A Visita do Presidenciável

Claudio Heemann (Zero Hora, 18 de dezembro de 1984) Foi em 1978 que o grupo “Ói Nóis Aqui Traveiz” surgiu num espaço alternativo na Rua Ramiro Barcellos. Pela primeira vez, na história do teatro local, Porto Alegre via experimentação anárquica, contestando, de forma radical, todos os valores burgueses. Era uma proposta revolucionária, de forte conteúdo político. A ruptura com as convenções cênicas do teatro tradicional era procurada através de estilização delirante e onírica. O espetáculo transformava-se num ritual insólito, envolvendo os espectadores. Nudez e agressão ao público faziam parte do tratamento de choque que o grupo utilizou na quebra dos moldes consagrados. O grupo logo passou a atuar nas ruas e interferir espetáculo a dentro nas encenações em cartaz na cidade. Algo como uma guerrilha urbana, o “Ói Nóis Aqui Traveiz” não era apenas um teatro de vanguarda, Quixotescamente repudiava toda a ordem político-social vigente. Era uma filosofia de vida e de ação que se derra

OFICINA POPULAR DE TEATRO NO BAIRRO HUMAITÁ COM PAULO FLORES

Começa neste sábado, dia 5 de julho, a Oficina Popular de Teatro da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz no bairro Humaitá. A Oficina faz parte do Projeto “Teatro Como Instrumento de Discussão Social” que a Tribo desenvolve desde 1988 nos bairros populares da região metropolitana de Porto Alegre. A Oficina será ministrada por Paulo Flores e acontecerá todos os sábados, das 14 às 17 horas, no Centro Cultural Esportivo Ferroviário (Grêmio Esportivo Ferrinho), na Av. Dona Teodora, 1250, na Vila dos Ferroviários, no bairro Humaitá. A Oficina Popular de Teatro é gratuita e aberta a todos interessados a partir dos 15 anos. Informações e inscrições pelos telefones 3286 5720 e 3028 1358.

Foto: Pedro Isaias Lucas*

As Oficinas Populares de Teatro da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz têm como objetivo fomentar a organização de grupos culturais nos bairros. A proposta de trabalho teatral do Projeto Teatro Como Instrumento de Discussão Social segue os fundamentos principais da Escola de Teatro Popular da Terreira da Tribo, que visa à formação de atores-cidadãos com a necessária qualificação para estar a serviço da construção de uma sociedade justa e solidária. Ao longo da oficina, o oficinando/aluno estará passando por um processo programado de desenvolvimento, cuja primeira etapa encontra-se organizada em torno do autoconhecimento (conhecimento do ator), passando, em seguida, para a etapa de reconhecimento (ênfase colocada no trabalho de construção de personagem), para o jogo teatral (ênfase na situação dramática) e, por fim, chegando à elaboração do produto estético: a encenação.


*foto do exercício cênico "O Mercado do Gozo" realizado nesta oficina em 2011, com orientação de Paulo Flores.