Desmontagem Evocando os Mortos – Poéticas da Experiência

A cidade de Curitiba recebe nos dias 22, 23 e 24 de agosto a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, de Porto Alegre, com a Desmontagem Evocando os Mortos – Poéticas da Experiência, a Oficina de Vivência com a Tribo e um Debate sobre questões de gênero no teatro brasileiro contemporâneo. O Projeto foi selecionado pelo Programa Petrobras Distribuidora 2017/2018, através da Lei de Incentivo à Cultura. O Programa Petrobras Distribuidora de Cultura é uma seleção pública que tem como objetivo contemplar projetos de circulação de espetáculos teatrais não inéditos, em parceria do Ministério da Cultura. No último edital foram investidos R$ 15 milhões. Ao todo, foram escolhidos 57 espetáculos, representantes de todas as regiões do País, com apresentações em todos os estados.
A programação em Curitiba, com entrada franca, acontecerá no Espaço Obragem (Alameda Júlia da Costa, 204) e tem apoio local do Grupo Obragem de Teatro. Nos dias 22 e 23 de agosto, às 20h, a Tribo encena a Desmontagem Evoc…

SEMANA ÓI NÓIS AQUI TRAVEIZ 41 ANOS DE TEATROFAGIA E ANARQUIA

Na semana que a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz completa 41 anos de trajetória a cidade recebe uma mostra do seu atual repertório de encenações. Abre a semana, no domingo, dia 31 de março (data da estreia do seu primeiro espetáculo em 1978), a encenação de “Caliban – A Tempestade de Augusto Boal”, às 16h, no Parque da Redenção (em frente ao Monumento do Expedicionário). Dando continuidade a mostra, a Tribo apresenta a performance “Onde? Ação nº 2”, na segunda-feira, dia 1 de abril, às 12h, na Esquina Democrática (Rua dos Andradas com Av. Borges de Medeiros). E a noite, às 20h, projeção do filme “Viúvas Performance sobre a Ausência”, com entrada franca, na Terreira da Tribo (rua Santos Dumont, 1186). Na terça-feira, dia 2 de abril, mostra a Desmontagem “Evocando os Mortos Poéticas da Experiência”, às 20h, com entrada franca, na Terreira da Tribo. Nos dias 4, 5 e 6 de abril encena “Meierhold”, às 20h, na Terreira da Tribo, com ingressos a R$ 40,00 e R$ 20,00. No dia 7 de abril, domingo, encerra a semana com nova apresentação de “Caliban – A Tempestade de Augusto Boal”, às 16h, no Parque da Redenção, dentro da programação da Virada Sustentável.



 
Criado em 1978 com uma proposta radical de inovação da linguagem cênica, o Ói Nóis Aqui Traveiz desenvolve trabalhos nas áreas de Criação como seu Teatro de Rua e o Teatro de Vivência; na área da Formação com o desenvolvimento da Escola de Teatro Popular e a ação Teatro Como Instrumento de Discussão Social; na área do Compartilhamento com a realização da ação Caminho para um Teatro Popular e o Festival de Teatro Popular: Jogos de Aprendizagem; além das ações na área da Memória, com a edição de uma série de livros e dvds sobre diferentes aspectos do seu trabalho e a publicação da Cavalo Louco Revista de Teatro. Seu trabalho de investigação sobre a linguagem procura uma lógica diversa da cultura dominante, que provoque um estranhamento em relação à percepção usual do mundo e que seja expressão das contradições da sociedade na qual está inserido. Todo o desenvolvimento do seu Projeto está diretamente relacionado ao seu centro de criação, a Terreira da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, que ocupa lugar de destaque entre os espaços culturais do Rio Grande do Sul, sendo igualmente apontada como uma referência de âmbito nacional. Nesses quarenta e um anos, criou encenações que marcaram o teatro brasileiro como “Ostal”, “Antígona Ritos de Paixão e Morte”, “Fausto”, “A Saga de Canudos”, “Kassandra In Process”, “O Amargo Santo da Purificação” e “Medeia Vozes”. Tendo como base o Teatro Ritual de Antonin Artaud e o Teatro Épico de Bertolt Brecht, a Tribo bebeu de diversas fontes cênicas durante a sua trajetória, como o teatro revolucionário do Living Theatre, o trabalho de ações físicas dos mestres europeus Stanislavsky, Meierhold, Grotowski e Eugênio Barba, e dos brasileiros Augusto Boal (Teatro do Oprimido), José Celso Martinez Corrêa (Teatro Oficina) e Amir Haddad (Tá Na Rua).

