A vanguarda gaúcha em ação

Marcelo Marchioro ( O Estado do Paraná, 29 de Junho de 1979)   Para todos aqueles que procuram a renovação de tudo aquilo que está de uma maneira ou outra ligada ao homem, para todos os que são suficientemente abertos para receberem novas idéias e concepções e se colocam contra qualquer tipo de estagnação, para todos os que possuem uma visão ampla e irrestrita do que seja cultura e das várias maneiras pelas quais ela se manifesta, para todos aqueles que são receptivos (se não para gostar, ao menos para analisar) às novas e válidas propostas de trabalho e têm condições de entender o que seja um espetáculo consciente e revitalizador, hoje é o último dia para assistir a “Ensaio Selvagem” às 21 horas no Teatro Universitário de Curitiba, produção do grupo gaúcho “Ói Nóis Aqui Traveiz”.   Em geral, novas propostas ou manifestações de vanguarda (principalmente quando se trata de cultura) sempre são encaradas pelo público com muitas ressalvas, especialmente por aquela grande camada tradi

O espetáculo “Caliban - A Tempestade de Augusto Boal” abre o Festival Palco Giratório em Porto Velho/RO.

A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz que neste ano está sendo o grupo homenageado do 20º Festival Palco Giratório, percorrendo diversos cidades do país com apresentações, palestras e oficinas, nos dias 8 e 9 de julho estará realizando a abertura do Festival em Porto Velho com apresentação do espetáculo “Caliban – A Tempestade de Augusto Boal”.

O grupo também fará a abertura da Mostra Ji-Paraná no dia 11 de julho e participará do PENSAMENTO GIRATÓRIO.



Agenda em Rondonia:
Porto Velho:
Espetáculo Caliban – A Tempestade de Augusto Boal
Dias 8 e 9 de julho
Local: Praça Aluísio Ferreira (Av. Farquar)
Hora: 17h

Pensamento Giratório com a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz 
Dia 10
Local: Unir Centro
Hora: 9h

Ji-Paraná:
Espetáculo Caliban – A Tempestade de Augusto Boal
Dia 11 de julho
Local: Praça Dominguinhos
Hora: 17h

A TRIBO DE ATUADORES ÓI NÓIS AQUI TRAVEIZ escolheu a versão de Augusto Boal de A Tempestade. Ele apropria-se da peça de Shakespeare e do pensamento do cubano Retamar para questionar a exploração da América do Sul pelo colonialismo europeu e para discutir a postura neocolonialista dos Estados Unidos.

A figura de Caliban em A Tempestade, de Boal, ratifica a fundação mais firme de uma representação voltada para as margens. Falar em Caliban como símbolo de nossa identidade e do teatro latino-americano, nos leva a explorar novas sendas, novas categorias e a possibilidade de pensar e fazer teatro de outro modo. Implica em tornar visíveis as inumeráveis contradições e complexidades que configuram as sociedades contemporâneas marcadas pela ferida colonial.

Para o Ói Nóis Aqui Traveiz, encenar “A Tempestade de Augusto Boal” é gerar outros discursos, histórias e narrativas, produzir e reconhecer outros lugares de enunciação. Caliban é a reivindicação da legitimidade do “diferente”.