Santos Amargos

Paulo Bio Toledo - (Cavalo Louco Revista de teatro, dezembro de 2009)
[...] O dom de Despertar no passado as centelhas da esperança é um privilégio exclusivo do Historiador convencido de que também os mortos não estarão em segurança se o inimigo vencer. E esse inimigo não tem cessado de vencer.
Walter Benjamin Sobre o conceito da história
Necrofilia é o amor ao futuro Heiner Müller

Fotos de Pedro Isaias Lucas 
Anjos
A famosa metáfora do anjo da história do pensador alemão Walter Benjamin – interpretação poética da pintura Angelus Novus, de Paul Klee – retrata um anjo que observa o passado amontoado de entulho e destroços da civilização, mas não pode parar, é incessamente puxado ao futuro pelos ventos do Progresso.
Heiner Müller reescreve a imagem. Seu anjo olha a frente. Observa o futuro “represado, esmagando seus olhos”, mas a pilha de destroços é mais rápida que ele e o comprimento no instante: entre o passado e o futuro.Imobilizado, esmagado. Até que: “um renovado rufar de pod…

Lembrar é resistir!

Performance “Onde? Ação nº2” - No ano em que completamos 50 anos de um Golpe Militar!

A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz apresenta no próximo domingo, dia 9 de março, às 15h no Parque da Redenção a Performance “Onde? Ação nº2”. Esta apresentação faz parte do ciclo de apresentações que a Tribo realizará este ano com o tema “Lembrar é resistir – Teatro e Memória nos 50 anos do Golpe Militar”. Para que nunca se esqueça, para que não se repita!

Foto: Pedro Isaias Lucas

A performance “Onde? Ação nº2” de forma poética provoca reflexões sobre o nosso passado recente e as feridas ainda abertas pela ditadura militar. A ação performática se soma ao movimento de milhares de brasileiros que exigem que o Governo Federal proceda a
investigação sobre o paradeiro das vítimas desaparecidas durante o regime militar, identifique e entregue os restos mortais aos seus familiares e aplique efetivamente as punições aos responsáveis. 

Participam da performance: Tânia Farias, Marta Haas, Paula Carvalho, Sandra Steil, Mayura de Matos, Leticia Virtuoso, Paola Mallmann, Luana Rocha, Ketter Velho, Paulo Flores, Eugênio Barbosa, Pascal Berten, Roberto Corbo, Alex Pantera, Geison Burgedurf, Clélio Cardoso e Jorge Gil.

Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz

Com propósitos irreverentes a Tribo estreou o seu primeiro espetáculo em 31 de março de 1978, data em que os militares comemoravam o golpe de 1964. Nestes 35 anos o Ói Nóis Aqui Traveiz vem instigando o público porto-alegrense com o seu teatro marcado pela ousadia e liberdade criativa. Os atuadores têm uma técnica própria, desenvolvida desde seu início e que passa por diferentes fases, fundamentada no uso da improvisação e da cena como processo, da criação coletiva e da corporalidade no trabalho do ator. As suas três principais vertentes são: o teatro de rua, nascido das manifestações políticas - de linguagem popular e intervenção direta no cotidiano da cidade - o teatro de Vivência, no sentido de experiência partilhada, em que o espectador torna-se participante da cena – e o trabalho artístico pedagógico, desenvolvido junto a comunidade local. Abriu um novo espaço para a pesquisa cênica – a Terreira da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz (rua Santos Dumont 1186), que funciona como Escola de Teatro Popular, oferecendo diversas oficinas abertas e gratuitas para a população. A organização da Tribo é baseada no trabalho coletivo, tanto na produção das atividades teatrais, como na manutenção do espaço. O Ói Nóis Aqui Traveiz segue uma evolução contínua e constitui um processo aberto a novos participantes.