PROGRAMAÇÃO


“Caliban – A Tempestade de Augusto Boal” – dias 31 de março e 7 de abril, às 16h, no Parque da Redenção 


O Ói Nóis Aqui Traveiz traz este clássico de Shakespeare para a rua e para o exame crítico, lançando mão da adaptação feita por Augusto Boal, nos anos 70, para criticar o retrocesso nos direitos sociais do Brasil de hoje. A narrativa é vista pela perspectiva de Caliban, metáfora dos povos originários da América, que foram dizimados pelos colonizadores, simbolizados na figura de Próspero. A Tribo, sem trair a sua vocação artística, quer com o seu Teatro de Rua instaurar a alegria e a indignação nos seus milhares de espectadores. Como em todo bom teatro político, o público deve perceber que os símbolos da obra remetem à realidade, para despertar neles – emotiva e racionalmente – uma resposta crítica fora da ficção. Para seduzir o público anônimo e passageiro das ruas das cidades, a criação coletiva do Ói Nóis Aqui Traveiz investe em um movimento de cena dinâmico com personagens excêntricos, utilizando adereços e figurinos impactantes com máscaras e bonecos. A narração é toda contagiada pela música, o canto e a dança. Mesclando os movimentos do coro com ações acrobáticas, cenas de humor irreverente e personagens clownescos com uma narrativa épica, “Caliban – A Tempestade de Augusto Boal” reflete alegoricamente a nossa sociedade.
 

“Onde? Ação nº 2” – dia 1 de abril, às 12h, na Esquina Democrática 


A performance, de forma poética, provoca reflexões sobre o nosso passado recente e as feridas ainda abertas pela ditadura militar. A ação performática se soma ao movimento de milhares de brasileiros que exigem que o governo federal proceda a investigação sobre o paradeiro das vítimas desaparecidas durante o regime militar, identifique e entregue os restos mortais aos seus familiares e aplique efetivamente as punições aos responsáveis. A performance visa atualizar o debate sobre as implicações e consequências deste episódio para a história nacional.


“Viúvas – Performance Sobre a Ausência – dia 1 de abril, às 20h, na Terreira da Tribo


 Filme de Pedro Isaias Lucas que registra o espetáculo da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, apresentado em 2011 na Ilha do Presídio (Ilha das Pedras Brancas). O filme mostra mulheres que lutam pelo direito de saber onde estão os homens que desapareceram e foram mortos pela ditadura civil militar que se instalou em seu país. A utilização deste espaço não-convencional para a encenação pretendeu estabelecer uma relação entre os sentidos do trabalho sobre o imaginário e a história recente da América Latina e as referências simbólicas, o registro emocional, os elementos de memória e o caráter institucional da Ilha do Presídio. Após o filme haverá um debate com Paulo de Tarso Carneiro, ex-preso político.

“Desmontagem – Evocando os Mortos Poéticas da Experiência” – dia 2 de abril, às 20h, na Terreira da Tribo  


A desmontagem refaz o caminho da atuadora Tânia Farias na criação de personagens emblemáticos da dramaturgia contemporânea. Constitui um olhar sobre as discussões de Gênero, abordando a violência contra a mulher em suas variantes, questões que passaram a ocupar centralmente o trabalho de criação da Tribo. Desvelando os processos de criação de diferentes personagens, criadas entre 1999 e 2011, Tânia Farias deixa ver quanto as suas vivências pessoais e do coletivo Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz atravessam os mecanismos de criação. Através da ativação da memória corporal, a atuadora faz surgir e desaparecer as personagens, realizando uma espécie de ritual de evocação de seus mortos para a compreensão dos desafios de fazer teatro nos dias de hoje.

“Meierhold” - dias 4, 5 e 6 de abril, às 20h, na Terreira da Tribo 


A nova encenação coletiva da Tribo parte da livre adaptação da peça da chamada dramaturgia de “micropolítica de resistência” do argentino Eduardo Pavlovski “Variaciones Meyerhold” (2005). “Meierhold” mostra o encenador russo num tempo fora da realidade, póstumo, como um espectro que reflete sobre o seu discurso artístico e os relaciona com momentos dramáticos de sua trajetória pessoal, sujeito ao cárcere, tortura e humilhações até o seu brutal assassinato pelas autoridades da Russia stalinista. Na encenação estruturada em fragmentos, Meierhold passa de pensamentos em voz alta a relatos e diálogos imaginários com diferentes interlocutores, como com a sua amada, a atriz Zinaida Reich, também assassinada tragicamente. O espetáculo utiliza-se de diferentes linguagens e recursos, inclusive audiovisuais, fragmentos de poesias surrealistas e cenografia construtivista que remete à utilizada pelo próprio Meierhold. A história de Meierhold não deixa de nos colocar em questionamentos sobre o momento e o lugar em que vivemos.