MEDEIA VOZES mais uma vez!


Dando segmento às comemorações de 40 anos da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, Medeia Vozes ficará mais um mês em cartaz, na Terreira da Tribo!

Após uma temporada com sessões lotadas e ingressos esgotados, antes mesmo de abrir a bilheteria, o espetáculo Medeia Vozes realizará mais 6 apresentações imperdíveis em Porto Alegre. 

As apresentações serão sextas e sábados (13, 14, 20, 21, 27 e 28/04), às 19h30 na Terreira da Tribo (Rua Santos Dumont, 1186). 

Os ingressos custam R$60,00 inteira e R$ 30,00 meia (para estudantes e classe artística).

Confira abaixo os pontos de venda:

- Terreira da Tribo (Rua Santos Dumont, 1186), das 15 às 18h – F:3028 1358

- Meme Santo de Casa (R. Lopo Gonçalves, 176 - Cidade Baixa) –  F (51) 3019-2595

- StúdioClio (R. José do Patrocínio, 698 - Cidade Baixa) - F:3254-7200 

MEDEIA VOZES


A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz toma uma versão antiga e desconhecida do mito, trazendo uma mulher que não cometeu nenhum dos crimes de que Eurípides a acusa. O mito é questionado e reelaborado de maneira original, para analisar o fundamento das ordens de poder e como estas se mantêm ou se destroem. Medeia é uma mulher que enxerga seu tempo e sua sociedade como são. As forças que estão no poder manifestam-se contra ela, chegando mesmo à perseguição e banimento, ela é um bode expiatório numa sociedade de vítimas. A voz de Medeia somam-se vozes de mulheres contemporâneas como as revolucionárias alemãs Rosa Luxemburgo e Ulrike Meinhof, a somali Waris Diriiye, a indiana Phoolan Devi e a boliviana Domitila Chungara, que enfrentaram de diferentes maneiras a sociedade patriarcal em várias partes do mundo.

Medeia Vozes ganhou o Prêmio Açorianos em 8 categorias (melhor espetáculo, atriz para Tânia Farias, cenografia, iluminação, trilha para Johann Alex de Souza, dramaturgia, produção e direção), além do troféu do Júri Popular. E em 2014 ganhou mais um prêmio açorianos na categoria de melhor espetáculo, concedido pela EEPA (Escola de Espectadores de Porto Alegre).


“Pronunciamos um nome, e, como as paredes são permeáveis, entramos no tempo que foi o seu, encontro desejado. Sem hesitações, ela responde das profundezas do tempo ao nosso olhar. Infanticida? Pela primeira vez esta dúvida. Um encolher de ombros, de desprezo, um voltar às costas. Ela já não precisa da nossa dúvida, nem dos nossos esforços para lhe fazer justiça, afasta-se. Antecipa-se de nós? Foge? As perguntas perdem o sentido pelo caminho. Mandamos-lhe embora, ela vem ao nosso encontro das profundezas do tempo, nós mergulhamos nele, passamos por épocas que, ao que tudo indica, não nos falam de forma tão clara como a sua. E há de haver um momento em que nos encontramos.

Somos nós que descemos até aos Antigos? São eles que nos apanham? Tanto faz. Basta estender a mão. Passam para o nosso mundo com a maior facilidade, estranhos hóspedes, iguais a nós. Nós temos a chave que abre todas as épocas, por vezes a usamos sem reservas, deitamos um olhar apressado pela fresta da porta, ávidos de juízos precipitados. Mas também deve haver maneira de nos aproximarmos passo a passo, com um certo pudor diante do tabu, dispostos a arrancar dos mortos seu segredo, mas assumindo o preço de algum sofrimento. O reconhecimento das nossas fraquezas – era por aí que devíamos começar.

Fotos: Pedro Isaias Lucas

Os milênios dissolvem-se, sujeitos a fortes pressões. Deve então manter-se a pressão? Pergunta ociosa. Falsas perguntas fazem hesitar a figura que quer libertar-se das trevas da cegueira que nos impede de conhecê-la. Temos de lhe avisar. A nossa cegueira forma um sistema fechado, nada a pode refutar. Ou teremos de nos afoitar no mais íntimo da nossa cegueira e autocegueira, e avançar, sem mais, uns com os outros, uns atrás dos outros, o ruído da derrocada das paredes nos ouvidos? Ao nosso lado, é essa a nossa esperança, a figura de nome mágico que em si faz convergir os tempos, processo doloroso. Nessa figura é o nosso tempo que sobre nós se abate. A mulher bárbara”.
Christa Wolf

Serviço: 

Medeia Vozes - Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz
Local: Terreira da Tribo (Rua Santos Dumont, 1186)
Dias:  sextas e sábados ( de 13 a 28 de abril)
Horário: 19h30
Ingressos: R$60,00 inteira e R$30,00 meia (estudante, idoso e classe artística).
Classificação etária: 16 anos
Duração: 210 min

Ficha Técnica: Criação, Direção, Dramaturgia, cenografia, figurinos criados coletivamente pela Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz

Música: Johann Alex de Souza
Preparação Vocal: Leonor Melo

Participam da encenação os atuadores: Tânia Farias, Paulo Flores, Marta Haas, Eugênio Barbosa, Paula Carvalho, Eduardo Arruda, Clélio Cardoso, Roberto Corbo, Letícia Virtuoso, Lucas Gheller, Mayura Matos, Keter Velho, Júlio Kaczam, Daniel Steil, Luana Rocha, Márcio Lima, Alex dos Santos, Pascal Berten, Rochelle Silveira e Raphael Costa.