A Missão - Lembrança de uma Revolução

A Revolução Possível Revista Aplauso/ 2007 Crítica de Fábio Prikladnicki
(Fotos Cisco Vasques)



De um espetáculo do tipo “teatro de vivência" da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz se espera muitas coisas, sendo uma delas a utilização de uma narrativa descontÍnua, fazendo com que o espectador se pergunte, a cada cena, "O que está acontecendo". Assim também é em A Missão (Lembrança de uma Revolução), do dramaturgo alemão Heiner Muller (1929-1995), que faz novatemporada no final de marco, na Terreira da Tribo, em PortoAlegre, depois de ter estreado em novembrode 2006. Aocontrário de outros trabalhos, nesse não se opera nenhumtipo de colagem textual: a marca do Ói Nóis está essencialmentena encenação. O que não é pouca coisa. Escrito em 1979, o texto parece, ainda hoje, vanguardista e ousado. Não apenas porque Muller é um dos maiores dramaturgos pós-modernos. Nem apenas porque sua produção, escrita em plena Alemanha comunista, tenha mantido vitalidade mesmo depois da queda d…

Eu não me imagino fora do teatro: é meu partido político, minha religião, é o meu lugar no mundo! Confira a participação da atuadora Tânia Farias no seminário "Dicções femininas na cultura brasileira" em SP!

A atuadora Tânia Farias, da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, de Porto Alegre - RS, participou do Seminário Dicções Femininas na Cultura Brasileira, promovido pelo Itaú Cultural em parceria com a Revista Cult – que na edição de setembro reúne um especial com histórias de mulheres que, pelo viés do feminino, foram e continuam abrindo caminhos para tantas outras na nossa sociedade. Entre este mosaico de mulheres se encontra o perfil de Tânia.

Foto: Pedro Isaias Lucas

O feminismo foi celebrado nos dias 24 e 25 de setembro em São Paulo, na composição de vozes como Djamila Ribeiro, Ivana Bentes e Eliane Potiguara que, com mediação de Bianca Santana, debateram sobre a ausência de espaços culturais ainda não ocupados por mulheres e a forma como as mesmas são apresentadas pelo cinema, a mídia e a literatura.

A mesa "Produzir Arte – Desfazendo a Hegemonia e Suas Complexidades" debateu o lugar da arte e a importância do protagonismo feminino que o Ói Nóis Aqui Traveiz vem desempenhando em seu trabalho. "O teatro político do Ói Nóis passa muito pelo corpo. Não é discursivo, que a cabeça tá aqui e o corpo tá lá. A cabeça faz parte do corpo. O corpo, o músculo, é inteligente e produz sentido, produz reflexão. O encontro com esse grupo me fez pensar sobre o meu próprio corpo e o lugar desse corpo no mundo. O que eu tenho que fazer como artista para garantir esse espaço não só para mim", afirma Tânia.  
Foto: Rafael Saes
Ao fim de sua fala, a atuadora trouxe à cena a personagem “Ofélia”, de Hamlet Máquina (1999), que desperta o entendimento real do seu lugar de mulher no mundo. A personagem de Heiner Muller e Tânia, juntas, denunciam as violências sofridas pelas mulheres e expõem suas dores que se entrelaçam através de experiências pessoais da atuadora. "A minha linguagem, a linguagem que eu elegi para me comunicar com o mundo, é o teatro. Eu não me imagino fora do teatro: é meu partido político, minha religião, é o meu lugar no mundo". 

Sob a mediação de Úrsula Passos, estiveram ao lado de Tânia, as artistas Estela Lapponi - que apresentou sua performance Intento 00035 – Ça m’Énerve!!! - e Roberta Barros, construindo meios para possibilitar ao campo artístico mais diversificado.

Outros nomes importantes ao debate sobre a temática foram apresentados nas mesas: Silenciamento do Feminino, com Eliane Dias, Marcia Kambeba e Marcia Tiburi, mediadas por Caróu Diquinson, e, A Legitimação da Presença da Mulher no Ambiente Acadêmico, com a presença de Azelene Kaingang, Nilma Gomes e Michele Fanini, com mediação de Lais Modelli. Além do encerramento do evento que contou com o espetáculo Glory Box com Nina Giovelli.

Foto: Pedro Isaias Lucas


No perfil traçado sobre a trajetória da atuadora na edição de setembro da Revista Cult, Tânia afirma: “É aqui que eu quero militar, tenho coisas a dizer através do meu corpo, da minha voz de mulher e de artista, e é desse lugar que eu quero fazer isso chegar às pessoas.”
Que essa voz seja ouvida.

Por Júlio Kaczam e Eduardo Arruda