A Casa de Fausto sob o Signo do Cruzeiro do Sul [Parte 3/Final]

Anátema e sagração da primaveraO grupo brasileiro Ói Nóis Aqui Traveiz encena o Fausto de Goethe em Porto AlegrePor Friedrich Dieckmann para a revista alemã Theater Der Zeit
 O princípio do palco simultâneo, que define toda a encenação, repete-se nas cenas de Margarida nas dimensões de um espaço com forma de sala, e o espectador pode escolher os pontos, a partir dos quais ele quer assistir aos acontecimentos; ele pode também mudar de lugar. Nos dois lados estreitos tornam-se presentes duas instâncias polares: num lado, o grupo de imobilidade estatuária, no qual aparecem, ao lado de um sacerdote, um cavaleiro e uma mulher (trata-se de Valentim e da mãe de Margarida), à semelhança de estátuas; no outro lado, a área do jardim com o lago, as pedras e as plantas, que aparece atrás de véus. O lado da igreja estende-se por todo o espaço na forma de figuras de santos (aquelas figuras carregadas da rua para dentro do recinto); a roda de fiar se encontra aqui, em cuja caixa Mefisto deposita o …

CALIBAN - A Tempestade de Augusto Boal No Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto

Foto Pedro Isaias Lucas
 
Após a exitosa participação no Festival Latino - Americano e Caribeño Mayo Teatral em Cuba, onde encenou a performance “Onde? Ação n° 2” e realizou oficinas e intercâmbios com grupos teatrais nas cidades de Pinar Del Río, Havana e Matanzas, a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz volta a apresentar “Caliban – A Tempestade de Augusto Boal”. A Tribo vai participar do Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto (São Paulo) com apresentações nos dias 13 e 14 de julho. Após o Festival o Ói Nóis Aqui Traveiz segue numa pequena gira organizada pelo Sesc SP em Presidente Prudente nos dias 17 e 18 de julho e em Bauru nos dias 19 e 20, com a Desmontagem "Evocando os Mortos - Poéticas da Experiência” e “Caliban – A Tempestade de Augusto Boal”.

Foto Pedro Isaias Lucas

O FIT de Rio Preto 2018, que chega a sua 18° edição internacional será realizado entre 5 e 14 de julho, tem como tema deste ano “Polifonias, Performances e Dizeres Possíveis”. Ao todo 23 espetáculos, que exploram diferentes pesquisas de linguagem, irão ocupar 16 locais fechados e públicos da cidade. A Tribo, ao completar os seus 40 anos de trajetória, volta ao Festival onde em 2007 realizou temporada de sucesso com a criação coletiva “Aos Que Virão Depois de Nós – Kassandra In Process”.


Foto Fabiano Ávila
Impulsionado pela ideia de que “somos todos Caliban”, a Tribo com a encenação para teatro de rua “Caliban - A Tempestade de Augusto Boal” analisa criticamente o retrocesso dos direitos sociais que vivemos hoje no Brasil. Boal apropria-se da peça de Shakespeare, escrita em 1611, e da ideia do escritor cubano Roberto Fernández Retamar, para questionar a exploração da América do Sul pelo colonialismo europeu e para discutir a postura neocolonialista dos Estados Unidos. As sociedades latino-americanas são marcadas pelas feridas coloniais. São visíveis as inúmeras contradições e complexidades que configuram essas sociedades contemporâneas. Para o Ói Nóis Aqui Traveiz, encenar “Caliban – A Tempestade de Augusto Boal” é gerar outros discursos, histórias e narrativas, produzir e reconhecer outros lugares de enunciação. Caliban é a reivindicação da legitimidade do "diferente". Caliban é símbolo da identidade latino-americana.

A “Desmontagem Evocando os Mortos – Poéticas da Experiência”, depois de percorrer oito cidades do interior gaúcho, volta a se apresentar no Estado de São Paulo. A Desmontagem constitui um olhar sobre as discussões de gênero, abordando a violência contra a mulher em suas variantes, questões que passaram a ocupar centralmente o trabalho de criação da Tribo. Desvelando os processos de criação de diferentes personagens, criadas entre 1999 e 2011, a atuadora Tânia Farias deixa ver quanto as suas vivências pessoais e do coletivo Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz atravessam os mecanismos de criação.
 
Foto Pedro Isaias Lucas