MEIERHOLD NA SALA ÁLVARO MOREYRA

Meierhold, o último espetáculo da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, apresenta do dia 18 ao dia 21 de julho na Sala Álvaro Moreyra, no Centro Municipal de Cultura, sempre às 20h com entrada franca. As apresentações fecharão a mostra de repertório do grupo na programação do I Laboratório Aberto com a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz – uma imersão poética na estética do grupo através de oficinas, espetáculos, filmes e seminários.

A encenação de “Meierhold” que estreou no final de 2018 na Terreira da Tribo, com o prêmio açorianos 2018 de melhor ator para Paulo Flores, parte da livre adaptação da peça da chamada dramaturgia de "micropolítica de resistência” do argentino Eduardo Pavlovsky “Variaciones Meyerhold” (2005). “Meierhold” mostra o encenador russo num tempo fora da realidade, póstumo, como um espectro que reflete sobre o seu discurso artístico e os relaciona com momentos dramáticos de sua trajetória pessoal, sujeito ao cárcere, tortura e humilhações até o seu br…

TERREIRA DA TRIBO CELEBRA 35 ANOS


A Terreira da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz é um centro cultural criado em 1984 em Porto Alegre. Há dez anos localizada na rua Santos Dumont 1186, no bairro São Geraldo, a Terreira da Tribo abrigou desde a sua origem diversas manifestações culturais como espetáculos de teatro, shows musicais, ciclos de filmes e vídeos, seminários e debates, performances e celebrações, além de oportunizar às pessoas em geral o contato com o fazer teatral. Reconhecida hoje como Ponto de Cultura, a Terreira é um dos principais centros de investigação cênica do país e se constituiu como Escola de Teatro Popular, referência nacional na aprendizagem do teatro. 

 
Foto: André Ávila/Agência RBS
 

Sob o signo do teatro revolucionário de Antonin Artaud, a Terreira é um ateliê artístico onde se desenvolvem múltiplas atividades. O nome desse espaço feminino, telúrico e anarquista vem de terreiro, lugar de encontro do ser humano com o sagrado. É um espaço que possibilita a sua utilização de muitas formas. É na Terreira que a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz cria o seu Teatro de Vivência, com seus ambientes cênicos onde o espectador integrado ao espaço torna-se participante do ato teatral. Gerida de forma libertária pelo Ói Nóis Aqui Traveiz, a Terreira é uma peça fundamental para o desenvolvimento das artes cênicas porto-alegrense.

A Terreira da Tribo vem desenvolvendo sistematicamente projetos nas áreas de Criação, Compartilhamento, Formação e Memória. Na área da Criação a Tribo encena no seu espaço “Meierhold” e o seu espetáculo de Teatro de Vivência “Medeia Vozes”. Apresenta a “Desmontagem – Evocando os Mortos Poéticas da Experiência” em diversos espaços alternativos. E nas ruas, praças e parques realiza seu Teatro de Rua com apresentações de “Caliban – A Tempestade de Augusto Boal” e a performance “Onde? Ação nº 2”.


 
Foto: Fabiano Ávila

Na área do Compartilhamento realiza a ação “Caminho para um Teatro Popular” com circuito de apresentações de teatro de rua em praças de bairros populares. O “Festival de Teatro Popular – Jogos de Aprendizagem” promove espetáculos nacionais e ibero-americanos, mostra de processos de criação, oficinas e intercâmbios, contribuindo para a discussão sobre a formação do ator nos seus princípios estéticos e éticos. Os “Seminários e Ciclos de Debates sobre o Teatro” são encontros com atores, diretores, pesquisadores e professores de teatro para debater questões da cena contemporânea. Já a ação “Teatro Como Instrumento de Discussão Social” consiste em oficinas teatrais com o objetivo de fomentar a organização de grupos culturais nos bairros populares da região metropolitana. O teatro criado na periferia passou a ser um poderoso aliado permanente em favor da construção da cidadania, constituindo na prática um laboratório para imaginação social. 




Na área da Formação, com a Escola de Teatro Popular, oferece oficinas de iniciação teatral, formação, treinamento e pesquisa de linguagem, abertas e gratuitas a todos interessados. Cria um processo de permanente descoberta, disseminando o conhecimento e o estímulo ao aprendizado, desenvolvendo o espírito do trabalho coletivo, valorizando a diferença, revisando conceitos estéticos, buscando sempre a essência do teatro. 


Livro lançado nos 35 anos da Tribo
Por fim, na área da Memória, foi criado o “Selo Ói Nóis na Memória” que, por meio da edição de DVD’s e livros, registra a trajetória estética e política da Tribo e o processo de criação dos seus principais espetáculos. Publica periodicamente a “Cavalo Louco Revista de Teatro”. Está em fase de captação de apoios para a criação do “Acervo da Terreira da Tribo” – um acervo de figurinos, máscaras e adereços utilizados nas últimas encenações criadas na Terreira – e do “Centro de Referência de Teatro Popular” – um centro de documentação sobre teatro, formado por biblioteca e videoteca, aberto ao público em geral.

 
Depois de todos esses anos de uma trajetória marcada pela ousadia e ruptura em defesa da democracia, da liberdade e da justiça social, a Terreira da Tribo está ameaçada de fechar as suas portas. Desde o golpe de 2016 vivemos um tempo de retrocessos sociais, no qual o ódio e a violência se propagam. Como não poderia ser diferente, o Ministério da Cultura foi extinto e outras instituições que ainda fomentavam a cultura sofreram drásticos cortes de verbas. Arte, cultura e educação nesse governo serão terra arrasada. A Terreira da Tribo, que sempre ocupou prédios privados pagando onerosos alugueis, se encontra num momento dramático para conseguir viabilizar a sua existência. Por isso estamos conclamando a todos – amigos, espectadores de teatro e interessados em cultura – que nos apoiem. Só dessa maneira a Tribo continuará, nos próximos anos, compartilhando a sua experiência com o maior número de pessoas possível, por meio das suas encenações e de sua prática artístico-pedagógica.

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