A arte de transformar a realidade em poesia | Sebastião Milaré

No barco, sobre as Águas do Guaíba, afastando da Ilha do presídio e vendo as luzes de Porto Alegre às margens, tive a sensação de ver o passo derradeiro de um ritual sagrado. O que vivenciei na Ilha do presídio, ou Ilha das Pedras Brancas, tinha natureza própria ao ato litúrgico, mas era ato teatral. Teatro na acepção da arte que atualiza símbolos no Imaginário do espectador. E liturgia.

Não há contradição, pois no ato litúrgico o oficiante atualiza símbolos no imaginário dos fiéis. E foi isso que vivenciei naquela noite, caminhando pelas ribanceiras escuras, cheias de buracos e pedras, atrás de imagens que conduziam a inesperados ambientes, como as ruínas do antigo presídio ou a uma espécie de jardim de estátuas. Atores e atrizes surgiam da vegetação ou das trevas como gnomos. Ou sacerdotes de mítica seita, em celebração.




E o ritual, animado por cenas evocativas, assumidamente poéticas em atrito com as outras mais definidas e realistas, só terminaria no momento em que o barco apo…

Onde? Ação nº4 - Vivos os levaram. Vivos os queremos! Todos somos Ayotzinapa!!!

A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, em solidariedade a Caravana 43 - que este ano percorreu diversos países da América Latina, denunciando o Terrorismo de Estado no México e exigindo a volta dos 43 estudantes desaparecidos em Ayotzinapa - realiza nesta segunda feir feira (28/06), às 17h, na Esquina Democrática, o ato performático "Onde? Ação nº4".

Resignificando a performance "Onde? Ação nº2" que de forma poética provoca reflexões sobre o nosso passado recente e as feridas ainda abertas pela ditadura militar, trazendo o nome dos nossos desaparecidos políticos brasileiros, a Tribo realiza agora, a performance "Onde? Ação nº4", onde um a um os nomes dos 43 estudantes mexicanos desaparecido serão evocados nas ruas de Porto Alegre. 

Vivos los llevaron, vivos los queremos!




Fotos retiradas do site Jornalismo B - Alexandre Haubrich

Milhares de pessoas foram às ruas no México exigir que o governo do presidente Enrique Peña Nieto invstigue o desaparecimento dos 43 estudantes da Escola Normal Rural de Ayotzinapa, atacados e levados por policiais da cidade de Iguala, estado de Guerrero (México), na noite de 26 de setembro de 2014, quando outros seis foram mortos, dois deles de maneira brutal.

Depois de um ano, muitas são as duvidas e as perguntas na cabeça de todas as pessoas que dentro e fora do México acompanharam essa tragédia que chocou o mundo. O que teria acontecido realmente? Quem ordenou o ataque? Onde estão os que faltam? Dos 43 estudantes que não foram localizados, um foi identificado por exame de ossos, mas os pais e os milhares de estudantes que foram as ruas continuam repetindo o lema “Vivo os levaram, vivos os queremos!”

Todos os anos são feitas milhares de denúncias por familiares, mas dificilmente os casos de desaparecimento são investigados e solucionados, como pode ser verificado no episódio Ayotzinapa. Apesar da comoção nacional e internacional em torno do caso e da reivindicação por respostas do governo, não houve, até o momento, uma solução considerada satisfatória por parte dos pais e estudantes seguem convocando protestos em todo o país.

Ao considerar o teatro como uma arte de resistência capaz de capturar o espectador e removê-lo de sua confortabilidade, o Ói Nóis tem promovido o debate e a reflexão por meio do exercício da performance, visando à formação de uma consciência crítica e sócio-política, uma exigência para a ideia de “exercício da cidadania”.
Desde a sua fundação na simbólica data de 31 de março de 1978, o Ói Nóis Aqui Traveiz busca um teatro comprometido eticamente com o momento político vivido no país e no mundo.

Por isso a Tribo vem mais uma vez para a rua lembrar os 43 estudantes desaparecidos no México.
A ação performática se soma ao movimento de milhares de ativistas dos direitos humanos de todo o mundo que exigem que o Governo do México proceda a investigação sobre o paradeiro destes estudantes desaparecidos e que  identifique e entregue os restos mortais aos seus familiares e aplique efetivamente as punições aos responsáveis.


Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz


Este ato se soma ao Movimento Utopia e Luta e outras organizações, que também estarão realizando ações na cidade, em virtude de estar completando neste mês 1 ano do desaparecimento dos 43 estudantes Mexicanos.
El otro soy yo!