A Visita do Presidenciável

Claudio Heemann (Zero Hora, 18 de dezembro de 1984) Foi em 1978 que o grupo “Ói Nóis Aqui Traveiz” surgiu num espaço alternativo na Rua Ramiro Barcellos. Pela primeira vez, na história do teatro local, Porto Alegre via experimentação anárquica, contestando, de forma radical, todos os valores burgueses. Era uma proposta revolucionária, de forte conteúdo político. A ruptura com as convenções cênicas do teatro tradicional era procurada através de estilização delirante e onírica. O espetáculo transformava-se num ritual insólito, envolvendo os espectadores. Nudez e agressão ao público faziam parte do tratamento de choque que o grupo utilizou na quebra dos moldes consagrados. O grupo logo passou a atuar nas ruas e interferir espetáculo a dentro nas encenações em cartaz na cidade. Algo como uma guerrilha urbana, o “Ói Nóis Aqui Traveiz” não era apenas um teatro de vanguarda, Quixotescamente repudiava toda a ordem político-social vigente. Era uma filosofia de vida e de ação que se derra

O Palco Gira e a Tribo chega no Rio de Janeiro!

O Ói Nóis Aqui Traveiz segue viagem pelo Circuito Palco Giratório e desembarca no Rio de Janeiro para uma semana repleta de atividades. Estaremos apresentando o espetáculo “Caliban – A Tempestade de Augusto Boal” e a desmontagem “Evocando  os Mortos - Poéticas da Experiência”, além de um workshop\vivência com a Tribo e um intercâmbio com grupo local. Fique por dentro da programação, em breve estaremos compartilhando por aqui mais informações. 

Confira a programação:
Todas as atividades serão realizadas no Espaço Cultural Escola Sesc em Jacarepaguá.

8 de maio das 15 às 18h30: Workshop\vivência com a Tribo
9 de maio, às 19h: Desmontagem evocando os Mortos Poéticas da Experiência
11 de maio, 16h: Caliban - A Tempestade de Augusto Boal

Paraty

13 de maio: "Caliban - A Tempestade de Augusto Boal" às 16h no Largo de Sta. Rita

14 de maio: Desmontagem Evocando os Mortos - Poéticas da Experiência às 20h no Sesc Silo - Paraty/Rj

Mais informações:
https://teatroescolasesc.files.wordpress.com/2017/04/clube_de_espectadores_maio_2017_web.pdf

Caliban - A Tempestade de Augusto Boal

Foto: Rogério Tosca

Impulsionada pela ideia de que “somos todos Caliban”, a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz propõe nesta encenação analisar criticamente a “tempestade” conservadora que sofre atualmente a América Latina, e, especialmente o grande retrocesso nos direitos sociais e na luta pela autonomia econômica, política e cultural que vivemos no Brasil. A encenação é criada a partir do texto “A Tempestade” de Boal, escrita pelo autor no exílio em 1974, período em que os movimentos sociais latino-americanos sofriam uma grande derrota frente ao imperialismo estadunidense e eram terrivelmente reprimidos pelas ditaduras civil-militares. A Tribo, sem trair a sua vocação artística, quer com o seu teatro de rua instaurar a alegria e a indignação nos seus milhares de espectadores. 

Desmontagem “Evocando os mortos – Poéticas da experiência”

Foto: Rafael Saes
A desmontagem “Evocando os mortos – Poéticas da experiência” refaz o caminho do ator na criação de personagens emblemáticos da dramaturgia contemporânea. Constitui um olhar sobre as discussões de Gênero, abordando a violência contra a mulher em suas variantes, questões que passaram a ocupar centralmente o trabalho de criação do grupo Ói Nóis Aqui Traveiz.
Seguindo a linha de investigação sobre teatro ritual de origem artaudiana e performance contemporânea a desmontagem de Tânia Farias propõe um mergulho num fazer teatral onde o trabalho autoral do ator condensa um ato real com um ato simbólico, provocando experiências que dissolvam os limites entre arte e vida e ao mesmo tempo potencializem a reflexão e o autoconhecimento.
Desvelando os processos de criação de diferentes personagens, criadas entre 1999 e 2011 a atriz deixa ver quanto as suas vivências pessoais e do coletivo Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz atravessam os mecanismos de criação. A ativação da memória corporal, fazendo surgir e desaparecer as personagens.
Realizando uma espécie de ritual de evocação de seus mortos para compreensão dos desafios de fazer teatro nos dias de hoje.