SELECIONADOS I LABORATÓRIO ABERTO COM A TRIBO DE ATUADORES OÍ NÓIS AQUI TRAVEIZ

Ana Rafaely dos Santos Teixeira Bruna Moreira da Silva Bruno Mros Camila Januário de Lima Charlotte Dafol Cristian Lampert David Soares Ouriques Diego Carneiro Eduarda Saraiva Eduardo Spieler Fayola Ferreira Gabriel Coupe Guilherme Paiffer Pelodan Gustavo Moreira Alves Hélio Roberto Oliveira da Silva Iarima Castro Alves Cardoso Janaína Baladão de Aguiar de Azevedo Ketelin Abbady Ketelyn Scrittori Liana Alice Márcio Bueno Dias Matheus Ferreira Barcellos Maria Inês Falcão Natalia Meneguzzi Nicolle Machado Pâmela Fogaça Lopes Raquel Ramos Raul Ribeiro Bezerra Vivian Gabriele Schmitz Samuel de Moraes Pretto

O selecionado precisa confirmar a vaga até no máximo dia 28 de junho, ou sua vaga será disponibilizada para um suplente.
SUPLENTES:
Jeferson Porto Ghenes Raíssa Tonial Raissa Tatiane S. Pereira Fernanda Copatti Tamires Mora Jules Renan Dutra Bemfica

Como informado no material de divulgação é necessário que o selecionado tenha disponibilidade para acompanhar todo o programa (Ofic…

FESTA DO POA EM CENA ÓI NÓIS AQUI TRAVEIZ 40 ANOS

Para comemorar esta data tão importante, a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz participa do 25º Porto Alegre em Cena, em uma noite de celebração e compartilhamento de seus ideais junto ao público da nossa cidade, uma noite de performances preparadas pela Tribo para serem partilhadas e vivenciadas, num ritual junto ao público nesta noite de festa.
É neste sábado, dia 22 de setembro, às 23h59, no Centro Municipal de Cultura (Av. Erico Verissimo 307), com entrada franca.

Foto: Fabiano Ávila

 

TEATROFAGIA E ANARQUIA

40 anos da Tribo


Em 31 de março de 1978 estreava “A Divina Proporção” e “A Felicidade Não Esperneia Patati Patatá”, duas peças curtas que formavam a primeira encenação do Teatro Ói Nóis Aqui Traveiz, na Rua Ramiro Barcelos. Ambas abordavam o processo de desumanização que o homem sofre pela violência da sociedade consumista. Viviam-se ainda os anos de intolerância e repressão policial da ditadura civil-militar que se instalara no Brasil em abril de 1964. Era um momento de grande ebulição social com a volta das grandes manifestações de rua exigindo liberdades democráticas e anistia aos presos e exilados políticos. O núcleo que deu origem ao Ói Nóis Aqui Traveiz queria um teatro comprometido com o momento político vivido no país. O grupo nascia com a ideia de um teatro concebido fora dos padrões convencionais. Estruturado como coletivo autônomo o Ói Nóis Aqui Traveiz começou a desenvolver a sua expressão a partir da criação coletiva, do contato direto entre atores e espectadores e do uso do corpo em oposição ao primado da palavra. O nome em grafia propositadamente iletrada era um aviso de que o grupo se propunha a tomar atitudes inusitadas e contestadoras. Esse teatro de transgressão e invenção levantou muita polêmica, e na retrospectiva da década, a crítica citou o grupo como o fato mais importante do teatro gaúcho. Fundamentado nos princípios de solidariedade, autogestão e anarquismo, no início dos anos 1980 o Ói Nóis Aqui Traveiz adotou o termo Tribo de Atuadores, que sugere uma nova sociedade, baseada na vivência em comunidade e na valorização das relações diretas e da responsabilidade individual. É nesse momento que nasce o teatro de rua da Tribo com as primeiras intervenções cênicas em manifestações ecológicas e pacifistas. A partir daí o Ói Nóis Aqui Traveiz não saiu mais da rua. Antimilitarismo, denúncia de agrotóxicos, luta contra o racismo, defesa dos povos indígenas; em todos os momentos de mobilização política, em atos de repúdio à injustiça social e à violência institucionalizada, a Tribo estava presente, em defesa terna e intransigente de uma humanidade criativa e solidária.

 
Foto André Ávila / Agencia RBS

Em 1984 os atuadores constituem a Terreira da Tribo, hoje situada na Rua Santos Dumont, no bairro São Geraldo. Um espaço cultural aberto a todo tipo de manifestações artísticas. O nome deste espaço feminino, telúrico e anarquista vem de terreiro, lugar de encontro do ser humano com o sagrado. Com o passar do tempo a Terreira da Tribo se transforma em Centro de Experimentação e Pesquisa Cênica e Escola de Teatro Popular. Partindo do princípio de que toda pessoa tem um potencial criador, o espaço oportuniza a todos os interessados o contato com o fazer teatral. Oferece à cidade oficinas de iniciação teatral, pesquisa de linguagem, formação e treinamento de atores, alem de seminários e ciclos de discussão sobre a cena contemporânea, criando um processo de permanentes descobertas, disseminando o conhecimento e o estímulo ao aprendizado, desenvolvendo o espírito do trabalho coletivo, valorizando a diferença, revisando conceitos estéticos, buscando sempre a essência do teatro. Além do trabalho pedagógico desenvolvido na Terreira, os atuadores criaram a ação Teatro Como Instrumento de Discussão Social levando oficinas para diversos bairros populares da região metropolitana. O teatro criado na periferia passou a ser um poderoso aliado na permanente luta em favor da construção da cidadania. Constituindo na prática um laboratório para imaginação social.
Tendo como base o Teatro Ritual de Antonin Artaud e o Teatro Épico de Bertolt Brecht, a Tribo bebeu de diversas fontes cênicas durante a sua trajetória, como o teatro revolucionário do Living Theatre, o trabalho de ações físicas dos mestres europeus Stanislavsky, Meierhold, Grotowski e Eugênio Barba, e dos brasileiros Augusto Boal (Teatro do Oprimido), José Celso Martinez Corrêa (Teatro Oficina) e Amir Haddad (Tá Na Rua). Nesses quarenta anos criou encenações que marcaram o teatro brasileiro como "Ostal", "Antîgona Ritos de Paixão e Morte", "Fausto", "A Saga de Canudos", "Kassandra In Process", "O Amargo Santo da Purificação" e "Medeia Vozes". Nesse grave momento que o nosso país vive, onde novamente a sombra do fascismo paira sobre os brasileiros, o Ói Nóis Aqui Traveiz reafirma as suas ideias e práticas coletivas em defesa da democracia, liberdade e justiça social. A Tribo continuará, nos próximos anos, compartilhando a sua experiência com o maior número de pessoas possível, através das suas encenações e da prática artístico-pedagógica. Certamente encontrará, como até aqui tem sido, os mais diferentes obstáculos para realizar o seu teatro de ousadia e ruptura. Mas resistir é manter abertos os vínculos com o futuro ainda sem nome e informe.

Paulo Flores

Publicado no jornal Correio do Povo no dia 31.03.2018