SANTO/AMARGO

Quase todo mundo conhece a expressão de Marx: “é preciso mudar o mundo e não interpretá-lo”. Hélio Oiticica vislumbrou uma outra direção: “é preciso que o mundo seja mundo do homem e não mundo do mundo”. A encenação de O Amargo Santo da Purificação, novo trabalho de rua criado pela Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, de Porto Alegre, segue essa mesma vereda, trazendo à agenda um tema – a transformação do mundo – e uma personagem – Carlos Marighella – bem pouco convencionais. A realização, estreada em setembro de 2008, insere-se nas manifestações que recordam os quarenta anos de morte do líder revolucionário brasileiro. Dado o contexto, teríamos todos os elementos para mais uma peça de agitação dos oprimidos, mais um exercício para a retórica coletivista, mais uma encenação épica erigida sobre chavões. Não é o que ocorre. A primeira grande aventura do Ói Nóis foi a de privilegiar os poemas escritos pelo revolucionário e não seus discursos ou textos de militância. O material dramátic…

O espetáculo “Caliban - A Tempestade de Augusto Boal” abre o Festival Palco Giratório em Porto Velho/RO.

A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz que neste ano está sendo o grupo homenageado do 20º Festival Palco Giratório, percorrendo diversos cidades do país com apresentações, palestras e oficinas, nos dias 8 e 9 de julho estará realizando a abertura do Festival em Porto Velho com apresentação do espetáculo “Caliban – A Tempestade de Augusto Boal”.

O grupo também fará a abertura da Mostra Ji-Paraná no dia 11 de julho e participará do PENSAMENTO GIRATÓRIO.



Agenda em Rondonia:
Porto Velho:
Espetáculo Caliban – A Tempestade de Augusto Boal
Dias 8 e 9 de julho
Local: Praça Aluísio Ferreira (Av. Farquar)
Hora: 17h

Pensamento Giratório com a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz 
Dia 10
Local: Unir Centro
Hora: 9h

Ji-Paraná:
Espetáculo Caliban – A Tempestade de Augusto Boal
Dia 11 de julho
Local: Praça Dominguinhos
Hora: 17h

A TRIBO DE ATUADORES ÓI NÓIS AQUI TRAVEIZ escolheu a versão de Augusto Boal de A Tempestade. Ele apropria-se da peça de Shakespeare e do pensamento do cubano Retamar para questionar a exploração da América do Sul pelo colonialismo europeu e para discutir a postura neocolonialista dos Estados Unidos.

A figura de Caliban em A Tempestade, de Boal, ratifica a fundação mais firme de uma representação voltada para as margens. Falar em Caliban como símbolo de nossa identidade e do teatro latino-americano, nos leva a explorar novas sendas, novas categorias e a possibilidade de pensar e fazer teatro de outro modo. Implica em tornar visíveis as inumeráveis contradições e complexidades que configuram as sociedades contemporâneas marcadas pela ferida colonial.

Para o Ói Nóis Aqui Traveiz, encenar “A Tempestade de Augusto Boal” é gerar outros discursos, histórias e narrativas, produzir e reconhecer outros lugares de enunciação. Caliban é a reivindicação da legitimidade do “diferente”.