TERREIRA DA TRIBO 37 ANOS DE (R)EXISTÊNCIA

Artigo publicado no Correio do Povo em 11 de setembro de 2021. Fotos de Pedro Isaias Lucas.     No dia 14 de julho de 1984 a Terreira da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz abria as suas portas para o público. Com um show de rock-punk que reuniu as bandas Replicantes e Urubu Rei, entre outras. Logo em seguida o Ói Nóis Aqui Traveiz encenou na nova casa “A Visita do Presidenciável ou Os Morcegos estão Comendo os Abacates Maduros”, uma parábola sobre o momento político que o Brasil vivia, com a saída dos militares de cena e a entrada de um governo civil. E anunciava para toda cidade “...todas as pessoas gostam de cantar, dançar, representar, pintar, fotografar. Qualquer pessoa é capaz de criar e a Terreira da Tribo está aí para isso”. E nesses 37 anos de atividades a Terreira da Tribo abrigou as mais diversas manifestações culturais como espetáculos de teatro, shows musicais, ciclos de filmes e vídeos, seminários, debates, performances e celebrações. Hoje a Terreira é reco

ÓI NÓIS AQUI TRAVEIZ NA FEIRA BRASILEIRA DE OPINIÃO – PORTO ALEGRE – CONTRAGOLPE

Foto: Pedro Isaias Lucas 


A partir do dia 27 de julho, sexta-feira, às 20h, a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz estará presente com o seu Teatro na Feira Brasileira de Opinião – Porto Alegre – Contragolpe, que está sendo realizada no Memorial Luiz Carlos Prestes (Av. Ipiranga, 10, esquina com Edvaldo Pereira Paiva), apresentando os esquetes “Save the whales”, “Oh Pátria Amada Salve! Salve!” e “Bem-aventurados”. No sábado, dia 28 de julho, a partir das 19h, a atuadora Tânia Farias em dupla com o compositor Mário Falcão apresentam canções de Violeta Parra. No encerramento da Feira, domingo, dia 29 de julho, às 15h, a Tribo encena “Caliban – A Tempestade de Augusto Boal”.

Save the wales” retrata a vida descartável de moradores de rua, representados alegoricamente como artistas de estrada, em seu cotidiano enfrentando as dificuldades para a sobrevivência. Ao mesmo tempo, remete à campanha mundialmente conhecida do Greenpeace “Salvem as Baleias” e o esforço para a preservação de uma espécie ameaçada de extinção. É uma adaptação do primeiro ato da peça “Save the whales – Heresia em três atos permutáveis” de Jorge Rein. Em “Oh Pátria Amada Salve! Salve!” um grupo de generais aposentados relembram comicamente o golpe de 1964 e discutem o amadorismo dos golpistas que tramaram o impedimento da Presidenta da República. “Bem-aventurados” é um esquete teatral criada pela Oficina Popular de Teatro do Bairro São Geraldo, a partir da obra dramatúrgica intitulada “Camilo”, do grupo teatral La Candelária da Colômbia, sobre o padre guerrilheiro Camilo Torres.

Foto: Pedro Isaias Lucas

Impulsionado pela ideia de que “somos todos Caliban” a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz criou a encenação para Teatro de Rua “Caliban – A Tempestade de Augusto Boal”. A encenação analisa criticamente a “tempestade” conservadora que hoje sofre a América Latina, e especialmente o grande retrocesso nos direitos sociais e na luta pela autonomia econômica, política e cultural que vivemos no Brasil. Momento fecundo para retomar Caliban como representante das opressões advindas desse encontro colonial, colocando em foco o discurso de resistência evidenciado nessa figura. Agora Caliban não é mais somente o colonizado. Ele é a representação dos oprimidos de toda sorte que residem nesse país chamado Brasil. Para o Ói Nóis Aqui Traveiz encenar “Caliban – A Tempestade de Augusto Boal” é gerar outros discursos, histórias e narrativas, produzir e reconhecer outros lugares de enunciação. Caliban é a reivindicação da legitimidade do “diferente”. Caliban é símbolo da identidade latino-americana e da resistência ao neo-colonialismo.