempestade. Ele apropria-se da peça de Shakespeare e do pensamento do cubano Retamar para questionar a exploração da América do Sul pelo colonialismo europeu e para discutir a postura neocolonialista dos Estados Unidos. A figura de Caliban em A Tempestade, de Boal, ratifica a fundação mais firme de uma representação voltada para as margens. Falar em Caliban como símbolo de nossa identidade e do teatro latino-americano, nos leva a explorar novas sendas, novas categorias e a possibilidade de pensar e fazer teatro de outro modo. Implica em tornar visível as inumeráveis contradições e complexidades que configuram as sociedades contemporâneas marcadas pela ferida colonial. Para o Ói Nóis Aqui Traveiz, encenar “A Tempestade de Augusto Boal” é gerar outros discursos, histórias e narrativas, produzir e reconhecer outros lugares de enunciação. Caliba é a reivindicação da legitimidade do “diferente”.


segunda-feira, 5 de junho de 2017

Entre 16 e 25 de junho, Porto Alegre recebe o ‘V Festival de Teatro Popular Jogos de Aprendizagem’

Grupos do Equador, Brasil e Argentina, intervenções artísticas e ações formativas chamam a atenção para um teatro não comercial e não convencional



A quinta edição do Jogos de Aprendizagem, um dos mais representativos festivais do Rio Grande do Sul na atualidade, reunirá mais de vinte apresentações teatrais em três mostras artísticas de onze companhias nacionais e internacionais. A Mostra de Espetáculos homenageia o grande escritor e diretor argentino Arístides Vargas, apresentando quatro obras do dramaturgo encenadas por companhias da Argentina, do Brasil e do Equador. O próprio Arístides e seu Grupo Malayerba vão acompanhar toda a programação, além de apresentar duas obras e ministrar um workshop de criação teatral. A mostra ainda reúne diferentes produções do Brasil, Costa Rica/Argentina, Cuba e Moçambique/Portugal que se propõem a discutir aspectos da identidade ibero-americana, mergulhando em histórias e lendas das culturas originárias e o processo de colonização europeia. A abertura do festival será no dia 16, às 20h, no Theatro São Pedro com o grupo Malayerba apresentando a peça ‘Instrucciones para abrazar el aire’. A peça conta a reconstrução de certos acontecimentos em uma casa na cidade de La Plata, Argentina, em 1976. O V Festival de Teatro Popular – Jogos de Aprendizagem é uma realização da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz e conta com patrocínio da CAIXA e apoio do Fundo Iberescena.

O projeto nasceu em 2010 do desejo de dialogar com outros grupos brasileiros e latino-americanos e oferecer um palco para o teatro popular em Porto Alegre, dar visibilidade e reconhecimento à produção artística de grupos teatrais de longa trajetória, comprometidos com sua comunidade de origem, o panorama sócio-político latino-americano e a constante pesquisa estética. Além dos espetáculos, o festival se desdobra em oficinas, debates, mostra pedagógica, mostra de desmontagens e o lançamento da edição anual da revista Cavalo Louco e feira itinerante de publicações relacionadas às artes cênicas. 

A Mostra de Desmontagens contará com a presença de renomados artistas brasileiros e latino-americanos, que trarão para o festival suas experiências de criação teatral em forma de Desmontagens Poéticas. A ‘desmontagem‘ é um conceito relativamente novo no âmbito das artes cênicas que constitui uma análise e desconstrução do próprio trabalho artístico e, ao mesmo tempo, é obra de arte. A Mostra Pedagógica apresentará trabalhos criados a partir de oficinas e processos de formação de diversos grupos e entidades locais. Essa mostra possibilita ricas trocas de aprendizado entre os artistas presentes. 

Confira a programação completa abaixo. 

