ÓI NÓIS AQUI TRAVEIZ 44 ANOS [PARTE 2]

    Com um mês de atividades o Teatro Ói Nóis Aqui Traveiz foi interditado pela Secretaria de Segurança. Aí começou uma longa campanha pela reabertura do teatro. O fechamento agravou a situação econômica do grupo e a saída de alguns dos seus integrantes. Para vencer a crise o grupo buscou outros espaços para encenar o seu espetáculo. Também é o momento em que o grupo começou a compartilhar as suas experiências através de uma oficina de teatro. E é principalmente com os jovens desta oficina que criou a montagem de “A Bicicleta do Condenado”, do espanhol Fernando Arrabal: um preTexto para a reVolta do Ói Nóis Aqui Traveiz. Durante o processo de criação integrantes do grupo foram presos em manifestações contra a ditadura. Essa experiência de repressão e violência foi canalizada para a cena. A reabertura do Teatro trouxe para a encenação uma história de opressão e horror, onde duas pessoas tentam sobreviver em um lugar comandado por uma ordem militar. Se no primeiro espetáculo o público fi

Eu não me imagino fora do teatro: é meu partido político, minha religião, é o meu lugar no mundo! Confira a participação da atuadora Tânia Farias no seminário "Dicções femininas na cultura brasileira" em SP!

A atuadora Tânia Farias, da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, de Porto Alegre - RS, participou do Seminário Dicções Femininas na Cultura Brasileira, promovido pelo Itaú Cultural em parceria com a Revista Cult – que na edição de setembro reúne um especial com histórias de mulheres que, pelo viés do feminino, foram e continuam abrindo caminhos para tantas outras na nossa sociedade. Entre este mosaico de mulheres se encontra o perfil de Tânia.

Foto: Pedro Isaias Lucas

O feminismo foi celebrado nos dias 24 e 25 de setembro em São Paulo, na composição de vozes como Djamila Ribeiro, Ivana Bentes e Eliane Potiguara que, com mediação de Bianca Santana, debateram sobre a ausência de espaços culturais ainda não ocupados por mulheres e a forma como as mesmas são apresentadas pelo cinema, a mídia e a literatura.

A mesa "Produzir Arte – Desfazendo a Hegemonia e Suas Complexidades" debateu o lugar da arte e a importância do protagonismo feminino que o Ói Nóis Aqui Traveiz vem desempenhando em seu trabalho. "O teatro político do Ói Nóis passa muito pelo corpo. Não é discursivo, que a cabeça tá aqui e o corpo tá lá. A cabeça faz parte do corpo. O corpo, o músculo, é inteligente e produz sentido, produz reflexão. O encontro com esse grupo me fez pensar sobre o meu próprio corpo e o lugar desse corpo no mundo. O que eu tenho que fazer como artista para garantir esse espaço não só para mim", afirma Tânia.  
Foto: Rafael Saes
Ao fim de sua fala, a atuadora trouxe à cena a personagem “Ofélia”, de Hamlet Máquina (1999), que desperta o entendimento real do seu lugar de mulher no mundo. A personagem de Heiner Muller e Tânia, juntas, denunciam as violências sofridas pelas mulheres e expõem suas dores que se entrelaçam através de experiências pessoais da atuadora. "A minha linguagem, a linguagem que eu elegi para me comunicar com o mundo, é o teatro. Eu não me imagino fora do teatro: é meu partido político, minha religião, é o meu lugar no mundo". 

Sob a mediação de Úrsula Passos, estiveram ao lado de Tânia, as artistas Estela Lapponi - que apresentou sua performance Intento 00035 – Ça m’Énerve!!! - e Roberta Barros, construindo meios para possibilitar ao campo artístico mais diversificado.

Outros nomes importantes ao debate sobre a temática foram apresentados nas mesas: Silenciamento do Feminino, com Eliane Dias, Marcia Kambeba e Marcia Tiburi, mediadas por Caróu Diquinson, e, A Legitimação da Presença da Mulher no Ambiente Acadêmico, com a presença de Azelene Kaingang, Nilma Gomes e Michele Fanini, com mediação de Lais Modelli. Além do encerramento do evento que contou com o espetáculo Glory Box com Nina Giovelli.

Foto: Pedro Isaias Lucas


No perfil traçado sobre a trajetória da atuadora na edição de setembro da Revista Cult, Tânia afirma: “É aqui que eu quero militar, tenho coisas a dizer através do meu corpo, da minha voz de mulher e de artista, e é desse lugar que eu quero fazer isso chegar às pessoas.”
Que essa voz seja ouvida.

Por Júlio Kaczam e Eduardo Arruda