A Casa de Fausto sob o Signo do Cruzeiro do Sul [Parte 3/Final]

Anátema e sagração da primaveraO grupo brasileiro Ói Nóis Aqui Traveiz encena o Fausto de Goethe em Porto AlegrePor Friedrich Dieckmann para a revista alemã Theater Der Zeit
 O princípio do palco simultâneo, que define toda a encenação, repete-se nas cenas de Margarida nas dimensões de um espaço com forma de sala, e o espectador pode escolher os pontos, a partir dos quais ele quer assistir aos acontecimentos; ele pode também mudar de lugar. Nos dois lados estreitos tornam-se presentes duas instâncias polares: num lado, o grupo de imobilidade estatuária, no qual aparecem, ao lado de um sacerdote, um cavaleiro e uma mulher (trata-se de Valentim e da mãe de Margarida), à semelhança de estátuas; no outro lado, a área do jardim com o lago, as pedras e as plantas, que aparece atrás de véus. O lado da igreja estende-se por todo o espaço na forma de figuras de santos (aquelas figuras carregadas da rua para dentro do recinto); a roda de fiar se encontra aqui, em cuja caixa Mefisto deposita o …

CALIBAN EM CAXIAS DO SUL

“Caliban – A Tempestade de Augusto Boal”, criação coletiva da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, será encenada na Praça Dante Alighieri, no dia 3 de novembro, às 11 horas, dentro da Programação Aldeia SESC Caxias do Sul.

 
Foto Pedro Isaias Lucas

O Ói Nóis Aqui Traveiz traz este clássico de Shakespeare para a rua e para o exame crítico, lançando mão da adaptação feita por Augusto Boal, nos anos 70, para criticar o retrocesso nos direitos sociais do Brasil de hoje. A narrativa é vista pela perspectiva de Caliban, metáfora dos povos originários da América, que foram dizimados pelos colonizadores, simbolizados na figura de Próspero. 

 
Foto Pedro Isaias Lucas
A Tribo, sem trair a sua vocação artística, quer com o seu Teatro de Rua instaurar a alegria e a indignação nos seus milhares de espectadores. Como em todo bom teatro político, o público deve perceber que os símbolos da obra remetem à realidade, para despertar neles – emotiva e racionalmente – uma resposta crítica fora da ficção. Para seduzir o público anônimo e passageiro das ruas das cidades, a criação coletiva do Ói Nóis Aqui Traveiz investe em um movimento de cena dinâmico com personagens excêntricos, utilizando adereços e figurinos impactantes com máscaras e bonecos. A narração é toda contagiada pela música, o canto e a dança. Mesclando os movimentos do coro com ações acrobáticas, cenas de humor irreverente e personagens clownescos com uma narrativa épica, “Caliban – A Tempestade de Augusto Boal” reflete alegoricamente a nossa sociedade. Fazem parte da encenação os atuadores: Alex Pantera, André de Jesus, Clélio Cardoso, Daniel Steil, Dijean Bueno, Eugênio Barboza, Fabrício Cuña Miranda, Helen Sierra, Keter Velho, Letícia Virtuoso, Luana Rocha, Lucas Gheller, Márcio Leandro, Mariana Stedele, Marta Haas, Mayura Matos, Paulo Flores, Rafael Torres, Raphael Costa, Roberto Corbo, Rochelle Silveira, Rogério Bertoldo e Tânia Farias.