A arte de transformar a realidade em poesia | Sebastião Milaré

No barco, sobre as Águas do Guaíba, afastando da Ilha do presídio e vendo as luzes de Porto Alegre às margens, tive a sensação de ver o passo derradeiro de um ritual sagrado. O que vivenciei na Ilha do presídio, ou Ilha das Pedras Brancas, tinha natureza própria ao ato litúrgico, mas era ato teatral. Teatro na acepção da arte que atualiza símbolos no Imaginário do espectador. E liturgia.

Não há contradição, pois no ato litúrgico o oficiante atualiza símbolos no imaginário dos fiéis. E foi isso que vivenciei naquela noite, caminhando pelas ribanceiras escuras, cheias de buracos e pedras, atrás de imagens que conduziam a inesperados ambientes, como as ruínas do antigo presídio ou a uma espécie de jardim de estátuas. Atores e atrizes surgiam da vegetação ou das trevas como gnomos. Ou sacerdotes de mítica seita, em celebração.




E o ritual, animado por cenas evocativas, assumidamente poéticas em atrito com as outras mais definidas e realistas, só terminaria no momento em que o barco apo…

E a Tribo cai no samba no Carnaval de Guaíba!

Hoje a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz estará em Guaíba participando de mais um carnaval ao lado da Escola de Samba Império Serrano.

A Escola fundada em 1974, que tem suas atividades realizadas no bairro Ermo, já homenageou o grupo duas vezes em carnavais anteriores, e neste ano contará a história de Chico Rei na avenida, para abordar também um tema de extrema importância: o preconceito racial no Brasil.

Será mais uma vez uma experiência humana, um encontro entre o teatro e uma das mais potentes manifestações populares do nosso país, o carnaval. Estaremos lá! O teatro militante do Ói Nóis Aqui Traveiz, que neste ano completa 38 anos de trajetória, também prestará a sua homenagem a esta figura lendária. Salve Chico Rei!