A arte de transformar a realidade em poesia | Sebastião Milaré

No barco, sobre as Águas do Guaíba, afastando da Ilha do presídio e vendo as luzes de Porto Alegre às margens, tive a sensação de ver o passo derradeiro de um ritual sagrado. O que vivenciei na Ilha do presídio, ou Ilha das Pedras Brancas, tinha natureza própria ao ato litúrgico, mas era ato teatral. Teatro na acepção da arte que atualiza símbolos no Imaginário do espectador. E liturgia.

Não há contradição, pois no ato litúrgico o oficiante atualiza símbolos no imaginário dos fiéis. E foi isso que vivenciei naquela noite, caminhando pelas ribanceiras escuras, cheias de buracos e pedras, atrás de imagens que conduziam a inesperados ambientes, como as ruínas do antigo presídio ou a uma espécie de jardim de estátuas. Atores e atrizes surgiam da vegetação ou das trevas como gnomos. Ou sacerdotes de mítica seita, em celebração.




E o ritual, animado por cenas evocativas, assumidamente poéticas em atrito com as outras mais definidas e realistas, só terminaria no momento em que o barco apo…

TÁ NA RUA abre a Mostra Conexões para uma Arte Pública no Rio de Janeiro!!!

Abrindo a Mostra Conexões Para Uma Arte Pública, o Grupo Tá Na Rua apresenta o espetáculo "Natal do Pobres". Hoje (2/12), às 17h, na Cinelândia - RJ

A mostra Conexões para uma arte pública promove o encontro entre grupos teatrais de Porto Alegre, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e São Paulo, grupos esses que mantém espaços artísticos que atuam como pontos de recepção e irradiação de cultura. O projeto, desenvolvido pela Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, de Porto Alegre, recebeu o Fundo de Apoio à Cultura (FAC RS) para a circulação nos espaços e pontos de cultura dos grupos Tá na Rua, do Rio de Janeiro; Pombas Urbanas, de São Paulo; e Casa do Beco, de Belo Horizonte. 


Grupo Tá na Rua (Rio de Janeiro)
Espetáculo “Auto de Natal” – apresentação dia 02 de dezembro, 17h, na Cinelândia

Desde 1980 sob a direção de Amir Haddad, o grupo Tá na Rua se apresenta em praças do centro e da periferia das cidades brasileiras. Sem tablado, sem cenário ou quaisquer recursos técnicos de espetacularidade, o grupo se baseia no contato direto entre a cena e o público, realizando a utopia de unir público e atores na comunhão de uma festa popular. "Venho trabalhando a ideia de que a cidade é por si teatral e dramática e que o teatro está impregnado dessas possibilidades de expressão. Ideia que me leva a procurar eliminar o máximo possível a diferença entre cidadão e artista, e a criar um espaço onde é possível a cidadania se manifestar artisticamente; a buscar não separar uma parte da cidade e colocar dentro de um edifício para que ela esteja ali simbolizada. Mas sim, a pensar toda a cidade como uma possibilidade teatral - ela é o espaço de representação, suas ruas e edifícios são a cenografia e os atores são os cidadãos”, afirma Haddad. “Cremos assim estar juntando o sagrado ao profano e procurando desta maneira tocar o coração do cidadão e despertar nele o sentido de religação das festas e celebrações, devolvendo ao teatro sua função pública social original quente e garantindo para ele um lugar num futuro imprevisível de realidades virtuais frias. Dessa maneira enxergamos o teatro como a possível arte do futuro, a única talvez que estará se mantendo dentro do propósito de fornecer ao ser humano espaço para o seu sentimento gregário e comunitário, contribuindo assim para a construção de uma nova cidade e uma nova sociedade onde as diferenças sociais e culturais poderão ser administradas e o sonho utópico da construção da "Cidade Feliz" possa ser retomado", complementa. 

A Casa do Tá na Rua é uma manifestação teatral abrigada em um casarão histórico da Avenida Mem de Sá em frente à Lapa. Este espaço de lazer cultural é um ponto de encontro de diversas tribos. O Instituto Tá na Rua para as Artes, Educação e Cidadania tornou-se Ponto de Cultura em 2004 e dedica-se à criação artística, à pesquisa de linguagem e ao desenvolvimento de atividades de caráter pedagógico e de promoção da cidadania por meio da cultura.


PROGRAMAÇÃO COMPLETA - RJ:

Rio de Janeiro/ Grupo anfitrião: Tá na Rua

02 de dezembro, terça-feira
17h: Abertura com o espetáculo “Auto de natal”, do Tá na Rua, na Cinelândia

03 de dezembro, quarta-feira
12h: Performance de rua “Onde? Ação nº 2” com o grupo Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz no Largo da Carioca
20h: Desmontagem “Evocando os Mortos – Poéticas da Experiência” com a atriz Tânia Farias do grupo Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz na Casa do Tá na Rua

04 de dezembro, quinta-feira
17h: Espetáculo de teatro de rua ”O Amargo Santo da Purificação” com o grupo Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz na Praça Tiradentes
20h: Mostra de Oficinas do Ói Nóis Aqui Traveiz – Exercício Cênico “Minha cabeça era uma Marreta” na Casa do Tá na Rua

05 de dezembro, sexta-feira
14h: Workshop “Vivência com o Ói Nóis Aqui Traveiz” na Casa do Tá na Rua

20h: Seminário “Conexões Para Uma Arte Pública” com Amir Haddad, Paulo Flores, Marcelo Palmares e Nil César com mediação de Rosyane Trota na Casa do Tá na Rua

06 de dezembro, sábado
17h: Filme “Viúvas – Performance Sobre a Ausência” e bate-papo sobre o trabalho do Ói Nóis Aqui Traveiz na Casa do Tá na Rua
20h: Mostra de Oficinas do Ói Nóis Aqui Traveiz – Exercício Cênico “Yerma” na Casa do Tá na Rua

07 de dezembro, domingo
17h: Espetáculo de teatro de rua “O Amargo Santo da Purificação” com o grupo Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz no Cais do Valongo (Av. Barão de Tefé, 99 – Gamboa)