TERREIRA DA TRIBO 37 ANOS DE (R)EXISTÊNCIA

Artigo publicado no Correio do Povo em 11 de setembro de 2021. Fotos de Pedro Isaias Lucas.     No dia 14 de julho de 1984 a Terreira da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz abria as suas portas para o público. Com um show de rock-punk que reuniu as bandas Replicantes e Urubu Rei, entre outras. Logo em seguida o Ói Nóis Aqui Traveiz encenou na nova casa “A Visita do Presidenciável ou Os Morcegos estão Comendo os Abacates Maduros”, uma parábola sobre o momento político que o Brasil vivia, com a saída dos militares de cena e a entrada de um governo civil. E anunciava para toda cidade “...todas as pessoas gostam de cantar, dançar, representar, pintar, fotografar. Qualquer pessoa é capaz de criar e a Terreira da Tribo está aí para isso”. E nesses 37 anos de atividades a Terreira da Tribo abrigou as mais diversas manifestações culturais como espetáculos de teatro, shows musicais, ciclos de filmes e vídeos, seminários, debates, performances e celebrações. Hoje a Terreira é reco

Neste domingo teremos "Tempestade" em Porto Alegre!!!

O espetáculo “Caliban – A Tempestade de Augusto Boal” que em maio deste ano viaja a Cuba para realizar um circuito de apresentações, realizará neste final de semana uma última apresentação na cidade de Porto Alegre antes de ter o seu material cênico enviado para a Ilha Caribenha. 

A apresentação será neste domingo (4.02), às 17h no Parque da Redenção. 

Foto: Pedro Isaias Lucas

Sobre o autor:
Augusto Boal nasceu no Rio de Janeiro em 1931 e apesar da formação em Engenharia, sempre se interessou pelo teatro. No início dos anos 50 esteve nos EUA onde estudou na Escola de Arte Dramática da Universidade de Columbia e frequentou os cursos de John Gassner - professor de alunos como Tennessee Williams e Arthur Miller. De volta ao Brasil, passou a integrar o Teatro de Arena, onde aos poucos adaptou o que aprendera nos Estados Unidos em espetáculos que buscavam encenar e discutir a realidade brasileira, transformando o espectador em cidadão ativo. Formado por Boal, José Renato, Gianfrancesco Guarnieri, Oduvaldo Vianna Filho e outros, o grupo de dramaturgos do Arena promoveu uma verdadeira revolução estética nos palcos brasileiros. 
O golpe de 1964 tornou cada vez mais difícil a situação dos artistas que haviam se engajado na transformação social do período precedente. Em 1971, Boal é então preso e torturado. Exila-se na Argentina com Cecília Thumin, onde organiza Teatro do Oprimido, seu livro mais conhecido. A partir de então, os princípios e as técnicas desenvolvidas por Boal alcançam um público cada vez maior, difundindo-se inicialmente pela América Latina e, ao longo dos anos 1970, pelo mundo inteiro. Em Paris, onde passa a morar e atuar, cria vários núcleos baseados em sua obra. Com o fim da ditadura, retorna ao Brasil em 1986, estabelecendo-se no Rio de Janeiro. Em 1992 é eleito vereador e desenvolve mais uma de suas técnicas, o Teatro Legislativo, que discute projetos de lei com o cidadão comum em ruas e praças da cidade. A Unesco conferiu a Boal o título de "Embaixador do Teatro Mundial" , em 2009. Nesse mesmo ano ele faleceu no Rio de Janeiro. Suas obras estão traduzidas para várias línguas, ocidentais e orientais. 

Impulsionada pela ideia de que “somos todos Caliban”, a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz propõe nesta encenação analisar criticamente a “tempestade” conservadora que sofre atualmente a América Latina, e, especialmente o grande retrocesso nos direitos sociais e na luta pela autonomia econômica, política e cultural que vivemos no Brasil. A encenação é criada a partir do texto “A Tempestade” de Boal, escrita pelo autor no exílio em 1974, período em que os movimentos sociais latino-americanos sofriam uma grande derrota frente ao imperialismo estadunidense e eram terrivelmente reprimidos pelas ditaduras civil-militares. A Tribo, sem trair a sua vocação artística, quer com o seu teatro de rua instaurar a alegria e a indignação nos seus milhares de espectadores.

O espetáculo foi contemplado com o Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz/2015 e faz parte do Projeto Caliban – Apontamentos sobre O Teatro de Nuestra América, selecionado pelo programa Rumos Itaú Cultural