A arte de transformar a realidade em poesia | Sebastião Milaré

No barco, sobre as Águas do Guaíba, afastando da Ilha do presídio e vendo as luzes de Porto Alegre às margens, tive a sensação de ver o passo derradeiro de um ritual sagrado. O que vivenciei na Ilha do presídio, ou Ilha das Pedras Brancas, tinha natureza própria ao ato litúrgico, mas era ato teatral. Teatro na acepção da arte que atualiza símbolos no Imaginário do espectador. E liturgia.

Não há contradição, pois no ato litúrgico o oficiante atualiza símbolos no imaginário dos fiéis. E foi isso que vivenciei naquela noite, caminhando pelas ribanceiras escuras, cheias de buracos e pedras, atrás de imagens que conduziam a inesperados ambientes, como as ruínas do antigo presídio ou a uma espécie de jardim de estátuas. Atores e atrizes surgiam da vegetação ou das trevas como gnomos. Ou sacerdotes de mítica seita, em celebração.




E o ritual, animado por cenas evocativas, assumidamente poéticas em atrito com as outras mais definidas e realistas, só terminaria no momento em que o barco apo…

Je suis Caliban – Intervenção Artístico-Digital na História da Arte




Caliban, a Tempestade de Augusto Boal, último espetáculo de Teatro de Rua da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, engendrou personagens que já se tornaram queridos do público, nesse quase um ano de trajetória. Pensar esses personagens para além da cena e inseri-los em outro contexto - a arte digital - foi uma deliciosa “brincadeira”, no qual pude unir o Teatro, a Arte Visual e a História da Arte, esferas que eu transito ao longo da vida. 
Trazer à tona artistas e suas obras para a rede social foi de certa forma uma tentativa de divulgação, para um publico que talvez não as conheça e acredito, que uma diversão àqueles que já possuem intimidade com a Arte Universal, só que agora com a intervenção digital e divertida dos atuadores do “Ói Nóis” e esses personagens do Teatro Brasileiro de Rua, recriando esses cenários e imaginando novos contextos. Um convite à diversão!
A arte digital foi feita em Corel Draw, a partir das imagens dos atuadores sob o olhar de vários fotógrafos e de imagens de obras de arte disponíveis na internet.

*Eduardo Arruda é atuador do Ói Nóis Aqui Traveiz e Historiador.

Legendas:

01. Rei Alonso e o Corcovado visto da baía de Botafogo, Rio de Janeiro, 1825-1826. Aquarela realçada com branco. De Charles Landseer. 
Atuador: Eduardo Arruda
Foto Original: Pedro Isaias Lucas

02. O sorriso de Ariel na mata virgem, Porto Alegre, 1850-1860. Grafite e aquarela sobre papel. De Manuel de Araújo.
Atuadora: Paula Carvalho
Foto Original: Ju Rossi/Rabisco do Design

03. A fuga de Estêvão e Trínculo na Praça de Março, Rio de Janeiro, 1895. De Benno Treidler.
Atuadores: Tânia Farias e Paulo Flores
Foto Original: Fabiano Ávila

04. Caliban e a selva brasileira, Porto Alegre, sem data. Aquarela sobre o papel. De Manuel de Araújo Porto-Alegre.
Atuador: Roberto Corbo
Foto Original: Antônio Garcia Couto

05. Miranda e a Tempestade, Itália, 1849-1917. Óleo sobre tela. De John William Waterhouse.
Atuadora: Marta Haas
Foto Original: Ju Rossi/Rabisco do Design

06. Sebastião não rezou a primeira missa no Brasil, Paris, 1860. Óleo sobre tela. De Victor Meirelles.
Atuador: Júlio Kaczam
Foto Original: Ju Rossi/Rabisco do Design

07. Retrato de Dom Fernando, Rio de Janeiro, 1824. Óleo sobre tela. De Henrique José da Silva.
Atuador: Eugênio Barboza
Foto Original: Débora Vaszelewski/Beta Redação

Confira!