ESTÍMULO CEREBRAL

Dirceu Alves Jr. (Veja SP, 4 de dezembro de 2019)      Foto de Pedro Isaías Lucas   A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz é o principal coletivo da cena de Porto Alegre. Fundado há 21 anos, o grupo se firmou graças a uma estética provocadora e um permanente diálogo crítico junto ao público em montagens de rua ou desenvolvidas em salas fechadas. Cartaz do Teatro do Sesc Bom Retiro, Meierhold, adaptação da peça do dramaturgo argentino Eduardo Pavlovsky, concentra toda a sua força na reflexão de ideias em uma encenação com raros momentos surpreendentes. Paulo Flores interpreta o ator, diretor e teórico russo Vsevolod Emilevich Meierhold (1874-1940), preso, torturado e fuzilado pela ditadura stalinista por ter sua obra considerada como inadequada. O próprio personagem, tal como um fantasma, reconstitui seu passado e se mune de convicção para ressaltar o firme caráter e a necessidade de liberdade. Em algumas passagens, assume, inclusive, um saudável didatismo. A estrutura de monólogo, b

CALIBAN - A Tempestade de Augusto Boal No Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto

Foto Pedro Isaias Lucas
 
Após a exitosa participação no Festival Latino - Americano e Caribeño Mayo Teatral em Cuba, onde encenou a performance “Onde? Ação n° 2” e realizou oficinas e intercâmbios com grupos teatrais nas cidades de Pinar Del Río, Havana e Matanzas, a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz volta a apresentar “Caliban – A Tempestade de Augusto Boal”. A Tribo vai participar do Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto (São Paulo) com apresentações nos dias 13 e 14 de julho. Após o Festival o Ói Nóis Aqui Traveiz segue numa pequena gira organizada pelo Sesc SP em Presidente Prudente nos dias 17 e 18 de julho e em Bauru nos dias 19 e 20, com a Desmontagem "Evocando os Mortos - Poéticas da Experiência” e “Caliban – A Tempestade de Augusto Boal”.

Foto Pedro Isaias Lucas

O FIT de Rio Preto 2018, que chega a sua 18° edição internacional será realizado entre 5 e 14 de julho, tem como tema deste ano “Polifonias, Performances e Dizeres Possíveis”. Ao todo 23 espetáculos, que exploram diferentes pesquisas de linguagem, irão ocupar 16 locais fechados e públicos da cidade. A Tribo, ao completar os seus 40 anos de trajetória, volta ao Festival onde em 2007 realizou temporada de sucesso com a criação coletiva “Aos Que Virão Depois de Nós – Kassandra In Process”.


Foto Fabiano Ávila
Impulsionado pela ideia de que “somos todos Caliban”, a Tribo com a encenação para teatro de rua “Caliban - A Tempestade de Augusto Boal” analisa criticamente o retrocesso dos direitos sociais que vivemos hoje no Brasil. Boal apropria-se da peça de Shakespeare, escrita em 1611, e da ideia do escritor cubano Roberto Fernández Retamar, para questionar a exploração da América do Sul pelo colonialismo europeu e para discutir a postura neocolonialista dos Estados Unidos. As sociedades latino-americanas são marcadas pelas feridas coloniais. São visíveis as inúmeras contradições e complexidades que configuram essas sociedades contemporâneas. Para o Ói Nóis Aqui Traveiz, encenar “Caliban – A Tempestade de Augusto Boal” é gerar outros discursos, histórias e narrativas, produzir e reconhecer outros lugares de enunciação. Caliban é a reivindicação da legitimidade do "diferente". Caliban é símbolo da identidade latino-americana.

A “Desmontagem Evocando os Mortos – Poéticas da Experiência”, depois de percorrer oito cidades do interior gaúcho, volta a se apresentar no Estado de São Paulo. A Desmontagem constitui um olhar sobre as discussões de gênero, abordando a violência contra a mulher em suas variantes, questões que passaram a ocupar centralmente o trabalho de criação da Tribo. Desvelando os processos de criação de diferentes personagens, criadas entre 1999 e 2011, a atuadora Tânia Farias deixa ver quanto as suas vivências pessoais e do coletivo Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz atravessam os mecanismos de criação.
 
Foto Pedro Isaias Lucas