A Missão - Lembrança de uma Revolução

A Revolução Possível Revista Aplauso/ 2007 Crítica de Fábio Prikladnicki
(Fotos Cisco Vasques)



De um espetáculo do tipo “teatro de vivência" da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz se espera muitas coisas, sendo uma delas a utilização de uma narrativa descontÍnua, fazendo com que o espectador se pergunte, a cada cena, "O que está acontecendo". Assim também é em A Missão (Lembrança de uma Revolução), do dramaturgo alemão Heiner Muller (1929-1995), que faz novatemporada no final de marco, na Terreira da Tribo, em PortoAlegre, depois de ter estreado em novembrode 2006. Aocontrário de outros trabalhos, nesse não se opera nenhumtipo de colagem textual: a marca do Ói Nóis está essencialmentena encenação. O que não é pouca coisa. Escrito em 1979, o texto parece, ainda hoje, vanguardista e ousado. Não apenas porque Muller é um dos maiores dramaturgos pós-modernos. Nem apenas porque sua produção, escrita em plena Alemanha comunista, tenha mantido vitalidade mesmo depois da queda d…

Caliban - A Tempestade de Augusto Boal no 12º Palco Giratótio em POA

Nesta quinta e sexta feira (4 e 5 de maio) tem "Caliban - A Tempestade de Augusto Boal" na abertura do 12º Palco Giratório Sesc-Poa!
As apresentações serão às 16h, no Largo Glênio Peres e a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz é o grupo homenageado do 20º circuito nacional Palco Giratório.

Foto: Fabiano Ávila

Sobre "Caliban - A Tempestade de Augusto Boal"

Foi um cubano, Roberto Fernández Retamar, o primeiro a falar em Caliban como símbolo dos povos marginalizados. E foi outro cubano, José Martí, que cunhou o termo Nuestra América, fundando uma concepção de identidade cultural do continente, com liberdade e determinação própria. 
A figura de Caliban em A Tempestade, de Boal, ratifica a fundação mais firme de uma representação voltada para as margens. Falar em Caliban como símbolo de nossa identidade e do teatro latino-americano, nos leva a explorar novas sendas, novas categorias e a possibilidade de pensar e fazer teatro de outro modo. Implica em tornar visível as inumeráveis contradições e complexidades que configuram as sociedades contemporâneas marcadas pela ferida colonial. 
Para o Ói Nóis Aqui Traveiz, levar para a rua a encenação Caliban - A Tempestade de Augusto Boal é gerar outros discursos, histórias e narrativas, produzir e reconhecer outros lugares de enunciação. Caliban é a reivindicação da legitimidade do “diferente”. Poder compartilhar e refletir com outras pessoas a pesquisa sobre a figura de Caliban, para o Ói Nóis, é investir na aspiração de falar e conhecer Nuestra América, seu teatro e seus cidadãos, que não desistem. E resistem.