ESPETÁCULOS

16 de junho 
20h - Instrucciones para abrazar el Aire / Teatro Malayerba (Equador)
Theatro São Pedro - Pça. Mal. Deodoro, s/n – Centro


17 de junho
20h - Flores Arrancadas a la Niebla / Línea Roja (Argentina) 
Theatro São Pedro - Pça. Mal. Deodoro, s/n – Centro


18 de junho
15h - Caliban – A Tempestade de Augusto Boal / Ói Nóis Aqui Traveiz (Brasil) 
Parque da Redenção 

20h - Flores Arrancadas a la Niebla / Línea Roja (Argentina) 
Theatro São Pedro - Pça. Mal. Deodoro, s/n – Centro


19 de junho
20h - Nos tempos de Gungunhana / Klemente Tsamba (Portugal/Moçambique)
Teatro Renascença - Av. Erico Veríssimo, 307 – Bairro Menino Deus


20 de junho
20h - Hoje Sou Hum; Amanhã Outro  / Ubando Grupo (Brasil) 
Teatro Bruno Kiefer - Rua dos Andradas, 736 – Centro

20h - Nos tempos de Gungunhana / Klemente Tsamba (Portugal/Moçambique) 
Associação Núcleo Esperança - Av. João Antônio da Silveira, 2500 – Bairro Restinga


21 de junho
20h - Hojas de papel volando / Teatro La Rosa (Cuba) 
Teatro Renascença - Av. Erico Veríssimo, 307 – Bairro Menino Deus


22 de junho
18h - Id. Percursos / Lendê (Brasil) 
Teatro Carlos Carvalho / CCMQ - R. dos Andradas, 736 – Centro

20h - Nuestra Senhora de las Nuvens / Clowns de Shakespeare (Brasil) 
Teatro Dante Barone - Pça. Marechal Deodoro, 101 – Centro

20h – La Historia de Ixquic / Rubén Pagura (Argentina/Costa Rica) 
Teatro Bruno Kiefer / CCMQ - Rua dos Andradas, 736 – Centro


23 de junho
15h - AutoMákina  / De Pernas Pro Ar (Brasil) 
Largo Glênio Peres  

20h - Nuestra Senhora de las Nuvens / Clowns de Shakespeare (Brasil)
Teatro Dante Barone - Pça. Marechal Deodoro, 101 – Centro

20h - Hojas de papel volando  / Teatro La Rosa (Cuba) 
Centro Cultural James Kulisz - Av. Joaquim Porto Villanova, 143 – Bairro Bom Jesus 


24 de junho
20h - La Razón Blindada / Teatro Malayerba (Equador) 
SESC Canoas  - Av. Guilherme Schell, 5340 – Centro, Canoas

20h - La Historia de Ixquic / Rubén Pagura (Argentina/Costa Rica) 
Bairro Humaitá - R. Dona Teodora, 1250


25 de junho
15h - Caliban – A Tempestade de Augusto Boal / Ói Nóis Aqui Traveiz (Brasil) 
Parque da Redenção  

DEBATES

Conversando com Arístides Vargas 
17 de junho, 15h - Terreira da Tribo

Arístides Vargas é dono de uma poética singular, de alto valor literário, carregado de metáforas que transformam a visão do cotidiano. O artista trata frequentemente do processo de exílio argentino. Nesta mesa falará sobre a sua trajetória e seu grupo, as visões e as inquietações que movem sua obra e vida como ator, diretor e dramaturgo. A mediação fica por conta de Tânia Farias, atuadora do Ói Nóis Aqui Traveiz.

Teatro, resistência e aprendizagem 
21 de junho, 21h - no SESC Canoas 

Visando o panorama conservador que toma conta da América Latina, este debate tem como proposta questionar que papel a aprendizagem teatral e a formação de artistas-cidadãos podem desempenhar enquanto forma de resistência. Serão discutidos distintos processos de aprendizagem teatral e seus princípios éticos. Participam do debate artistas convidados pelo Festival de Teatro Popular com experiência no trabalho artístico-pedagógico. A atuadora e mestranda em Pedagogia pela UFRGS, Marta Haas, do grupo Ói Nóis Aqui Traveiz, fará a mediação do evento.


OFICINAS
*As inscrições para oficinas devem ser feitas através do e-mail festivaldeteatropopular@gmail.com, 
 Com o envio de carta de intenção (a partir de 16 anos).

Oficina de Criação Teatral - Grupo Malayerba
Oficina teórico-prática -  19, 20 e 21 de junho, das 9h às 12h - Terreira da Tribo

O nascimento de um texto teatral até o momento em que é interpretado, considerando a memória e o imaginário do autor e também dos atores é o ponto de partida da oficina do Malayerba. Serão três dias focados nas trocas de aprendizagem, sem julgamento nem hierarquização do conhecimento. É necessário levar roupas confortáveis, para o trabalho corporal e caderno para anotações. O laboratório de criação teatral será conduzido por Gerson Guerra, Arístides Vargas e Charo Francés.

