A arte de transformar a realidade em poesia | Sebastião Milaré

No barco, sobre as Águas do Guaíba, afastando da Ilha do presídio e vendo as luzes de Porto Alegre às margens, tive a sensação de ver o passo derradeiro de um ritual sagrado. O que vivenciei na Ilha do presídio, ou Ilha das Pedras Brancas, tinha natureza própria ao ato litúrgico, mas era ato teatral. Teatro na acepção da arte que atualiza símbolos no Imaginário do espectador. E liturgia.

Não há contradição, pois no ato litúrgico o oficiante atualiza símbolos no imaginário dos fiéis. E foi isso que vivenciei naquela noite, caminhando pelas ribanceiras escuras, cheias de buracos e pedras, atrás de imagens que conduziam a inesperados ambientes, como as ruínas do antigo presídio ou a uma espécie de jardim de estátuas. Atores e atrizes surgiam da vegetação ou das trevas como gnomos. Ou sacerdotes de mítica seita, em celebração.




E o ritual, animado por cenas evocativas, assumidamente poéticas em atrito com as outras mais definidas e realistas, só terminaria no momento em que o barco apo…

Tribo internacional!

Compartilhamos abaixo duas publicações internacionais que abordam diferentes aspectos do trabalho da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz. A primeira é um artigo publicado na Revista The Drama Review, uma revista acadêmica da cidade de Nova York que foi fundada em 1955 e tem como foco o estudo sobre a performance nos seus contextos sociais, econômicos, estéticos e políticos.  



A segunda publicação é o livro “Brazilian Collaborative Theater: Interviews with Directors, Performers and Choreographers Kindle Edition” de Aleksandar Dundjerović  e Luiz Fernando Ramos que reúne 15 entrevistas com diversos pesquisadores, atores e diretores entre eles Paulo Flores (Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz), Zé Celso (Teatro Oficina), Antunes Filho, Gerald Thomas entre outros. Os entrevistados abordam reflexões sobre o processo de teatro colaborativo e descrevem um ambiente criativo coletivo em que os profissionais estão preocupados com questões fundamentais sobre contextos sociais, culturais e artísticos em que as produções são encenadas e o clima interdisciplinar que predominou desde o início da década de 1980.