Meierhold - Críticas

Para dar início a nova série de Críticas do Espetáculo MEIERHOLD, selecionamos o olhar acurado de Paulo Bio Toledo (Folha de São Paulo).   Paulo Bio Toledo p ossui graduação em Bacharelado em Artes Cênicas pela Universidade de São Paulo (2010), mestrado em Artes Cênicas pela Universidade de São Paulo (2013) e doutorado em Artes Cênicas pela Universidade de São Paulo (2018). Foi professor conferencista no curso de Artes Cênicas da ECA-USP e professor substituto no Instituto de Artes da Unesp.   Peça funciona como manifesto das posições que grupo defende Espetáculo é praticamente um monólogo escrito pelo dramaturgo e psicanalista argentino Eduardo Pavlovsky sobre o encenador russo Vsevolod Meierhold   Paulo Bio Toledo (Folha de São Paulo, 26 de novembro de 2019)   Fotos de Pedro Isaías Lucas     À primeira vista, o espetáculo “Meierhold”, da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, surpreende pela diferença com relação aos seus outros trabalhos. O grupo ga

Flores, Pavlovsky e Meyerhold!

Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz  - 40 ANOS


Fotos: Lucas Gheller
No ano em que completa quatro décadas de atividade, o grupo teatral Ói Nóis Aqui Traveiz lança uma campanha de financiamento coletivo para produzir Meierhold, seu novo espetáculo. Com atuação de Paulo Flores, um dos fundadores do coletivo, e Keter Velho, o espetáculo deve estrear no segundo semestre, resgatando a história do grande pensador russo do teatro Vsevolod Emilievich Meyerhold (1874 – 1940), que foi perseguido pelo stalinismo. O trabalho é livremente inspirado na peça Variações Meyerhold (2005), do dramaturgo argentino Eduardo Pavlovsky, morto em 2015. Por meio dos ensinamentos dos três mestres – Meyerhold, Pavlovsky e Flores –, o espetáculo vai propor uma reflexão sobre o atual contexto brasileiro e a posição do artista. 



O financiamento coletivo oferece recompensas para quem contribuir com valores a partir de  R$ 10. 
Para colaborar, acesse catarse.me/meierhold.


A encenação do Ói Nóis Aqui Traveiz é uma adaptação livre da peça “Variações Meierhold” do argentino Eduardo Pavlovsky. “Meierhold” mostra o diretor russo num tempo fora da realidade, póstumo, como um espectro que reflete sobre as injustiças, torturas e boicotes que sofreu por parte do regime stalinista. Ao mesmo tempo, no entanto, esse espectro diz estar na prisão, um velho que tem que suportar torturas diárias 'por um problema estético'. No monólogo estruturado em fragmentos que passam de pensamentos em voz alta a relatos e diálogos imaginários com diferentes interlocutores, Meierhold reclama que até os exercícios de sensibilização do corpo eram questionados pelos guardiões da arte socialista. Coerente com seus princípios, enfrentou, sem jamais se curvar e ceder, a pressão da ditadura stalinista contra a liberdade de criação artística, terminando por cair vítima de sua própria honestidade de artista, da intransigência com que lutou em defesa das suas ideias nos dias sombrios que se abateram sobre a cultura e as artes russas. A encenação e sua própria dinâmica busca perguntar aos espectadores como Meierhold nos afeta e nos comove no Brasil de hoje.