ÓI NÓIS AQUI TRAVEIZ 44 ANOS [PARTE 2]

    Com um mês de atividades o Teatro Ói Nóis Aqui Traveiz foi interditado pela Secretaria de Segurança. Aí começou uma longa campanha pela reabertura do teatro. O fechamento agravou a situação econômica do grupo e a saída de alguns dos seus integrantes. Para vencer a crise o grupo buscou outros espaços para encenar o seu espetáculo. Também é o momento em que o grupo começou a compartilhar as suas experiências através de uma oficina de teatro. E é principalmente com os jovens desta oficina que criou a montagem de “A Bicicleta do Condenado”, do espanhol Fernando Arrabal: um preTexto para a reVolta do Ói Nóis Aqui Traveiz. Durante o processo de criação integrantes do grupo foram presos em manifestações contra a ditadura. Essa experiência de repressão e violência foi canalizada para a cena. A reabertura do Teatro trouxe para a encenação uma história de opressão e horror, onde duas pessoas tentam sobreviver em um lugar comandado por uma ordem militar. Se no primeiro espetáculo o público fi

Desmontagem “Evocando os Mortos Poéticas da Experiência” em Cuba!

A performance “Evocando os Mortos – Poéticas da Experiência” da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz participa neste mês do principal Festival Cubano, o Maio Teatral. 

Esta edição do Festival que acontece de 13 a 22 de maio e que pretende refletir sobre o papel do Teatro de Grupo no Teatro Latino Americano, conta com grupos de longa trajetória e extrema relevância no continente, como o Teatro La Candelária da Colômbia, o Grupo Yuyachkani do Peru, o Teatro Gayumba da República Dominicana e contará pela primeira vez com a presença do grupo brasileiro Ói Nóis Aqui Traveiz. 

Além de apresentações da perfomance, a atuadora Tânia Farias participará de debates e seminários com teatreiros Latino Americanos e Caribenhos e também de um bate papo sobre publicações teatrais, apresentando ao Festival a Cavalo Louco – a Revista de Teatro da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz.


Sobre o Festival:

“Não se pode compreender a cena Latino Americana contemporânea, sem refletir sobre o papel do Teatro de Grupo. Ao tratar de uma noção que transmuta em categoria, sobrepassa seu sentido literal, alusivo a natureza coletiva do teatro que afeta a todas as suas formas de organização. Neste caso implica o compromisso com uma ética por parte do ator, formas singulares de participação e da relação entre indivíduo e coletivo, assim como especificidades nos procedimentos e perspectivas de trabalho criador que envolvem a todos os integrantes e as múltiplas disciplinas em jogo, cruzadas e compartilhadas de inúmeros modos”.


“Evocando os mortos – Poéticas da Experiência”

A desmontagem “Evocando os mortos – Poéticas da experiência” refaz o caminho do ator na criação de personagens emblemáticos da dramaturgia contemporânea. Constitui um olhar sobre as discussões de Gênero, abordando a violência contra a mulher em suas variantes, questões que passaram a ocupar centralmente o trabalho de criação do grupo Ói Nóis Aqui Traveiz.

Seguindo a linha de investigação sobre teatro ritual de origem artaudiana e performance contemporânea a desmontagem de Tânia Farias propõe um mergulho num fazer teatral onde o trabalho autoral do ator condensa um ato real com um ato simbólico, provocando experiências que dissolvam os limites entre arte e vida e ao mesmo tempo potencializem a reflexão e o autoconhecimento.

Desvelando os processos de criação de diferentes personagens, criadas entre 1999 e 2011 a atriz deixa ver quanto as suas vivências pessoais e do coletivo Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz atravessam os mecanismos de criação. A ativação da memória corporal, fazendo surgir e desaparecer as personagens.
Realizando uma espécie de ritual de evocação de seus mortos para compreensão dos desafios de fazer teatro nos dias de hoje.

Fotos Rafael Saes