TERREIRA DA TRIBO 37 ANOS DE (R)EXISTÊNCIA

Artigo publicado no Correio do Povo em 11 de setembro de 2021. Fotos de Pedro Isaias Lucas.     No dia 14 de julho de 1984 a Terreira da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz abria as suas portas para o público. Com um show de rock-punk que reuniu as bandas Replicantes e Urubu Rei, entre outras. Logo em seguida o Ói Nóis Aqui Traveiz encenou na nova casa “A Visita do Presidenciável ou Os Morcegos estão Comendo os Abacates Maduros”, uma parábola sobre o momento político que o Brasil vivia, com a saída dos militares de cena e a entrada de um governo civil. E anunciava para toda cidade “...todas as pessoas gostam de cantar, dançar, representar, pintar, fotografar. Qualquer pessoa é capaz de criar e a Terreira da Tribo está aí para isso”. E nesses 37 anos de atividades a Terreira da Tribo abrigou as mais diversas manifestações culturais como espetáculos de teatro, shows musicais, ciclos de filmes e vídeos, seminários, debates, performances e celebrações. Hoje a Terreira é reco

Onde? Ação nº2 - ARGENTINA

Confira as imagens da Performance Onde? Ação nº2 nas províncias de San Juan e Mendoza.

San Juan

A água sabe, a água passou por aí, a água tem curiosidade, quer saber...
       Inunda os ouvidos, inunda teus olhos...

Dentro da boca deposita e leva  as palavras,
desde os lugares mais profundos,  as memórias, a dor vai levar...


Vai levar as histórias pelo rio dos rios, contando e cantando as histórias para  o mar.
Cantará aos vales com a voz de pedra,  a água que a garganta bebe.


A chuva que ele vê,  o barro em que ele anda, a sopa suja que eles comem, o suor que cai.


 E essa outra água,  essa outra água e os ecos da água...
Porque alguns rios são largos e calmos, verdes e suaves.


E alguns são altos e cortantes,  caem desde as montanhas, e o nosso é  um rio, liso, frio e ocre, e nos traz nossos homens.



Sobre as pedras dormidas,  roda até onde esperamos, mas são tantos os homens que desapareceram,
ou foram mortos, tantos que o rio não pode levar.


Mendoza 

Demasiadas histórias, para que o rio as relate,
demasiadas histórias,  assim nos trouxe um dos homens,


e o queimaram, e nos trouxe outro mais,
para que o enterrássemos sobre a colina,  e rodou o corpo, e o carregou.


E o murmurou até que todos os traços ficassem polidos,
e nos encontrou este corpo e o fez um corpo qualquer, e o fez todo corpo.


É meu, é meu, queira Deus que não seja meu.
É meu, é meu, por favor que não seja meu.


É meu, é meu, queira Deus que não seja meu.


É meu, é meu, por favor que não seja meu...

Texto da obra "Viúdas" de Ariel Dorfman
Fotos: Pedro Rosauro