VOLTA O CINECLUBE DA TERREIRA DA TRIBO DIA 3 DE MARÇO COM “A TRANSMISSÃO DA FLOR”

Na terça-feira, dia 3 de março, o CineClube da Terreira da Tribo está de volta com a exibição do documentário “A Transmissão da Flor” dirigido por Mariana Rotili, às 20 horas, na Terreira da Tribo (rua Santos Dumont, 1186), com entrada franca. O CineClube terá programação todas as terças-feiras de março – no dia 10 com “Cinema de Animação:Mulheres fora do Eixo”, com filmes curtas metragens de diretoras de diferentes partes do país e curadoria de Maíra Coelho e Marina Kerber; no dia 17 com “Édipo Rei' (1967) de Pier Paolo Pasolini e no dia 24 com “A Paixão de Joana D'Arc”(1928) de Carl Theodor Dreyer. Após os filmes haverá sempre uma roda de conversa. O CineClube faz parte da programação “Terreira da Tribo Eu Apoio!” - que é uma campanha de financiamento coletivo e permanente para a manutenção do espaço cultural Terreira da Tribo, através de uma plataforma online. As pessoas interessadas em colaborar na campanha podem fazer uma assinatura mensal no link www.benfeitoria.com/terr…

O surgimento de um espetáculo de vanguarda em Porto Alegre!

Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz - 40 Anos!

Nesta quinta feira (7.12) compartilhamos uma crítica de Décio Presser (Jornal Folha da Tarde - Panorama) sobre as primeiras encenações do Grupo Ói Nóis Aqui Traveiz, datada de abril de 1978.

“A Divina Proporção” e “A Felicidade não Esperneia”


O público acostumado às montagens digestivas e tradicionais, certamente ficará chocado com as proposições do grupo “Ói Nóis Aqui Traveiz”, no espetáculo que reúne duas peças curtas do autor gaúcho Júlio Zanotta Vieira. Sem sombra de dúvida, trata-se de um espetáculo de vanguarda, como poucas vezes se viu em Porto Alegre. Os textos praticamente foram sufocados pela parafernália de efeitos, onde a proposta é o anarquismo total. Isto seria plenamente aceitável, se não houvesse uma agressão gratuita ao público, que se persistir acabará por afastá-lo desta experiência inédita entre nós.
Na primeira peça, “Divina Proporção”, quatro personagens surgem do lixo que compõe o espaço cênico, se desgastando no “boom” imobiliário, numa crítica cuja superficialidade é compensada pela criatividade da encenação. O mesmo acontece em maior escala com “A Felicidade não Esperneia, Patati, Patatá”, onde o autor através de uma linguagem alegórica faz uma irônica parábola sobre a “instituição médica”. Tudo isso acontece com atores, utilizando vozes distorcidas, retirando os acessórios do lixo, numa mistura de “gran quignol”, que o público acompanha estupefato e às vezes reticente, separado apenas por uma cerca de arame farpado que isola o espaço cênico.
Não fossem as agressões, tentando impedir o público de ter suas próprias reações, o espetáculo seria um exercício fascinante de criatividade, comparável ao teatro de vanguarda feito nos grandes centros. A loucura é tão grande e desenfreada que certas pessoas retiraram-se antes do término. Mas as intenções do grupo estão bem definidas, num manifesto que é lido durante o intervalo, pedindo a retirada de “todos os países imperialistas estrangeiros dentro de 24 horas, através de suas multinacionais, etc”. Enfim, um espetáculo divertido para quem for preparado para curtir as mais diversas reações dos espectadores.