ÓI NÓIS AQUI TRAVEIZ 44 ANOS [PARTE 2]

    Com um mês de atividades o Teatro Ói Nóis Aqui Traveiz foi interditado pela Secretaria de Segurança. Aí começou uma longa campanha pela reabertura do teatro. O fechamento agravou a situação econômica do grupo e a saída de alguns dos seus integrantes. Para vencer a crise o grupo buscou outros espaços para encenar o seu espetáculo. Também é o momento em que o grupo começou a compartilhar as suas experiências através de uma oficina de teatro. E é principalmente com os jovens desta oficina que criou a montagem de “A Bicicleta do Condenado”, do espanhol Fernando Arrabal: um preTexto para a reVolta do Ói Nóis Aqui Traveiz. Durante o processo de criação integrantes do grupo foram presos em manifestações contra a ditadura. Essa experiência de repressão e violência foi canalizada para a cena. A reabertura do Teatro trouxe para a encenação uma história de opressão e horror, onde duas pessoas tentam sobreviver em um lugar comandado por uma ordem militar. Se no primeiro espetáculo o público fi

ÓI NÓIS AQUI TRAVEIZ NO FESTIVAL DA BAHIA

A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz estará presente esse ano no Festival Internacional Latino Americano de Teatro da Bahia – FILTE BAHIA 2018 que acontece neste mês de setembro. No dia 2 de setembro a Tribo estará mostrando a Desmontagem “Evocando os Mortos – Poéticas da Experiência” no Teatro Martim Gonçalves, às 17 horas, e no dia 3, no mesmo local, às 12 horas, a atuadora Tânia Farias participa do VII Colóquio Internacional Cênico da Bahia “70 Anos Despindo Artaud – O Teatro e seu Corpus Social: Política, Corpo e Voz”.

 
Kassandra in process (Foto Cláudio Etges)

Hamlet Máquina (Foto Cláudio Etges)
 Evocando os Mortos - Poéticas da Experiência” refaz o caminho da atriz na criação de personagens emblemáticos da dramaturgia contemporânea. Esse trabalho constitui um olhar sobre as discussões de gênero, abordando a violência contra a mulher em suas variantes, questões que passaram a ocupar centralmente o trabalho de criação do grupo Ói Nóis Aqui Traveiz. Ao seguir a linha de investigação sobre teatro ritual de origem artaudiana e performance contemporânea, a desmontagem de Tânia Farias propõe um mergulho num fazer teatral onde o trabalho autoral da atriz condensa um ato real com um ato simbólico, provocando experiências que dissolvam os limites entre arte e vida e ao mesmo tempo potencializem a reflexão e o autoconhecimento.


Desmontagem” é um conceito relativamente novo no âmbito das artes cênicas, constitui uma análise e desconstrução do próprio trabalho artístico e, ao mesmo tempo, é obra de arte. Tânia Farias é uma das pioneiras dessa pesquisa inovadora no Brasil e tem sido responsável pela disseminação dessa investigação do trabalho de ator em todo o país. 



Viúvas - performance sobre a ausência (Foto Pedro Lucas)
 Através da ativação da memória corporal, a atriz faz surgir e desaparecer as personagens, realizando uma espécie de ritual de evocação de seus mortos para compreensão dos desafios de fazer teatro nos dias de hoje. Tânia Farias revisita os processos de criação que deram sopro a três papeis femininos e um masculino. Em ordem cronológica: Ófelia em Hamlet Máquina (1999), a partir da peça homônima do alemão Heiner Müller; Kassandra em Aos Que Virão Depois de Nós – Kassandra In Process (2002), a partir da novela Cassandra, da alemã Christa Wolf; Sasportas em A Missão – Lembrança de uma Revolução (2006), novamente a partir de texto de Müller; e Sophia em Viúvas – Performance sobre a ausência (2011), a partir de peça e da novela Viudas, do chileno Ariel Dorfman. A 'Desmontagem : Evocando os Mortos - Poéticas da Experiência' já se apresentou em diversas cidades brasileiras e participou de festivais internacionais em Cuba e na Argentina.