A Missão - Lembrança de uma Revolução

A Revolução Possível Revista Aplauso/ 2007 Crítica de Fábio Prikladnicki
(Fotos Cisco Vasques)



De um espetáculo do tipo “teatro de vivência" da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz se espera muitas coisas, sendo uma delas a utilização de uma narrativa descontÍnua, fazendo com que o espectador se pergunte, a cada cena, "O que está acontecendo". Assim também é em A Missão (Lembrança de uma Revolução), do dramaturgo alemão Heiner Muller (1929-1995), que faz novatemporada no final de marco, na Terreira da Tribo, em PortoAlegre, depois de ter estreado em novembrode 2006. Aocontrário de outros trabalhos, nesse não se opera nenhumtipo de colagem textual: a marca do Ói Nóis está essencialmentena encenação. O que não é pouca coisa. Escrito em 1979, o texto parece, ainda hoje, vanguardista e ousado. Não apenas porque Muller é um dos maiores dramaturgos pós-modernos. Nem apenas porque sua produção, escrita em plena Alemanha comunista, tenha mantido vitalidade mesmo depois da queda d…

Ói Nóis Aqui Traveiz celebra 39 anos de trajetória!

Num 31 de março, um satélite artificial foi lançado para o espaço. Em um 31 de março também nasceu uma criança, morreu outra. Em um 31 de março pessoas se amaram profundamente e um terremoto assolou um país. Em um 31 de março, trinta e uma bombas foram lançadas em terras de irmãos e em um 31 de março, um presidente também foi derrubado por um golpe militar.
Em um outro 31 de março, mais precisamente no ano de 1978 surgia no sul do país um grupo de jovens inquietos que iriam através do seu teatro plantar dúvidas, sementes, desejos de transformação em corpos que por ali transitavam. Era a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz e seu teatro com pedras nas veias.
Hoje, a Tribo celebra 39 anos de trajetória! Na contra mão, no contra fluxo, resistindo, (re)existindo e se reinventando!
E a luta continua!  Caliban – A Tempestade de Augusto Boal, a mais nova criação coletiva do Ói Nóis Aqui Traveiz, neste ano será a nossa voz. Estaremos nas praças, parques e ruas deste país. 
Não vamos calar! Fora Temer!
Foto Pedro Isaias Lucas
Estreia "Caliban - A Tempestade de Augusto Boal em Campina Grande
Canção do não tempo de lua
Amada não me censure, se sou de pouco falar
Nem se esse pouco que falo não faz você suspirar
É tempo de vida feia, de se morrer ou matar
De sonho cortado ao meio, de voz sem poder gritar
De pão que pra nós não chega, de noite sem se acabar
Por isso não me censure, se sou de pouco falar

Criança é bonito? É
Mulher é bonito? É
A lua é bonito? É
A rosa é bonito? É
Mas criança chega a homem se a bomba quiser
A mulher só tem seu homem se a bomba quiser
Homem sonha e faz seu sonho se a bomba quiser
Não é tempo de ver lua nem tirar rosa do pé

Amada minha não chore se nunca falo de amor
Nem se meu beijo é salgado, que é beijo chorado em dor
É tempo de vida triste, de olhar o céu com pavor
De mão pro último gesto, de olhar pra última flor
De verde que era esperança trazer desgraça na cor
Por isso amada não chore se nunca falo de amor

Criança é bonito? É
Mulher é bonito? É
A Lua é bonito? É
A rosa é bonito? É
Mas criança chega a homem se a bomba quiser
A mulher só tem seu homem se a bomba quiser
Homem sonha e faz seu sonho se a bomba quiser
Não é tempo de ver lua nem tirar rosa do pé

Amada não vá embora se eu trouxe desilusão
Se aumento sua tristeza, tão triste a minha canção
É tempo de fazer tempo, de pegar tempo na mão
De gente vindo no tempo em passeata ou procissão
No mesmo passo de sonho pra bomba dizendo não!

Amada não vá embora, mudou a minha canção!

Criança é bonito? É
Mulher é bonito? É
A lua é bonito? É
A rosa é bonito? É
Pois criança vai ser homem porque a gente quer
A mulher vai ter seu homem porque a gente quer
Homem vai fazer seu sonho porque a gente quer
Vai ser tempo de ver lua e tirar rosa do pé.
Mário Lago