A Visita do Presidenciável

Claudio Heemann (Zero Hora, 18 de dezembro de 1984) Foi em 1978 que o grupo “Ói Nóis Aqui Traveiz” surgiu num espaço alternativo na Rua Ramiro Barcellos. Pela primeira vez, na história do teatro local, Porto Alegre via experimentação anárquica, contestando, de forma radical, todos os valores burgueses. Era uma proposta revolucionária, de forte conteúdo político. A ruptura com as convenções cênicas do teatro tradicional era procurada através de estilização delirante e onírica. O espetáculo transformava-se num ritual insólito, envolvendo os espectadores. Nudez e agressão ao público faziam parte do tratamento de choque que o grupo utilizou na quebra dos moldes consagrados. O grupo logo passou a atuar nas ruas e interferir espetáculo a dentro nas encenações em cartaz na cidade. Algo como uma guerrilha urbana, o “Ói Nóis Aqui Traveiz” não era apenas um teatro de vanguarda, Quixotescamente repudiava toda a ordem político-social vigente. Era uma filosofia de vida e de ação que se derra

Hoje tem "Caliban - A Tempestade de Augusto Boal" em Porto Alegre!

A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz apresenta Caliban - A Tempestade de Augusto Boal nesta quarta-feira (25/04) no Largo Glênio Peres, às 16 horas. A apresentação do espetáculo faz parte da programação da primeira edição do INTERCENA, projeto que visa à internacionalização das Artes Cênicas do Estado do Rio Grande do Sul, e ocorre em Porto Alegre até dia 27 de abril. 

O grupo foi homenageado pelo Circuito Nacional Palco Giratório - SESC em 2017, realizando apresentações do espetáculo em todo o país.



Fotos: Pedro Isaias Lucas
“A Tempestade” é escrita enquanto Boal estava no exílio em 1974, período em que os movimentos sociais latino-americanos sofriam uma grande derrota frente ao imperialismo estadunidense e eram terrivelmente reprimidos pelas ditaduras civil-militares, - momento fecundo para retomar Caliban enquanto representante das opressões advindas deste encontro colonial – colocando em foco o discurso de resistência evidenciado nesta figura. Agora Caliban não é mais somente o colonizado. Ele é a representação dos oprimidos de toda a sorte que residem neste país.