TERREIRA DA TRIBO 37 ANOS DE (R)EXISTÊNCIA

Artigo publicado no Correio do Povo em 11 de setembro de 2021. Fotos de Pedro Isaias Lucas.     No dia 14 de julho de 1984 a Terreira da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz abria as suas portas para o público. Com um show de rock-punk que reuniu as bandas Replicantes e Urubu Rei, entre outras. Logo em seguida o Ói Nóis Aqui Traveiz encenou na nova casa “A Visita do Presidenciável ou Os Morcegos estão Comendo os Abacates Maduros”, uma parábola sobre o momento político que o Brasil vivia, com a saída dos militares de cena e a entrada de um governo civil. E anunciava para toda cidade “...todas as pessoas gostam de cantar, dançar, representar, pintar, fotografar. Qualquer pessoa é capaz de criar e a Terreira da Tribo está aí para isso”. E nesses 37 anos de atividades a Terreira da Tribo abrigou as mais diversas manifestações culturais como espetáculos de teatro, shows musicais, ciclos de filmes e vídeos, seminários, debates, performances e celebrações. Hoje a Terreira é reco

Chegou a vez de Brasília conhecer a história de "Caliban - A Tempestade de Augusto Boal"


Primeiramente FORA TEMER!!!! DIRETAS  JÁ!!!

Nos dias 20 e 21 de julho a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz estará desembarcando em Brasília para mais apresentações do espetáculo "Caliban - A Tempestade de Augusto Boal" que segue percorrendo o país através do 20º Palco Giratório.

As apresentações serão nos dias 20 e 21.07, às 12h30 na Praça Central do Setor Comercial Sul – Praça do BRB.

Foto: Antônio Garcia Couto

Quando a gente se depara com o teatro de rua do Ói Nóis Aqui Traveiz experimentamos tantas sensações que ao final da peça estamos completos. São cheiros, cores, sons, cenografias, adereços, maquiagens e figurinos únicos, que só eles sabem fazer. Os personagens entram e saem de cena em plena rua como se estivéssemos dentro de um teatro com coxia, cortinas e camarins, tamanha intimidade que o grupo tem com esse tipo de teatro. Numa cena estão todos lá, atuando e, do nada, surgem eles com outro figurino, outra cor, outro cheiro, outra estética. Em Caliban - A Tempestade de Augusto Boal, o grupo encena a onda conservadora que nos assola, onde estão claros os retrocessos dos direitos sociais e a resistência possível do povo. Nessa história com início, meio e fim, estão os elementos que marcam a trajetória de 39 anos desse grupo singular.

Seu estilo está muito presente no novo espetáculo, embora seja totalmente diferente dos demais. 

A montagem, não por acaso, está hiperconectada com nossa realidade atual: se vale da versão de Augusto Boal, escrita no exílio na Argentina em 1974,  de "A Tempestade" de Shakespeare, para abordar os acontecimentos da América de hoje e seus colonizadores habituais. Sob a ótica do oprimido "Caliban" vemos as alegorias do poder, as tramas, as traições e o povo, como sempre, sofrendo as consequências da ganância do imperialismo. Tudo contado com máscaras, bonecos, pernas de pau, dança, música e atuações impecáveis. E já que "somos todos Caliban", fica a dica: não percam este espetáculo, pois ali na rua, durante a encenação do Ói Nóis, está exposta nossa alma latino-americana.

Bebê Baumgarten
(texto postado originalmente no site CENICAS)


Impulsionada pela ideia de que “somos todos Caliban”, a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz propõe nesta encenação analisar criticamente a “tempestade” conservadora que sofre atualmente a América Latina, e, especialmente o grande retrocesso nos direitos sociais e na luta pela autonomia econômica, política e cultural que vivemos no Brasil. A encenação é criada a partir do texto “A Tempestade” de Boal, escrita pelo autor no exílio em 1974, período em que os movimentos sociais latino-americanos sofriam uma grande derrota frente ao imperialismo estadunidense e eram terrivelmente reprimidos pelas ditaduras civil-militares. A Tribo, sem trair a sua vocação artística, quer com o seu teatro de rua instaurar a alegria e a indignação nos seus milhares de espectadores.