Denúncia atualizada de Heiner Muller

Antônio Holfeldt (Jornal do Comércio, 13 de Agosto de 1999) Fotos de Claudio Etges
A estreia de Hamlet Máquina, do dramaturgo alemão contemporâneo Heiner Müller, pelo grupo Ói Nóis Aqui Traveiz, é um acontecimento verdadeiramente ambíguo. A ambiguidade nasce do fato de a montagem desta peça, que consagrou e projetou internacionalmente o dramaturgo da Antiga Alemanha Popular, ser, por certo, uma feliz oportunidade para nosso teatro, mas, por outro lado, comemorando os quinze de localização da Terreira da Tribo, espaço cênico onde o Ói Nóis Aqui Traveiz desenvolve suas pesquisas e interferências na cidade, constitui-se também em seu canto de cisne: ao final de agosto, interrompendo a sua temporada, a Terreira da Tribo fechará suas portas e o Ói Nóis Aqui Traveiz estará na rua, motivado, dentre outras coisas, pela decisão (ambígua) da Prefeitura Municipal de Porto Alegre em se negar a dar qualquer apoio ao grupo.
A ambiguidade é mais significativa, se formos capazes de fazer a correta leitu…

UMA CELEBRAÇÃO DE 40 ANOS DE UTOPIA, PAIXÃO E RESISTÊNCIA

Não vão privatizar a minha alegria, nem a paixão, nem a vontade.
E você sabe que lindo é gritar todos os dias a mesma coisa,
sem ficar mudando de um dia para o outro!
Tudo não se pode entregar!
Fazer teatro aqui é minha maneira de resistir!
Minha única maneira de resistir...”
Eduardo Pavlovsky

Dando continuidade a “Uma Celebração de 40 anos de Utopia, Paixão e Resistência” a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz realiza a Desmontagem “Evocando os Mortos – Poéticas da Experiência” nos dias 4 e 9 de dezembro, às 20 horas, na Sala Álvaro Moreira, no Centro Municipal de Cultura, com entrada franca (distribuição de senhas a partir das 19 horas). Na Terreira da Tribo (rua Santos Dumont, 1186) está a Exposição “Tribo! 40 Anos de Rastro Libertário”, de terça-feira a sábado, das 15 às 19 horas. O Projeto tem o Patrocínio da Fruki através da Lei de Incentivo à Cultura do Governo do Estado do Rio Grande do Sul.

Foto: Pedro Isaias Lucas


Evocando os Mortos - Poéticas da Experiência” refaz o caminho da atriz na criação de personagens emblemáticos da dramaturgia contemporânea. Esse trabalho constitui um olhar sobre as discussões de gênero, abordando a violência contra a mulher em suas variantes, questões que passaram a ocupar centralmente o trabalho de criação do grupo Ói Nóis Aqui Traveiz. Ao seguir a linha de investigação sobre teatro ritual de origem artaudiana e performance contemporânea, a desmontagem de Tânia Farias propõe um mergulho num fazer teatral onde o trabalho autoral da atriz condensa um ato real com um ato simbólico, provocando experiências que dissolvam os limites entre arte e vida e ao mesmo tempo potencializem a reflexão e o autoconhecimento. Criação da Atuadora Tânia Farias a partir de quatro personagens de espetáculos da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz.

A Exposição “Tribo! 40 Anos de Rastro Libertário” reúne fotos, objetos de cena, máscaras e bonecos que contam, de forma afetuosa, fragmentos dessa Trajetória de 40 anos de Investigação, Poesia em ação e Rebeldia.