ÓI NÓIS AQUI TRAVEIZ 44 ANOS [PARTE 2]

    Com um mês de atividades o Teatro Ói Nóis Aqui Traveiz foi interditado pela Secretaria de Segurança. Aí começou uma longa campanha pela reabertura do teatro. O fechamento agravou a situação econômica do grupo e a saída de alguns dos seus integrantes. Para vencer a crise o grupo buscou outros espaços para encenar o seu espetáculo. Também é o momento em que o grupo começou a compartilhar as suas experiências através de uma oficina de teatro. E é principalmente com os jovens desta oficina que criou a montagem de “A Bicicleta do Condenado”, do espanhol Fernando Arrabal: um preTexto para a reVolta do Ói Nóis Aqui Traveiz. Durante o processo de criação integrantes do grupo foram presos em manifestações contra a ditadura. Essa experiência de repressão e violência foi canalizada para a cena. A reabertura do Teatro trouxe para a encenação uma história de opressão e horror, onde duas pessoas tentam sobreviver em um lugar comandado por uma ordem militar. Se no primeiro espetáculo o público fi

EM DEFESA DA DEMOCRACIA

Foto Guilherme Santos/Sul 21
 
Bolsonaro está na política brasileira há 30 anos e é totalmente corrupto! E é louco. Vingativo e insano. Está claro que não vai fazer nada para romper com o sistema vigente. Ele vai acelerar ao máximo essa onda que está destruindo o mundo. Vai facilitar as coisas para quem está roubando dinheiro das pessoas pobres. Vai militarizar a polícia. Vai tornar tudo mais difícil para as classes trabalhadoras. Grito isso para quem quiser ouvir. É o que vai acontecer se esse cara for eleito.
 
(Roger Waters em entrevista para a Folha SP)

Estamos a um passo de ver a nossa frágil democracia ser banida de nosso país. E justamente nas urnas com o voto popular. As ideias fascistas avançam e o seu candidato que propagandea desde sempre o ódio e a violência está prestes a se tornar presidente. Declarado racista, machista, homofóbico e defensor da tortura, se cerca de militares e empresários neoliberais que pretendem entregar as riquezas do nosso país para o capital estrangeiro. Mais do que nunca é preciso estar nas ruas – com alegria e indignação – e lutar para reverter essa situação. Mais do que nunca é preciso resistir a essa onda conservadora e reafirmar o pensamento crítico em defesa da democracia, da liberdade e da justiça social.

Nesse grave momento que o nosso país vive, no qual novamente a sombra do fascismo paira sobre os brasileiros, o Ói Nóis Aqui Traveiz reafirma as suas ideias e práticas libertárias. É necessário que cada voto nulo e branco hoje se transforme no voto que pode barrar o pensamento nazi-fascista. Conquistar cada voto indeciso ou amedrontado. Hoje a possibilidade de vencer a intolerância e o retrocesso social é votar em Haddad Presidente.


Foto Guilherme Santos/Sul 21

Martin Niemöller, símbolo da resistência aos nazistas - 1933 
 
"Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei. No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei. No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico. Como não sou católico, não me incomodei. No quarto dia, vieram e me levaram; já não havia mais ninguém para reclamar."

 
Intertexto
 
(A partir de poema de Bertold Brecht)

Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

 
No caminho com Maiakóvski 
 
(Eduardo Alves da Costa)

Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na Segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.