DUAS CARTAS PARA MEYERHOLD

  Carta de Henrique Saidel   Fotos de Eugênio Barboza, Lucas Gheller e Pedro Isaias Lucas Porto Alegre, inverno de 2020 Querido Meyerhold, Escrevo esta carta como quem escreve algo de muito importante, como quem escreve algo que lhe causa um tanto de medo e hesitação, como alguém que deseja escrever coisas bonitas, coisas inesquecíveis, inteligentes, coisas revolucionárias, coisas que estejam à altura da tua arte, do teu teatro, da tua vida. Escrevo esta carta depois de ter escrito “Querido Meyerhold”, ali no topo da página, há vários dias e depois de ter ficado vários dias sem escrever mais nada, apenas olhando a página em branco e pensando em todas as coisas bonitas, inesquecíveis, inteligentes e revolucionárias que eu poderia dizer para você e a teu respeito. Escrevo esta carta mais de um ano depois de ter visto (duas vezes) a peça que o Ói Nóis Aqui Traveiz fez com você no título e como personagem, e mais de dezenove ou vinte anos depois de te ler pela primeira v

Chegou a vez de Brasília conhecer a história de "Caliban - A Tempestade de Augusto Boal"


Primeiramente FORA TEMER!!!! DIRETAS  JÁ!!!

Nos dias 20 e 21 de julho a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz estará desembarcando em Brasília para mais apresentações do espetáculo "Caliban - A Tempestade de Augusto Boal" que segue percorrendo o país através do 20º Palco Giratório.

As apresentações serão nos dias 20 e 21.07, às 12h30 na Praça Central do Setor Comercial Sul – Praça do BRB.

Foto: Antônio Garcia Couto

Quando a gente se depara com o teatro de rua do Ói Nóis Aqui Traveiz experimentamos tantas sensações que ao final da peça estamos completos. São cheiros, cores, sons, cenografias, adereços, maquiagens e figurinos únicos, que só eles sabem fazer. Os personagens entram e saem de cena em plena rua como se estivéssemos dentro de um teatro com coxia, cortinas e camarins, tamanha intimidade que o grupo tem com esse tipo de teatro. Numa cena estão todos lá, atuando e, do nada, surgem eles com outro figurino, outra cor, outro cheiro, outra estética. Em Caliban - A Tempestade de Augusto Boal, o grupo encena a onda conservadora que nos assola, onde estão claros os retrocessos dos direitos sociais e a resistência possível do povo. Nessa história com início, meio e fim, estão os elementos que marcam a trajetória de 39 anos desse grupo singular.

Seu estilo está muito presente no novo espetáculo, embora seja totalmente diferente dos demais. 

A montagem, não por acaso, está hiperconectada com nossa realidade atual: se vale da versão de Augusto Boal, escrita no exílio na Argentina em 1974,  de "A Tempestade" de Shakespeare, para abordar os acontecimentos da América de hoje e seus colonizadores habituais. Sob a ótica do oprimido "Caliban" vemos as alegorias do poder, as tramas, as traições e o povo, como sempre, sofrendo as consequências da ganância do imperialismo. Tudo contado com máscaras, bonecos, pernas de pau, dança, música e atuações impecáveis. E já que "somos todos Caliban", fica a dica: não percam este espetáculo, pois ali na rua, durante a encenação do Ói Nóis, está exposta nossa alma latino-americana.

Bebê Baumgarten
(texto postado originalmente no site CENICAS)


Impulsionada pela ideia de que “somos todos Caliban”, a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz propõe nesta encenação analisar criticamente a “tempestade” conservadora que sofre atualmente a América Latina, e, especialmente o grande retrocesso nos direitos sociais e na luta pela autonomia econômica, política e cultural que vivemos no Brasil. A encenação é criada a partir do texto “A Tempestade” de Boal, escrita pelo autor no exílio em 1974, período em que os movimentos sociais latino-americanos sofriam uma grande derrota frente ao imperialismo estadunidense e eram terrivelmente reprimidos pelas ditaduras civil-militares. A Tribo, sem trair a sua vocação artística, quer com o seu teatro de rua instaurar a alegria e a indignação nos seus milhares de espectadores.