Moçambique, histórias de A a Zinco - Klemente Tsamba 
Oficina teórico-prática – 22 de junho, das 9h às 12h - Terreira da Tribo

Esta oficina percorre a história de Moçambique desde os Tempos de Gungunhana (1885) até aos dias de hoje, destacando a tradição cultural dos povos do sul, abordando os rituais, as línguas tradicionais, os ritmos, as danças, os cânticos, entre outras. O objetivo é apresentar ao Brasil as várias expressões artísticas ligadas a cultura tradicional moçambicana que são a base do teatro local e, simultaneamente desafiar o público da lusofonia, a identificar pontes em comum, base para um diálogo intercultural positivo. A oficina será dividida em dois momentos: a primeira parte será dedicada a exposição da cultura do sul de Moçambique. Na segunda parte serão desenvolvidos jogos performativos baseados no teatro comunitário africano e apresentados depois em forma de esquetes.


MOSTRA DESMONTAGENS 

Evocando os Mortos, com Tânia Farias 
19 de junho, 18h - Sala Álvaro Moreira / Centro Municipal de Cultura Lupicínio Rodrigues

Foto: Rafael Saes

Expondo os processos de criação de diferentes personagens, criadas entre 1999 e 2011, a atriz Tânia Farias mostra quanto as suas vivências pessoais e de seu grupo, a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, atravessam os mecanismos de criação. Através da ativação da memória corporal, a atriz faz surgir e desaparecer as personagens, realizando uma espécie de ritual de evocação de seus mortos para compreensão dos desafios de fazer teatro nos dias de hoje. A performance constitui um olhar sobre as discussões de gênero, abordando a violência contra a mulher em suas variantes, e também sobre a importância do autoconhecimento no processo criativo.


Flores arrancadas a la Niebla, com Grupo Línea Roja
20 de junho, 18h - Teatro Carlos Carvalho/ CCMQ

Foto: Fiorella Corona


O grupo argentino Línea Roja apresenta a desmontagem da peça ‘Flores arrancadas a la Niebla’, que  aborda a experiência sobre a migração. A história desta desmontagem é a tentativa de arrancar da neblina do esquecimento um trajeto que pouco a pouco vai se desenhando, na medida em que foram ganhando vida, cada vez com mais intensidade, nas personagens Raquel, Aída e um cello. A desmontagem retrata a história de um encontro de diferentes técnicas encarnadas no corpo de duas atrizes e uma diretora, consequência de caminhos teatrais diferentes. O encontro com uma dramaturgia sonora, com um instrumento que se converte em uma nova personagem que entra para dialogar com as duas personagens.


SerEstando Mulheres, com Grupo LUME Teatro
21 de junho, 18h - Teatro Carlos Carvalho/ CCMQ

Arthur Amaral


Em sua busca por ser-estar na cena, a atriz Ana Cristina Colla, ao longo de seus mais de 20 anos de pesquisa junto ao grupo LUME Teatro, visitou pessoas, cidades, mestres, recantos. Entre encontros e confrontos, foi aperfeiçoando seu fazer teatral, passando pela mímesis das corporeidades, visitando o Butoh, como portas para a própria singularidade. Nesse espetáculo a atriz narra através das imagens que cria e corporifica, seu saber impresso no corpo.


MOSTRA PEDAGÓGICA

Sinos da Candelária / 20 de junho, 20h - SESC Canoas 
O Canto da Sereia / 21 de junho, 20h, no Sesc Canoas
A Mais-Valia vai acabar, Seu Edgar! / 22 de junho, 12h - Calçadão de Canoas 
Processo Mahagonny - Grupo Trilho / 22 de junho, 19h - Travessa dos Cataventos 
A Mais-Valia vai acabar, Seu Edgar! / 24 de junho, 14h - Praça Oliveira Rolim. Bairro Sarandi 
Qorpo-Santo Re-Cortado / 24 de junho, 18h - Terreira da Tribo  


V Festival de Teatro Popular – Jogos de Aprendizagem
De 16 a 25 de junho

Apresentação: Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz
Patrocínio: Caixa
Apoio: Fundo Iberescena, SESC Canoas, Prefeitura Municipal de Canoas/Secretaria de Cultura

Fotos das atrações do festival no link: https://flic.kr/s/aHskWAJgst


ESPETÁCULOS - sinopses

16 de junho 

20h - Instrucciones para abrazar el Aire / Teatro Malayerba (Equador)
Theatro São Pedro - Pça. Mal. Deodoro, s/n – Centro

