DUAS CARTAS PARA MEYERHOLD

  Carta de Henrique Saidel   Fotos de Eugênio Barboza, Lucas Gheller e Pedro Isaias Lucas Porto Alegre, inverno de 2020 Querido Meyerhold, Escrevo esta carta como quem escreve algo de muito importante, como quem escreve algo que lhe causa um tanto de medo e hesitação, como alguém que deseja escrever coisas bonitas, coisas inesquecíveis, inteligentes, coisas revolucionárias, coisas que estejam à altura da tua arte, do teu teatro, da tua vida. Escrevo esta carta depois de ter escrito “Querido Meyerhold”, ali no topo da página, há vários dias e depois de ter ficado vários dias sem escrever mais nada, apenas olhando a página em branco e pensando em todas as coisas bonitas, inesquecíveis, inteligentes e revolucionárias que eu poderia dizer para você e a teu respeito. Escrevo esta carta mais de um ano depois de ter visto (duas vezes) a peça que o Ói Nóis Aqui Traveiz fez com você no título e como personagem, e mais de dezenove ou vinte anos depois de te ler pela primeira v

A dez dias a Tribo performa sobre a ausência em solos Argentinos...


A ação performática “Onde? Ação nº2”, que de forma poética contribui para a discussão sobre os desaparecidos políticos na America Latina está sendo apresentada em diversas províncias da Argentina, através do 9º Circuito Nacional de Teatro.

Em um primeiro momento da performance cada mulher com sua cadeira vazia, realiza seu protesto silencioso, onde a ausência se faz presente. Um olhar mais atento observa que aos poucos vão surgindo mais mulheres e mais cadeiras. Elas encontram-se, e ali, evocam nomes de homens e mulheres que construíram a história do nosso país e que lutaram por um Brasil livre.

Já é sabido que o Brasil ainda está muito atrasado na discussão que diz respeito à preservação da memória e a efetivação da justiça pelos crimes cometidos pelo Estado, durante os anos sangrentos da ditadura militar. Observando as mais diversas cidades por onde a Tribo passou até o momento, percebemos que existe uma reflexão muito mais profunda sobre a verdadeira história do país. Centros de memória espalhados por diversos cantos da cidade, monumentos com nomes dos seus desaparecidos ao alcance do olhar, um país, onde é constante a busca por manter viva a memória destes tenebrosos tempos de autoritarismo e de violação à vida. 

Podemos ver de perto exemplos como o das Madres e Abuelas de Maio que corajosamente perpassaram décadas realizando os seus protestos e ainda hoje contribuem para o resgate da identidade do povo argentino. 

E no Brasil?! Onde? Onde? Onde? Eis a questão que ecoa pelos ares em busca de respostas! Até quando vão manter a História trancada nos porões clandestinos da ditadura?

El otro soy yo! Histórias de vidas que se mesclaram com a história de um continente que tentaram calar, sufocar. Mas que pulsa, grita, se debate. Intensamente!

Confira abaixo imagens da Tribo em Rosario e Santa Rosa de la Pampa:

Rosario - Santa fé
(Clique para ampliar)











Santa Rosa - La Pampa













Fotos: Pedro Rosauro e Eugênio Barbosa.