ÓI NÓIS AQUI TRAVEIZ 44 ANOS [PARTE 2]

    Com um mês de atividades o Teatro Ói Nóis Aqui Traveiz foi interditado pela Secretaria de Segurança. Aí começou uma longa campanha pela reabertura do teatro. O fechamento agravou a situação econômica do grupo e a saída de alguns dos seus integrantes. Para vencer a crise o grupo buscou outros espaços para encenar o seu espetáculo. Também é o momento em que o grupo começou a compartilhar as suas experiências através de uma oficina de teatro. E é principalmente com os jovens desta oficina que criou a montagem de “A Bicicleta do Condenado”, do espanhol Fernando Arrabal: um preTexto para a reVolta do Ói Nóis Aqui Traveiz. Durante o processo de criação integrantes do grupo foram presos em manifestações contra a ditadura. Essa experiência de repressão e violência foi canalizada para a cena. A reabertura do Teatro trouxe para a encenação uma história de opressão e horror, onde duas pessoas tentam sobreviver em um lugar comandado por uma ordem militar. Se no primeiro espetáculo o público fi

Nova montagem da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz!

Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz  - 40 ANOS


No ano em que completa quatro décadas de atividade, o grupo teatral Ói Nóis Aqui Traveiz lança uma campanha de financiamento coletivo para produzir Meierhold, seu novo espetáculo. Com atuação de Paulo Flores, um dos fundadores do coletivo, e Keter Velho, o espetáculo deve estrear no segundo semestre, resgatando a história do grande pensador russo do teatro Vsevolod Emilievich Meyerhold (1874 – 1940), que foi perseguido pelo stalinismo. O trabalho é livremente inspirado na peça Variações Meyerhold (2005), do dramaturgo argentino Eduardo Pavlovsky, morto em 2015. Por meio dos ensinamentos dos três mestres – Meyerhold, Pavlovsky e Flores –, o espetáculo vai propor uma reflexão sobre o atual contexto brasileiro e a posição do artista. 

Fotos: Lucas Gheller

O financiamento coletivo oferece recompensas para quem contribuir com valores a partir de  R$ 10. 

Para colaborar, acesse catarse.me/meierhold.


A encenação do Ói Nóis Aqui Traveiz é uma adaptação livre da peça “Variações Meierhold” do argentino Eduardo Pavlovsky. “Meierhold” mostra o diretor russo num tempo fora da realidade, póstumo, como um espectro que reflete sobre as injustiças, torturas e boicotes que sofreu por parte do regime stalinista. Ao mesmo tempo, no entanto, esse espectro diz estar na prisão, um velho que tem que suportar torturas diárias 'por um problema estético'. No monólogo estruturado em fragmentos que passam de pensamentos em voz alta a relatos e diálogos imaginários com diferentes interlocutores, Meierhold reclama que até os exercícios de sensibilização do corpo eram questionados pelos guardiões da arte socialista. Coerente com seus princípios, enfrentou, sem jamais se curvar e ceder, a pressão da ditadura stalinista contra a liberdade de criação artística, terminando por cair vítima de sua própria honestidade de artista, da intransigência com que lutou em defesa das suas ideias nos dias sombrios que se abateram sobre a cultura e as artes russas. A encenação e sua própria dinâmica busca perguntar aos espectadores como Meierhold nos afeta e nos comove no Brasil de hoje.