SANTO/AMARGO

Quase todo mundo conhece a expressão de Marx: “é preciso mudar o mundo e não interpretá-lo”. Hélio Oiticica vislumbrou uma outra direção: “é preciso que o mundo seja mundo do homem e não mundo do mundo”. A encenação de O Amargo Santo da Purificação, novo trabalho de rua criado pela Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, de Porto Alegre, segue essa mesma vereda, trazendo à agenda um tema – a transformação do mundo – e uma personagem – Carlos Marighella – bem pouco convencionais. A realização, estreada em setembro de 2008, insere-se nas manifestações que recordam os quarenta anos de morte do líder revolucionário brasileiro. Dado o contexto, teríamos todos os elementos para mais uma peça de agitação dos oprimidos, mais um exercício para a retórica coletivista, mais uma encenação épica erigida sobre chavões. Não é o que ocorre. A primeira grande aventura do Ói Nóis foi a de privilegiar os poemas escritos pelo revolucionário e não seus discursos ou textos de militância. O material dramátic…

A roda gira, o palco também. Sopram os ventos e nosso pequeno “barcotribo” navega. Destino: o outro.

Maio 2017
Circuito Palco Giratório


A roda gira, o palco também. Sopram os ventos e nosso pequeno “barcotribo” navega. 
Destino: o outro.

Como tripulantes desta embarcação, sabemos que estamos em alto mar, no meio da Tempestade. Sentimos pelo ritmo apertado do passo do viajante que este mesmo mar não está para peixe. Temos a sensação de que estamos afundando. Rema! Rema!

Como tripulantes desta embarcação, sabemos que os tempos não são (e talvez nunca foram) fáceis para os sonhadores, os loucos, os apaixonados, os poetas que têm sede e fome por justiça. Sabemos também que “a influencia da estrutura é forte e que nós somos fracos/frágeis”.

Sabedores e não sabidos de tudo isso, na quarta feira passada, num dia 10, no mês que era de maio, a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz (RS) e o grupo Bando de Palhaços (RJ) se encontraram em uma pequena sala, nas dependências do Espaço Cultural – Escola SESC em Jacarepaguá. Compatilhamos o riso, a energia, o jogo, as histórias, as canções, o calor y otras cositas más.

Era o intercâmbio proposto pelo Circuito Nacional Palco Giratório acontecendo no Rio de Janeiro.
Se existe algo potente e transformador, esse algo se dá a partir do contato com o outro. O encontro.

- somos frágeis
- sim somos.

Mas ouvi dizer que “nessa batalha vence o frágil, porque o forte está rígido e podre, mas os frágeis, ah os frágeis estão flexíveis e estão vivos”.

Seguimos! Adelante! Como pequenas ilhas de desordem, que resistem. Façamos a travessia para chegar a outras ilhas hermanas. Coloquemos nossos barcos no mar. Façamos do amanhã um outro dia. E que sejam dias melhores.

Evoé!
#ForaTemer







Fotos: Pedro Isaias Lucas