TEATRO RITUAL OFICINA COM A TRIBO DE ATUADORES ÓI NÓIS AQUI TRAVEIZ

A Escola de Teatro Popular da Terreira da Tribo abre inscrições para a Oficina de Teatro Ritual (Módulo III) com a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz. A Oficina é aberta e gratuita para atrizes, atores, pesquisadores e estudantes de artes cênicas, e acontecerá de 13 de janeiro a 26 de março de 2020, de segundas a quintas-feiras, das 9 às 13 horas, na Terreira da Tribo. As inscrições são presenciais na Terreira da Tribo (Rua Santos Dumont, 1186 - fone 3028 1358), de 10 a13 de dezembro, das 9 às 13 horas.

A Oficina de Teatro Ritual investigará os recursos expressivos do ator a partir do treinamento sobre as ações físicas. Tendo como base o pensamento de Antonin Artaud e o trabalho prático de Stanislavsky, Meierhold, Grotowski e Eugenio Barba. Nesta vivência serão trabalhados o movimento e a voz para a ampliação do corpo do ator e a ocupação do espaço teatral. A ênfase é colocada na corporalidade (em como perceber o próprio corpo) e na concentração (para perceber o outro) para que at…

O surgimento de um espetáculo de vanguarda em Porto Alegre!

Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz - 40 Anos!

Nesta quinta feira (7.12) compartilhamos uma crítica de Décio Presser (Jornal Folha da Tarde - Panorama) sobre as primeiras encenações do Grupo Ói Nóis Aqui Traveiz, datada de abril de 1978.

“A Divina Proporção” e “A Felicidade não Esperneia”


O público acostumado às montagens digestivas e tradicionais, certamente ficará chocado com as proposições do grupo “Ói Nóis Aqui Traveiz”, no espetáculo que reúne duas peças curtas do autor gaúcho Júlio Zanotta Vieira. Sem sombra de dúvida, trata-se de um espetáculo de vanguarda, como poucas vezes se viu em Porto Alegre. Os textos praticamente foram sufocados pela parafernália de efeitos, onde a proposta é o anarquismo total. Isto seria plenamente aceitável, se não houvesse uma agressão gratuita ao público, que se persistir acabará por afastá-lo desta experiência inédita entre nós.
Na primeira peça, “Divina Proporção”, quatro personagens surgem do lixo que compõe o espaço cênico, se desgastando no “boom” imobiliário, numa crítica cuja superficialidade é compensada pela criatividade da encenação. O mesmo acontece em maior escala com “A Felicidade não Esperneia, Patati, Patatá”, onde o autor através de uma linguagem alegórica faz uma irônica parábola sobre a “instituição médica”. Tudo isso acontece com atores, utilizando vozes distorcidas, retirando os acessórios do lixo, numa mistura de “gran quignol”, que o público acompanha estupefato e às vezes reticente, separado apenas por uma cerca de arame farpado que isola o espaço cênico.
Não fossem as agressões, tentando impedir o público de ter suas próprias reações, o espetáculo seria um exercício fascinante de criatividade, comparável ao teatro de vanguarda feito nos grandes centros. A loucura é tão grande e desenfreada que certas pessoas retiraram-se antes do término. Mas as intenções do grupo estão bem definidas, num manifesto que é lido durante o intervalo, pedindo a retirada de “todos os países imperialistas estrangeiros dentro de 24 horas, através de suas multinacionais, etc”. Enfim, um espetáculo divertido para quem for preparado para curtir as mais diversas reações dos espectadores.