SANTO/AMARGO

Quase todo mundo conhece a expressão de Marx: “é preciso mudar o mundo e não interpretá-lo”. Hélio Oiticica vislumbrou uma outra direção: “é preciso que o mundo seja mundo do homem e não mundo do mundo”. A encenação de O Amargo Santo da Purificação, novo trabalho de rua criado pela Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, de Porto Alegre, segue essa mesma vereda, trazendo à agenda um tema – a transformação do mundo – e uma personagem – Carlos Marighella – bem pouco convencionais. A realização, estreada em setembro de 2008, insere-se nas manifestações que recordam os quarenta anos de morte do líder revolucionário brasileiro. Dado o contexto, teríamos todos os elementos para mais uma peça de agitação dos oprimidos, mais um exercício para a retórica coletivista, mais uma encenação épica erigida sobre chavões. Não é o que ocorre. A primeira grande aventura do Ói Nóis foi a de privilegiar os poemas escritos pelo revolucionário e não seus discursos ou textos de militância. O material dramátic…

"Hamlet Envenenado ou o Gosto do Azedo"

O Grupo Rito estará apresentando o espetáculo “Hamlet Envenenado ou o Gosto do Azedo” nos dias 8, 15 e 22 de abril (sextas feiras), às 20h na Terreira da Tribo (Rua Santos Dumont, 1186 - São Geraldo). Entrada Franca!
Distribuição de senhas às 19h30!

"Hamlet Envenenado ou o Gosto do Azedo"

Inspirado no personagem ícone do teatro universal de Shakespeare, “Hamlet envenenado, ou o gosto do azedo”, é uma visita na obra do bardo inglês, abrindo janelas por Heiner Müller e por poemas de exílio e de resistência de alguns poetas palestinos, com suas respectivas obras: Hamlet Máquina e Lamentos dos Oprimidos.
Esse farrapo de Shakespeare, que perdido na corrupção familiar promete vingança ao fantasma do pai assassinado e que serve de moldura ao grito de Ofélia, que clama por vingança. É uma história atual, amparada pelos fragmentos de Heiner Müller e por sua violenta visão de mundo.

Embora seja uma metáfora do homem moderno e de suas consequências de vida, Hamlet é o espelho do teatro e dos homens de teatro diante da crise do artista-intelectual em sua consciência de impotência. Nosso drama não se realiza mais, estamos saturados. O vicio da modernidade tem gosto azedo e nos envenena com a ausência de referencias. O sexo, o poder, o dinheiro e a ganância são ingredientes desse veneno que bebemos cotidianamente, sentados, vestindo a máscara de espectador. Tirai-vos essa máscara!

O RITO – Grupo de Teatro – é um grupo experimental que entende nessa possibilidade de montagem, a importância de fazer um teatro social, crítico e com tantas interrogações para dividir com o público e dialogando com a História da Humanidade e nesse sentido afirmamos: "é preciso aceitar a presença dos mortos como parceiros de diálogo ou como destruidores - somente o diálogo com os mortos engendra o futuro", como já dizia Müller.
O Grupo se constituiu após a formação de atores na Escola de Teatro Popular da Terreira da Tribo, com a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz. Hoje desenvolve uma pesquisa no campo da dramaturgia pós-dramática e com o Teatro Ritual.

Fotos: Alissa Gottfried