CINECLUBE DA TERREIRA DA TRIBO

Nesta segunda-feira, dia 15 de abril, às 20 horas, o Cineclube daTerreira da Tribo (rua Santos Dumont, 1186) exibe os filmes “Catadora de Gente” de Mirela Kruel e “Corpo Feminino” de Thaís Fernandes, dando seguimento a mostra Curtas Gaúchos em Debate, com entrada franca. Curtas Gaúchos em Debate faz parte da programação “Terreira da Tribo Eu Apoio!” - que é uma campanha de financiamento coletivo e permanente para a manutenção do espaço cultural Terreira da Tribo, através de uma plataforma online. As pessoas interessadas em colaborar na campanha podem fazer uma assinatura mensal no link www.benfeitoria.com/terreiradatribo.


Catadora de Gente” de Mirela Kruel mostra a história de vida da catadora Maria Tugira. Suas impressões e reflexões sobre a vida. Um filme sobre as dissonâncias sociais a partir da fala lúcida e precisa da personagem. Lançado em 2018, foi selecionado para o Festival “É Tudo Verdade”, na Mostra Nacional Competitiva De Curtas Metragens Brasileiros e recebeu Menção Honr…

TERREIRA DA TRIBO - EU APOIO!

Estamos com uma campanha de financiamento coletivo e permanente para a manutenção da Terreira da Tribo, através de uma plataforma online que se chama Benfeitoria.
Tu tens que acessar o link www.benfeitoria.com/terreiradatribo
Ali tu tens que te cadastrar na plataforma e é só seguir os passos. Funciona como uma assinatura mensal. 



A Terreira da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz é hoje um dos principais centros de investigação cênica do país. Foi criada em 1984 no bairro Cidade Baixa em Porto Alegre, RS. Em 1999, por conta da especulação imobiliária, mudou-se para o bairro Navegantes, onde foi constituída a Escola de Teatro Popular da Terreira da Tribo. Em 2009, mais uma vez por conta da especulação imobiliária, trocou de endereço para o bairro São Geraldo, onde permanece até hoje. E é nessa sede que a Terreira da Tribo celebrará seus 35 anos de existência em 2019. Desde o seu surgimento, ocupa lugar de destaque entre os espaços culturais do estado do RS, sendo igualmente apontada como referência também no âmbito nacional. É o espaço físico e telúrico de experimentação cênica, criação independente e autônoma do grupo de teatro Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz. O coletivo, por sua vez, há 41 anos compartilha sua pesquisa e investigação na linguagem teatral, aprimorando o trabalho estético sem perder o compromisso ético e a coerência ideológica.

Além de ser o espaço sede do grupo, a Terreira é também o Teatro onde o mesmo realiza suas encenações de "Teatro de Vivência" (linguagem desenvolvida pelo grupo que requer um espaço próprio para a interferência criativa). Bem como é palco para outras encenações do próprio grupo e de mostras pedagógicas com exercícios cênicos que o grupo orienta. Desde 2010 também é palco de importantes grupos de teatro nacionais e latino-americanos que passaram pela Terreira da Tribo e pela cidade por meio do projeto Festival de Teatro Popular - Jogos de Aprendizagem, também promovido pelo Ói Nóis. O espaço ainda armazena o acervo de todo material produzido nos 41 anos de trajetória do grupo. Trata-se de um vasto acervo que contém figurinos, adereços, bonecos, cenografias, fotografias, reportagens de jornais e material audiovisual. Vasto material de pesquisa que compõe sua história e narra uma parte da história do Teatro Brasileiro. Além de contar com uma rica biblioteca aberta ao público.




O Ói Nóis Aqui Traveiz tem na sua essência o compartilhamento e a difusão do seu trabalho, porque acredita no teatro como um instrumento de análise da realidade cuja função social é contribuir para o conhecimento dos homens e o aprimoramento da sua condição. Transformou sua sede em um Centro Cultural e uma reconhecida Escola de Teatro. É na vertente pedagógica que o grupo desenvolve diferentes oficinas direcionadas à formação de novos atuadores. Dessa forma, acontecem na Terreira da Tribo oficinas de longa duração e oficinas permanentes, tais como: “Formação de Atores”, “Teatro Ritual”, “Teatro de Rua - Arte e Política”, “Teatro Livre” e “Teatro Como Instrumento de Discussão Social”. Esta última estende-se a outros bairros da cidade e cidades vizinhas, ocupando outros espaços que funcionam como ramificações da Terreira da Tribo. Todas as oficinas são oferecidas gratuitamente à população. Esse trabalho pedagógico já formou e segue formando não somente artistas, mas grupos de teatro inteiros pela cidade. Além, claro, de influenciar outros tantos espalhados pelo país por onde o grupo passou.




Por ter como característica desde o princípio o compartilhamento e por se destinar a ser um ponto de aglutinação de pessoas e profissionais dos mais diversos segmentos e diferentes áreas artísticas, a Terreira da Tribo em 2014 foi reconhecida pelo Governo Federal como Ponto de Cultura. No entanto, este espaço de resistência cultural está ameaçado. Há quase uma década, o grupo luta para restabelecer a Terreira da Tribo de volta ao bairro de origem, com prédio próprio em terreno público, sem precisar pagar seus dois alugueis atuais, pois além da sede o grupo precisa manter um depósito no qual fica guardado parte de seu acervo.




Como os tempos são difíceis e bem sabemos que as perspectivas não são as melhores, buscamos um apoio público e coletivo para realizar esse trabalho público e coletivo, cujo alcance chega a uma população que por sua carência econômica nem sempre tem acesso aos bens culturais. Então, esse lugar que há 35 anos existe de forma autônoma – no qual a manutenção é realizada coletivamente por meio da doação de tempo e força de trabalho de muitas e muitos atuadores – precisa da colaboração de todas e todos para continuar (re)existindo. Um espaço que possibilita o encontro entre pessoas que se reconhecem e alimentam a ideia de outro mundo possível, onde as relações são calcadas no respeito mútuo e a liberdade criativa impera. A Terreira da Tribo precisa do apoio de todas e todos, mais do que nunca.