DUAS CARTAS PARA MEYERHOLD

  Carta de Henrique Saidel   Fotos de Eugênio Barboza, Lucas Gheller e Pedro Isaias Lucas Porto Alegre, inverno de 2020 Querido Meyerhold, Escrevo esta carta como quem escreve algo de muito importante, como quem escreve algo que lhe causa um tanto de medo e hesitação, como alguém que deseja escrever coisas bonitas, coisas inesquecíveis, inteligentes, coisas revolucionárias, coisas que estejam à altura da tua arte, do teu teatro, da tua vida. Escrevo esta carta depois de ter escrito “Querido Meyerhold”, ali no topo da página, há vários dias e depois de ter ficado vários dias sem escrever mais nada, apenas olhando a página em branco e pensando em todas as coisas bonitas, inesquecíveis, inteligentes e revolucionárias que eu poderia dizer para você e a teu respeito. Escrevo esta carta mais de um ano depois de ter visto (duas vezes) a peça que o Ói Nóis Aqui Traveiz fez com você no título e como personagem, e mais de dezenove ou vinte anos depois de te ler pela primeira v

UMA CELEBRAÇÃO DE 40 ANOS DE UTOPIA, PAIXÃO E RESISTÊNCIA

Não vão privatizar a minha alegria, nem a paixão, nem a vontade.
E você sabe que lindo é gritar todos os dias a mesma coisa,
sem ficar mudando de um dia para o outro!
Tudo não se pode entregar!
Fazer teatro aqui é minha maneira de resistir!
Minha única maneira de resistir...”
Eduardo Pavlovsky

Dando continuidade a “Uma Celebração de 40 anos de Utopia, Paixão e Resistência” a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz realiza a Desmontagem “Evocando os Mortos – Poéticas da Experiência” nos dias 4 e 9 de dezembro, às 20 horas, na Sala Álvaro Moreira, no Centro Municipal de Cultura, com entrada franca (distribuição de senhas a partir das 19 horas). Na Terreira da Tribo (rua Santos Dumont, 1186) está a Exposição “Tribo! 40 Anos de Rastro Libertário”, de terça-feira a sábado, das 15 às 19 horas. O Projeto tem o Patrocínio da Fruki através da Lei de Incentivo à Cultura do Governo do Estado do Rio Grande do Sul.

Foto: Pedro Isaias Lucas


Evocando os Mortos - Poéticas da Experiência” refaz o caminho da atriz na criação de personagens emblemáticos da dramaturgia contemporânea. Esse trabalho constitui um olhar sobre as discussões de gênero, abordando a violência contra a mulher em suas variantes, questões que passaram a ocupar centralmente o trabalho de criação do grupo Ói Nóis Aqui Traveiz. Ao seguir a linha de investigação sobre teatro ritual de origem artaudiana e performance contemporânea, a desmontagem de Tânia Farias propõe um mergulho num fazer teatral onde o trabalho autoral da atriz condensa um ato real com um ato simbólico, provocando experiências que dissolvam os limites entre arte e vida e ao mesmo tempo potencializem a reflexão e o autoconhecimento. Criação da Atuadora Tânia Farias a partir de quatro personagens de espetáculos da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz.

A Exposição “Tribo! 40 Anos de Rastro Libertário” reúne fotos, objetos de cena, máscaras e bonecos que contam, de forma afetuosa, fragmentos dessa Trajetória de 40 anos de Investigação, Poesia em ação e Rebeldia.