SANTO/AMARGO

Quase todo mundo conhece a expressão de Marx: “é preciso mudar o mundo e não interpretá-lo”. Hélio Oiticica vislumbrou uma outra direção: “é preciso que o mundo seja mundo do homem e não mundo do mundo”. A encenação de O Amargo Santo da Purificação, novo trabalho de rua criado pela Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, de Porto Alegre, segue essa mesma vereda, trazendo à agenda um tema – a transformação do mundo – e uma personagem – Carlos Marighella – bem pouco convencionais. A realização, estreada em setembro de 2008, insere-se nas manifestações que recordam os quarenta anos de morte do líder revolucionário brasileiro. Dado o contexto, teríamos todos os elementos para mais uma peça de agitação dos oprimidos, mais um exercício para a retórica coletivista, mais uma encenação épica erigida sobre chavões. Não é o que ocorre. A primeira grande aventura do Ói Nóis foi a de privilegiar os poemas escritos pelo revolucionário e não seus discursos ou textos de militância. O material dramátic…

A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz apresenta neste final de semana em Itajaí!

No próximo domingo (22.10) o espetáculo "Caliban - A Tempestade de Augusto Boal" abrirá o 5° Festival Brasileiro de Teatro Toni Cunha, em Itajaí - SC.
Dando continuidade na programação, a atuadora Tânia Farias apresentará na segunda feira (23.10) a desmontagem "Evocando os Mortos - Poéticas da Experiência".
Confira!

Dia 22/10 (domingo) - 17h
na Praça Genésio Miranda Lins - Beira Rio

Espetáculo Convidado de Abertura:
Caliban - A Tempestade de Augusto Boal
Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz - Porto Alegre, RS


Sinopse: Impulsionada pela ideia de que “somos todos Caliban”, a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz quer, com a encenação, analisar criticamente a “tempestade” conservadora que hoje sofre a América Latina, e especialmente o grande retrocesso nos direitos sociais e na luta pela autonomia econômica, política e cultural que vivemos no Brasil. A encenação é criada a partir do texto “A Tempestade” de Augusto Boal, escrita pelo autor no exílio, em 1974, período em que os movimentos sociais latino-americanos sofriam uma grande derrota frente ao imperialismo estado-unidense e eram terrivelmente reprimidos pelas ditaduras civil-militares. A Tribo, sem trair a sua vocação artística, quer com o seu teatro de rua instaurar a alegria e a indignação nos seus milhares de espectadores.

Classificação Indicativa: Livre  - Duração: 90min

Dia 23/10 (segunda) - 21h
no SESC Itajaí

Espetáculo Convidado:
Evocando os mortos – Poéticas da experiência
Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz - Porto Alegre, RS

Fotos: Pedro Isaias Lucas

Sinopse: Desvelando os processos de criação de diferentes personagens, criadas entre 1999 e 2011, a atriz Tânia Farias deixa ver quanto as suas vivências pessoais e do coletivo Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz atravessam os mecanismos de criação. Através da ativação da memória corporal, a atriz faz surgir e desaparecer as personagens, realizando uma espécie de ritual de evocação de seus mortos para compreensão dos desafios de fazer teatro nos dias de hoje.

Classificação Indicativa: 16 anos  - Duração: 60min