Santos Amargos

Paulo Bio Toledo - (Cavalo Louco Revista de teatro, dezembro de 2009)
[...] O dom de Despertar no passado as centelhas da esperança é um privilégio exclusivo do Historiador convencido de que também os mortos não estarão em segurança se o inimigo vencer. E esse inimigo não tem cessado de vencer.
Walter Benjamin Sobre o conceito da história
Necrofilia é o amor ao futuro Heiner Müller

Fotos de Pedro Isaias Lucas 
Anjos
A famosa metáfora do anjo da história do pensador alemão Walter Benjamin – interpretação poética da pintura Angelus Novus, de Paul Klee – retrata um anjo que observa o passado amontoado de entulho e destroços da civilização, mas não pode parar, é incessamente puxado ao futuro pelos ventos do Progresso.
Heiner Müller reescreve a imagem. Seu anjo olha a frente. Observa o futuro “represado, esmagando seus olhos”, mas a pilha de destroços é mais rápida que ele e o comprimento no instante: entre o passado e o futuro.Imobilizado, esmagado. Até que: “um renovado rufar de pod…

ÓI NÓIS AQUI TRAVEIZ NO FESTIVAL DA BAHIA

A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz estará presente esse ano no Festival Internacional Latino Americano de Teatro da Bahia – FILTE BAHIA 2018 que acontece neste mês de setembro. No dia 2 de setembro a Tribo estará mostrando a Desmontagem “Evocando os Mortos – Poéticas da Experiência” no Teatro Martim Gonçalves, às 17 horas, e no dia 3, no mesmo local, às 12 horas, a atuadora Tânia Farias participa do VII Colóquio Internacional Cênico da Bahia “70 Anos Despindo Artaud – O Teatro e seu Corpus Social: Política, Corpo e Voz”.

 
Kassandra in process (Foto Cláudio Etges)

Hamlet Máquina (Foto Cláudio Etges)
 Evocando os Mortos - Poéticas da Experiência” refaz o caminho da atriz na criação de personagens emblemáticos da dramaturgia contemporânea. Esse trabalho constitui um olhar sobre as discussões de gênero, abordando a violência contra a mulher em suas variantes, questões que passaram a ocupar centralmente o trabalho de criação do grupo Ói Nóis Aqui Traveiz. Ao seguir a linha de investigação sobre teatro ritual de origem artaudiana e performance contemporânea, a desmontagem de Tânia Farias propõe um mergulho num fazer teatral onde o trabalho autoral da atriz condensa um ato real com um ato simbólico, provocando experiências que dissolvam os limites entre arte e vida e ao mesmo tempo potencializem a reflexão e o autoconhecimento.


Desmontagem” é um conceito relativamente novo no âmbito das artes cênicas, constitui uma análise e desconstrução do próprio trabalho artístico e, ao mesmo tempo, é obra de arte. Tânia Farias é uma das pioneiras dessa pesquisa inovadora no Brasil e tem sido responsável pela disseminação dessa investigação do trabalho de ator em todo o país. 



Viúvas - performance sobre a ausência (Foto Pedro Lucas)
 Através da ativação da memória corporal, a atriz faz surgir e desaparecer as personagens, realizando uma espécie de ritual de evocação de seus mortos para compreensão dos desafios de fazer teatro nos dias de hoje. Tânia Farias revisita os processos de criação que deram sopro a três papeis femininos e um masculino. Em ordem cronológica: Ófelia em Hamlet Máquina (1999), a partir da peça homônima do alemão Heiner Müller; Kassandra em Aos Que Virão Depois de Nós – Kassandra In Process (2002), a partir da novela Cassandra, da alemã Christa Wolf; Sasportas em A Missão – Lembrança de uma Revolução (2006), novamente a partir de texto de Müller; e Sophia em Viúvas – Performance sobre a ausência (2011), a partir de peça e da novela Viudas, do chileno Ariel Dorfman. A 'Desmontagem : Evocando os Mortos - Poéticas da Experiência' já se apresentou em diversas cidades brasileiras e participou de festivais internacionais em Cuba e na Argentina.