A Casa de Fausto sob o Signo do Cruzeiro do Sul [Parte 3/Final]

Anátema e sagração da primaveraO grupo brasileiro Ói Nóis Aqui Traveiz encena o Fausto de Goethe em Porto AlegrePor Friedrich Dieckmann para a revista alemã Theater Der Zeit
 O princípio do palco simultâneo, que define toda a encenação, repete-se nas cenas de Margarida nas dimensões de um espaço com forma de sala, e o espectador pode escolher os pontos, a partir dos quais ele quer assistir aos acontecimentos; ele pode também mudar de lugar. Nos dois lados estreitos tornam-se presentes duas instâncias polares: num lado, o grupo de imobilidade estatuária, no qual aparecem, ao lado de um sacerdote, um cavaleiro e uma mulher (trata-se de Valentim e da mãe de Margarida), à semelhança de estátuas; no outro lado, a área do jardim com o lago, as pedras e as plantas, que aparece atrás de véus. O lado da igreja estende-se por todo o espaço na forma de figuras de santos (aquelas figuras carregadas da rua para dentro do recinto); a roda de fiar se encontra aqui, em cuja caixa Mefisto deposita o …

"Hamlet Envenenado ou o Gosto do Azedo"

O Grupo Rito estará apresentando o espetáculo “Hamlet Envenenado ou o Gosto do Azedo” nos dias 8, 15 e 22 de abril (sextas feiras), às 20h na Terreira da Tribo (Rua Santos Dumont, 1186 - São Geraldo). Entrada Franca!
Distribuição de senhas às 19h30!

"Hamlet Envenenado ou o Gosto do Azedo"

Inspirado no personagem ícone do teatro universal de Shakespeare, “Hamlet envenenado, ou o gosto do azedo”, é uma visita na obra do bardo inglês, abrindo janelas por Heiner Müller e por poemas de exílio e de resistência de alguns poetas palestinos, com suas respectivas obras: Hamlet Máquina e Lamentos dos Oprimidos.
Esse farrapo de Shakespeare, que perdido na corrupção familiar promete vingança ao fantasma do pai assassinado e que serve de moldura ao grito de Ofélia, que clama por vingança. É uma história atual, amparada pelos fragmentos de Heiner Müller e por sua violenta visão de mundo.

Embora seja uma metáfora do homem moderno e de suas consequências de vida, Hamlet é o espelho do teatro e dos homens de teatro diante da crise do artista-intelectual em sua consciência de impotência. Nosso drama não se realiza mais, estamos saturados. O vicio da modernidade tem gosto azedo e nos envenena com a ausência de referencias. O sexo, o poder, o dinheiro e a ganância são ingredientes desse veneno que bebemos cotidianamente, sentados, vestindo a máscara de espectador. Tirai-vos essa máscara!

O RITO – Grupo de Teatro – é um grupo experimental que entende nessa possibilidade de montagem, a importância de fazer um teatro social, crítico e com tantas interrogações para dividir com o público e dialogando com a História da Humanidade e nesse sentido afirmamos: "é preciso aceitar a presença dos mortos como parceiros de diálogo ou como destruidores - somente o diálogo com os mortos engendra o futuro", como já dizia Müller.
O Grupo se constituiu após a formação de atores na Escola de Teatro Popular da Terreira da Tribo, com a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz. Hoje desenvolve uma pesquisa no campo da dramaturgia pós-dramática e com o Teatro Ritual.

Fotos: Alissa Gottfried