A Casa de Fausto sob o Signo do Cruzeiro do Sul [Parte 3/Final]

Anátema e sagração da primaveraO grupo brasileiro Ói Nóis Aqui Traveiz encena o Fausto de Goethe em Porto AlegrePor Friedrich Dieckmann para a revista alemã Theater Der Zeit
 O princípio do palco simultâneo, que define toda a encenação, repete-se nas cenas de Margarida nas dimensões de um espaço com forma de sala, e o espectador pode escolher os pontos, a partir dos quais ele quer assistir aos acontecimentos; ele pode também mudar de lugar. Nos dois lados estreitos tornam-se presentes duas instâncias polares: num lado, o grupo de imobilidade estatuária, no qual aparecem, ao lado de um sacerdote, um cavaleiro e uma mulher (trata-se de Valentim e da mãe de Margarida), à semelhança de estátuas; no outro lado, a área do jardim com o lago, as pedras e as plantas, que aparece atrás de véus. O lado da igreja estende-se por todo o espaço na forma de figuras de santos (aquelas figuras carregadas da rua para dentro do recinto); a roda de fiar se encontra aqui, em cuja caixa Mefisto deposita o …

UMA CELEBRAÇÃO DE 40 ANOS DE UTOPIA, PAIXÃO E RESISTÊNCIA

Não vão privatizar a minha alegria, nem a paixão, nem a vontade.
E você sabe que lindo é gritar todos os dias a mesma coisa,
sem ficar mudando de um dia para o outro!
Tudo não se pode entregar!
Fazer teatro aqui é minha maneira de resistir!
Minha única maneira de resistir...”
Eduardo Pavlovsky

Dando continuidade a “Uma Celebração de 40 anos de Utopia, Paixão e Resistência” a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz realiza a Desmontagem “Evocando os Mortos – Poéticas da Experiência” nos dias 4 e 9 de dezembro, às 20 horas, na Sala Álvaro Moreira, no Centro Municipal de Cultura, com entrada franca (distribuição de senhas a partir das 19 horas). Na Terreira da Tribo (rua Santos Dumont, 1186) está a Exposição “Tribo! 40 Anos de Rastro Libertário”, de terça-feira a sábado, das 15 às 19 horas. O Projeto tem o Patrocínio da Fruki através da Lei de Incentivo à Cultura do Governo do Estado do Rio Grande do Sul.

Foto: Pedro Isaias Lucas


Evocando os Mortos - Poéticas da Experiência” refaz o caminho da atriz na criação de personagens emblemáticos da dramaturgia contemporânea. Esse trabalho constitui um olhar sobre as discussões de gênero, abordando a violência contra a mulher em suas variantes, questões que passaram a ocupar centralmente o trabalho de criação do grupo Ói Nóis Aqui Traveiz. Ao seguir a linha de investigação sobre teatro ritual de origem artaudiana e performance contemporânea, a desmontagem de Tânia Farias propõe um mergulho num fazer teatral onde o trabalho autoral da atriz condensa um ato real com um ato simbólico, provocando experiências que dissolvam os limites entre arte e vida e ao mesmo tempo potencializem a reflexão e o autoconhecimento. Criação da Atuadora Tânia Farias a partir de quatro personagens de espetáculos da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz.

A Exposição “Tribo! 40 Anos de Rastro Libertário” reúne fotos, objetos de cena, máscaras e bonecos que contam, de forma afetuosa, fragmentos dessa Trajetória de 40 anos de Investigação, Poesia em ação e Rebeldia.