A arte de transformar a realidade em poesia | Sebastião Milaré

No barco, sobre as Águas do Guaíba, afastando da Ilha do presídio e vendo as luzes de Porto Alegre às margens, tive a sensação de ver o passo derradeiro de um ritual sagrado. O que vivenciei na Ilha do presídio, ou Ilha das Pedras Brancas, tinha natureza própria ao ato litúrgico, mas era ato teatral. Teatro na acepção da arte que atualiza símbolos no Imaginário do espectador. E liturgia.

Não há contradição, pois no ato litúrgico o oficiante atualiza símbolos no imaginário dos fiéis. E foi isso que vivenciei naquela noite, caminhando pelas ribanceiras escuras, cheias de buracos e pedras, atrás de imagens que conduziam a inesperados ambientes, como as ruínas do antigo presídio ou a uma espécie de jardim de estátuas. Atores e atrizes surgiam da vegetação ou das trevas como gnomos. Ou sacerdotes de mítica seita, em celebração.




E o ritual, animado por cenas evocativas, assumidamente poéticas em atrito com as outras mais definidas e realistas, só terminaria no momento em que o barco apo…

O espetáculo “Caliban - A Tempestade de Augusto Boal” abre o Festival Palco Giratório em Porto Velho/RO.

A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz que neste ano está sendo o grupo homenageado do 20º Festival Palco Giratório, percorrendo diversos cidades do país com apresentações, palestras e oficinas, nos dias 8 e 9 de julho estará realizando a abertura do Festival em Porto Velho com apresentação do espetáculo “Caliban – A Tempestade de Augusto Boal”.

O grupo também fará a abertura da Mostra Ji-Paraná no dia 11 de julho e participará do PENSAMENTO GIRATÓRIO.



Agenda em Rondonia:
Porto Velho:
Espetáculo Caliban – A Tempestade de Augusto Boal
Dias 8 e 9 de julho
Local: Praça Aluísio Ferreira (Av. Farquar)
Hora: 17h

Pensamento Giratório com a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz 
Dia 10
Local: Unir Centro
Hora: 9h

Ji-Paraná:
Espetáculo Caliban – A Tempestade de Augusto Boal
Dia 11 de julho
Local: Praça Dominguinhos
Hora: 17h

A TRIBO DE ATUADORES ÓI NÓIS AQUI TRAVEIZ escolheu a versão de Augusto Boal de A Tempestade. Ele apropria-se da peça de Shakespeare e do pensamento do cubano Retamar para questionar a exploração da América do Sul pelo colonialismo europeu e para discutir a postura neocolonialista dos Estados Unidos.

A figura de Caliban em A Tempestade, de Boal, ratifica a fundação mais firme de uma representação voltada para as margens. Falar em Caliban como símbolo de nossa identidade e do teatro latino-americano, nos leva a explorar novas sendas, novas categorias e a possibilidade de pensar e fazer teatro de outro modo. Implica em tornar visíveis as inumeráveis contradições e complexidades que configuram as sociedades contemporâneas marcadas pela ferida colonial.

Para o Ói Nóis Aqui Traveiz, encenar “A Tempestade de Augusto Boal” é gerar outros discursos, histórias e narrativas, produzir e reconhecer outros lugares de enunciação. Caliban é a reivindicação da legitimidade do “diferente”.