Desmontagem Evocando os Mortos – Poéticas da Experiência

A cidade de Curitiba recebe nos dias 22, 23 e 24 de agosto a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, de Porto Alegre, com a Desmontagem Evocando os Mortos – Poéticas da Experiência, a Oficina de Vivência com a Tribo e um Debate sobre questões de gênero no teatro brasileiro contemporâneo. O Projeto foi selecionado pelo Programa Petrobras Distribuidora 2017/2018, através da Lei de Incentivo à Cultura. O Programa Petrobras Distribuidora de Cultura é uma seleção pública que tem como objetivo contemplar projetos de circulação de espetáculos teatrais não inéditos, em parceria do Ministério da Cultura. No último edital foram investidos R$ 15 milhões. Ao todo, foram escolhidos 57 espetáculos, representantes de todas as regiões do País, com apresentações em todos os estados.
A programação em Curitiba, com entrada franca, acontecerá no Espaço Obragem (Alameda Júlia da Costa, 204) e tem apoio local do Grupo Obragem de Teatro. Nos dias 22 e 23 de agosto, às 20h, a Tribo encena a Desmontagem Evoc…

Onde? Ação nº2 - ARGENTINA

Confira as imagens da Performance Onde? Ação nº2 nas províncias de San Juan e Mendoza.

San Juan

A água sabe, a água passou por aí, a água tem curiosidade, quer saber...
       Inunda os ouvidos, inunda teus olhos...

Dentro da boca deposita e leva  as palavras,
desde os lugares mais profundos,  as memórias, a dor vai levar...


Vai levar as histórias pelo rio dos rios, contando e cantando as histórias para  o mar.
Cantará aos vales com a voz de pedra,  a água que a garganta bebe.


A chuva que ele vê,  o barro em que ele anda, a sopa suja que eles comem, o suor que cai.


 E essa outra água,  essa outra água e os ecos da água...
Porque alguns rios são largos e calmos, verdes e suaves.


E alguns são altos e cortantes,  caem desde as montanhas, e o nosso é  um rio, liso, frio e ocre, e nos traz nossos homens.



Sobre as pedras dormidas,  roda até onde esperamos, mas são tantos os homens que desapareceram,
ou foram mortos, tantos que o rio não pode levar.


Mendoza 

Demasiadas histórias, para que o rio as relate,
demasiadas histórias,  assim nos trouxe um dos homens,


e o queimaram, e nos trouxe outro mais,
para que o enterrássemos sobre a colina,  e rodou o corpo, e o carregou.


E o murmurou até que todos os traços ficassem polidos,
e nos encontrou este corpo e o fez um corpo qualquer, e o fez todo corpo.


É meu, é meu, queira Deus que não seja meu.
É meu, é meu, por favor que não seja meu.


É meu, é meu, queira Deus que não seja meu.


É meu, é meu, por favor que não seja meu...

Texto da obra "Viúdas" de Ariel Dorfman
Fotos: Pedro Rosauro