Foto: Elena Vargas

A peça conta a reconstrução de certos acontecimentos em uma casa na cidade de La Plata, Argentina, em 1976. Mas não se trata de uma reconstrução ao pé da letra, trata-se de um documento ficcional, como é chamado pelo autor. Tudo começa com dois anciões que se perguntam por uma menina perdida no tempo e, no transcorrer das cenas, fica claro que se trata de sua neta, roubada na casa da rua 30, La Plata. Nesta casa se encontram dois cozinheiros que preparam coelho ao escabeche e vivem num caos.  Permanentemente fazem referências à menina, que joga no pátio da casa. Mais ainda: eles parecem ter saído da imaginação de uma menina. Em frente a casa, dois vizinhos temerosos e com bastante preconceitos em relação às atividades dos cozinheiros, observam a menina jogando.

17 de junho

20h - Flores Arrancadas a la Niebla / Línea Roja (Argentina) 
Theatro São Pedro - Pça. Mal. Deodoro, s/n – Centro

Foto: Matias Marcet

A peça aborda o tema da migração como um motor para aprofundar, ampliar e colocar de volta em primeiro plano uma situação tão atual que não deve ser esquecida. Deslocamentos, trânsito, passagens de fronteira legais e ilegais. A migração forçada é certamente uma das experiências de trânsito mais difíceis que a humanidade vem vivenciando ao longo das gerações, impulsionada pelo medo, pelo instinto de sobrevivência, pressionada e obrigada por forças externas, sejam elas de caráter político, social ou individual.  Este é o contexto que transforma o texto poético de Arístides Vargas em uma tragédia contemporânea, compartilhada por milhões de pessoas no mundo. A experiência da solidão, do desarraigamento, da violência da burocracia, do poder de um papel, o desamparo, a saudade. A experiência do não-lugar.

18 de junho

15h - Caliban – A Tempestade de Augusto Boal / Ói Nóis Aqui Traveiz (Brasil) 
Parque da Redenção 

Foto: Antônio Garcia Couto

Impulsionada pela ideia de que ‘somos todos Caliban‘, a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz analisa criticamente a ‘tempestade‘ conservadora que hoje sofre a América Latina, e especialmente o grande retrocesso nos direitos sociais e na luta pela autonomia econômica, política e cultural que vivemos no Brasil. A encenação é criada a partir do texto “A Tempestade” de Boal, escrita pelo autor no exílio, em 1974, período em que os movimentos sociais latino- americanos sofriam uma grande derrota frente ao imperialismo dos EUA e eram terrivelmente reprimidos pelas ditaduras civil-militares. A Tribo, sem trair a sua vocação artística, quer com o seu teatro de rua instaurar a alegria e a indignação nos seus espectadores. 

20h - Flores Arrancadas a la Niebla / Línea Roja (Argentina) 
Theatro São Pedro - Pça. Mal. Deodoro, s/n – Centro


19 de junho

20h - Nos tempos de Gungunhana / Klemente Tsamba (Portugal/Moçambique)
Teatro Renascença - Av. Erico Veríssimo, 307 – Bairro Menino Deus

Foto: Margareth Leite

Era uma vez um guerreiro da tribo Tsonga chamado Umbangananamani, que fora casado com uma linda mulher da tribo Macua, de nome Malice. Não tiveram filhos, mas tentaram muito. Este é o mote que dá início ao grande karingana ou conto tradicional sobre a vida de um simples guerreiro, mas que muito rapidamente se transforma numa sequência de outros pequenos karinganas, contados e cantados geralmente com a graça dos ritmos tradicionais de Moçambique. No entanto, este karingana, não tem nada a ver com Gungunhana! A montagem portuguesa que estará no Festival Jogos de Aprendizagem é baseada na tradição oral dos contadores de histórias africanos, onde um único elemento se desdobra em vários personagens para, com a cumplicidade do público, retratar alguns episódios mágicos paralelos à vida do célebre rei tribal moçambicano Gungunhana. O texto da peça é um recorte dos relatos de “Ualalapi”, obra premiada do escritor moçambicano Ungulani Ba Ka Khosa que resulta em um conjunto de histórias dentro de uma história, uma obra que parte de um tempo histórico e de uma cultura particular para depois seguir numa viagem universalista e sem fronteiras.

20 de junho

20h - Hoje Sou Hum; Amanhã Outro  / Ubando Grupo (Brasil) 
Teatro Bruno Kiefer - Rua dos Andradas, 736 – Centro

Foto: Vilmar Carvalho

A peça do célebre autor gaúcho Qorpo-Santo aborda as relações de poder e suas tramas, que acontecem no interior do palácio de um Reino Qualquer, enquanto o povo está se matando lá fora. Entre paranoias de conspiração e o ataque de outra nação, tudo muda para não mudar e o poder da classe dominante se perpetuar. O texto tange a farsa e vai da ironia fina ao sarcasmo, revelando a sua modernidade e o paralelo inevitável aos dias atuais. "Hoje Sou Hum; Amanhã Outro", surge com o desafio do coletivo de montar um texto de Qorpo-Santo, na íntegra, estabelecendo paralelos com a atualidade e, no âmbito da estética do nonsense. Está centrado no trabalho de atuação a partir da pesquisa do teatro físico.

20h - Nos tempos de Gungunhana / Klemente Tsamba (Portugal/Moçambique) 
Associação Núcleo Esperança - Av. João Antônio da Silveira, 2500 – Bairro Restinga

21 de junho

20h - Hojas de papel volando / Teatro La Rosa (Cuba) 
Teatro Renascença - Av. Erico Veríssimo, 307 – Bairro Menino Deus

Foto: Alejandro Marrero

Inspirado no livro de poesia homônimo de Patricia Ariza, a peça de Roxana Pineda cria um contexto espiritual para que as palavras funcionem também como ações, um recurso cênico que gera densidade e cria equivalências entre aquilo que se diz e aquilo que acontece aqui e agora. O tema das perdas atravessa toda a peça e, assim o amor, a guerra, a dor pelos mortos, as alegrias de um encontro, a lembrança que evoca e a memória que resiste, podem ser lidos através do vazio que a beleza e a vontade de viver ressarcem. Hojas de Papel Volando fala da vida e é ao mesmo tempo um ato de fé, a presença dos que já não estão e a necessidade de viver conectado às nossas próprias crenças.


22 de junho

18h - Id. Percursos / Rita Lendê (Brasil) 
Teatro Carlos Carvalho / CCMQ - R. dos Andradas, 736 – Centro

Foto: Edgar Neumann

A performance em dança e voz fala através do eu lírico e procura retratar a construção de identidade da mulher negra adulta, deslizando por momentos existenciais sobre o que é ser mulher e negra, debruçada sobre paradigmas sócio raciais e de gênero. Tal obra tem a intenção de trazer a reflexão, convidando o público a dialogar de forma aberta e questionadora com o autor após a amostragem. 

20h - Nuestra Senhora de las Nuvens / Clowns de Shakespeare (Brasil) 
Teatro Dante Barone - Pça. Marechal Deodoro, 101 – Centro

Foto: Rafael Telles

Inaugurando o projeto de pesquisa latino-americano e partindo da obra de Arístides Vargas – última parte da Trilogia do Exílio, como denomina o autor exilado e radicado no Equador, fugindo da ditadura argentina – os Clowns de Shakespeare investigam as relações da memória e identidade, somando também as experiências provocadas pelo golpe militar brasileiro de 1964. Aproximando o realismo fantástico-surrealista do político-épico, as histórias de Nuestra Senhora de las Nuvens são apresentadas por quatro atores, tendo por fio condutor os encontros entre Oscar e Bruna. A narrativa permeia o universo do exílio através do humor, violência, crítica e lirismo, expondo a estrutura do discurso político. Entre o exílio imposto e o ‘in’xílio autoprovocado, há mais a ser encontrado e descoberto. Nenhuma pessoa está totalmente livre do exílio da plenitude de sua própria realidade.

20h – La Historia de Ixquic / Rubén Pagura (Argentina/Costa Rica) 
Teatro Bruno Kiefer / CCMQ - Rua dos Andradas, 736 – Centro



Há muitos anos, quando o sol e a lua ainda não brilhavam, havia um reinado no antigo mundo Maya de nome Xibalbá, também chamado de ‘mundo das trevas’, pois ali viviam os causadores de todos os males que as pessoas sofriam. Um dia, a jovem Ixquic, filha de Cuchumaquic, Senhor de Xibalbá, engravida milagrosamente pela cabeça de um jovem campesino executado pelo seu pai. Descoberta a gravidez, Ixquic é condenada à morte, mas consegue escapar graças à sua astúcia e sabedoria. Fugindo dos guerreiros que a perseguem, ela é acolhida na casa de sua sogra, a anciã Ixmucané, onde nascem seus dois filhos, os gêmeos Hunapú e Ixbalanqué. Eles se convertem em heróis que realizam grandes proezas e derrotam finalmente os Senhores da Morte. Concluída sua missão, os gêmeos ascendem para reunir-se com o coração do céu: um se transforma no sol e o outro na lua. Ixquic vai ao encontro deles e vira a estrela d’alva. O espetáculo reconta as antigas histórias do Popol Vuh, o livro sagrado dos Maya-Quichés, tecidos em uma trama de ação, amor e magia. Este trabalho está ligado às antigas tradições do mimo e do trovador, e também às novas tendências que revalorizam estas tradições. O ator representa cerca de vinte personagens através de suas ações e reações. 

23 de junho

15h - AutoMákina  / De Pernas Pro Ar (Brasil) 
Largo Glênio Peres  


Automákina – Universo Deslizante se desloca pelas ruas e praças das cidades. Por esses caminhos se apresenta o mundo do Duque Hosain'g, um mundo portátil, pessoal e impenetrável. É como se ele tivesse optado por levar o universo junto a si, construído a partir de seus múltiplos aspectos, que ganham vida. Seus pensamentos, as músicas que executa e seu DNA se confundem com a nave. O tempo é deslizante e incerto. Rasgando o espaço urbano, sua procura é surpreendente. O estranho o acompanha e transforma tudo que está a sua volta. O espetáculo de teatro de Rua do grupo De Pernas pro Ar trata de uma questão pertinente a todos os homens de todos os tempos: "a arte da sobrevivência". Utiliza uma linguagem que mescla o simbolismo do teatro de bonecos com seus personagens autômatos fazendo uma metáfora a existência humana, o virtuosismo das técnicas circenses e a poética do teatro de rua.  O cenário móvel, pesquisa ousada e inovadora do grupo, propõe levar para rua um aparato cênico impar em qualidade visual e sonora, uma máquina gigante medindo 7,0 m de comprimento, por 8,0 m de altura, aumentando assim a dramaticidade do espetáculo.

20h - Nuestra Senhora de las Nuvens / Clowns de Shakespeare (Brasil)
Teatro Dante Barone - Pça. Marechal Deodoro, 101 – Centro

20h - Hojas de papel volando  / Teatro La Rosa (Cuba) 
Centro Cultural James Kulisz - Av. Joaquim Porto Villanova, 143 – Bairro Bom Jesus 

24 de junho

La Razón Blindada / Teatro Malayerba (Equador) 
20h - SESC Canoas  - Av. Guilherme Schell, 5340 – Centro, Canoas

Foto: Colin Dunlop

O espetáculo é baseado em El Quijote de Cervantes, A verdadeira história de Sancho Panza de F. Kafka e nos relatos que fizeram Chico Vargas e outros presos políticos da ditadura argentina dos anos 70 nas imediações da prisão de Rawson. Dois presos políticos, pressionados pelas condições emocionais e físicas, se juntam todos os domingos no entardecer para contar-se a história de Don Quijote e Sancho Panza. Fazem isto dentro das limitações mais extremas que supõe o estar preso em uma prisão de segurança máxima, mas também com a necessidade vital de contar uma história que os salve, que os transporte a uma aventura humana situada na imaginação: esse lugar onde a realidade mais extrema não consegue chegar, onde a dor pode ser mitigada através do ato de imaginar outra realidade. Assim, reinventam continuamente a figura de Don Quijote, esse cavaleiro que confunde moinhos com gigantes, senhoras com donzelas, prisões com paraísos e se exilia na loucura, nesta estranha desordem que não faz mal a ninguém, mas que ajuda profundamente a viver.

20h - La Historia de Ixquic / Rubén Pagura (Argentina/Costa Rica) 
Bairro Humaitá - R. Dona Teodora, 1250

25 de junho
15h - Caliban – A Tempestade de Augusto Boal / Ói Nóis Aqui Traveiz (Brasil) 
Parque da Redenção

Fotos das atrações do festival no link: https://flic.kr/s/aHskWAJgst